Após bloqueio do Orçamento, Haddad vê evolução das contas em relação à 'bagunça' de 2022 | Economia | G1


Após bloqueio do Orçamento, Haddad vê evolução das contas em relação à 'bagunça' de 2022

Ministro comentou congelamento de R$ 2,9 bilhões, anunciado por Fazenda e Planejamento nesta sexta-feira. Haddad voltou a pedir cooperação entre os poderes para melhora das contas públicas e para a saída de 'um quadro caótico' deixado pela gestão anterior.

Por g1

22/03/2024 11h58 Atualizado 22/03/2024

Governo anuncia bloqueio de R$ 2,9 bilhões do orçamento de 2024

Governo anuncia bloqueio de R$ 2,9 bilhões do orçamento de 2024

O ministro da Fazenda, Fernando Haddad, comentou o bloqueio de R$ 2,9 bilhões no orçamento deste ano, anunciado nesta sexta-feira (22) pela pasta e pelo ministério do Planejamento e Orçamento. Para ele, os resultados estão próximos do esperado pelo governo federal, e que a Receita Federal avalia periodicamente os resultados de arrecadação para ajudar a tomada de decisão.

"A cada bimestre, a Receita Federal vai fazendo uma avaliação das receitas que podem entrar ao longo do ano, os riscos de frustração e avaliações dessa natureza, como foi o caso da receita de concessões, que foi revista para baixo. E vai reavaliando as outras receitas, as receitas ordinárias, que, no nosso entendimento, poderiam estar subestimadas".

"Minha impressão e a impressão da equipe por ocasião do envio do Orçamento era que de que talvez as receitas correntes estivessem um pouco subestimadas, e as receitas extraordinárias um pouco superestimadas. Isso está se comprovando, mas elas estão se compensando razoavelmente bem", disse Haddad.

O ministro afirmou que foi um bom primeiro bimestre, mas que continuarão reavaliando as condições. A arrecadação do governo federal com impostos, contribuições e demais receitas somou R$ 186,5 bilhões em fevereiro deste ano, melhor resultado em 30 anos. Em janeiro, chegou a R$ 280,36 bilhões — também um recorde.

Nos dois primeiros meses deste ano, ainda segundo dados oficiais, a arrecadação federal somou R$ 467,2 bilhões, o que representa um crescimento real (acima da inflação) de 8,8% em relação ao mesmo período do ano passado — quando somou R$ 431,4 bilhões (valor corrigido).

"Então, nós estamos tirando um bom primeiro bimestre, mas vamos continuar acompanhando com o mesmo rigor a evolução do ano. Agora, o bloqueio, aí é o Planejamento que vai provavelmente oferecer a dotação para poder remanejar, para aumentar a despesa com a Previdência, que veio acima das projeções do ano passado", afirmou o ministro.

Segundo o ministro, indicadores econômicos melhores que o esperado têm ajudado a arrecadação. Questionado se é possível manter a meta de déficit zero, disse que o resultado depende da continuidade de um bom crescimento econômico, que hoje está acima das expectativas, e da geração de vagas no mercado de trabalho formal, além de uma possível aprovação de medidas arrecadatórias enviadas pela pasta ao Congresso.

"É o que eu sempre falo: hoje, a meta é uma lei. O resultado não depende só de fixar na lei o que você quer. Depende de um esforço do Executivo, do Legislativo e do Judiciário em proveito do equilíbrio de contas."

Haddad reafirmou que o remanejamento das contas públicas depende de uma articulação para que não haja "surpresas". "Eu entendo quem está aguardando. Nós também estamos aguardando a aprovação das medidas e a evolução das contas, é natural que seja assim. Ainda mais tendo saído de um quadro caótico", disse.

"Só em calote de precatórios foram 90 e poucos bilhões [de reais] no ano passado. Metade disso não foi paga em 2022 e metade disso não estava prevista no Orçamento de 2023, encaminhado pelo governo anterior. Não é fácil explicar para as pessoas que tivemos que pagar quase R$ 100 bilhões de um calote dado pelo governo anterior", afirmou Haddad.

"Toda essa confusão — que também se refletiu na política, na tentativa de golpe — tudo isso está sendo enfrentado, pela área política e econômica, para normalizar as condições do país. É normal cobrarem, o Executivo tem que prestar contas. Mas, da bagunça que estava em 2022 para hoje, penso que houve uma evolução bastante consistente", afirmou o ministro.

Bloqueio no Orçamento

A informação do bloqueio consta no relatório de avaliação de receitas e despesas primárias do primeiro bimestre. A limitação será feita nos gastos livres dos ministérios, ou seja, aqueles que não são obrigatórios. Essas despesas envolvem investimentos e custeio da máquina pública.

Entre os gastos de custeio, estão: serviços de apoio, tecnologia da informação, energia elétrica e água, locação de bens móveis, diárias e passagens e serviços de comunicações.

O detalhamento de quais ministérios serão atingidos pelo bloqueio será divulgado até o fim deste mês.

O bloqueio acontece por conta do limite de gastos do arcabouço fiscal, a nova regra para as contas públicas aprovada no ano passado. Pela norma:

  • o governo também não pode ampliar as despesas acima de 70% do crescimento projetado pela arrecadação.
  • e o crescimento dos gastos não pode superar 2,5% ao ano em termos reais, ou seja, acima da inflação do ano anterior.
  • O objetivo do arcabouço fiscal é evitar, no futuro, uma disparada da dívida pública e uma piora nos juros cobrados dos investidores na emissão de títulos públicos.

Para calcular a necessidade de bloqueio no orçamento, o governo fez uma nova estimativa das receitas e despesas que serão feitas até o fim deste ano.

Entenda como funciona o arcabouço fiscal

Entenda como funciona o arcabouço fiscal

Meta de déficit zero

O governo também busca zerar o rombo das contas públicas neste ano, meta que consta na Lei de Diretrizes Orçamentária (LDO) — aprovada pelo Congresso Nacional e sancionada pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).

De acordo com o relatório de avaliação de receitas e despesas, entretanto, as contas do governo deverão registrar um déficit de R$ 9,3 bilhões neste ano.

  • Pelas regras do arcabouço fiscal, há uma banda de 0,25 ponto percentual do PIB para cima e para baixo da meta fiscal.
  • Com isso, o governo pode registrar um rombo de até R$ 28,8 bilhões em 2024 sem que o objetivo seja descumprido.

Em busca da meta fiscal, o governo aprovou, no ano passado, uma série de medidas para aumentar a arrecadação federal. O objetivo é elevar a arrecadação em R$ 168,5 bilhões em 2024.

As medidas são:

De acordo com cálculo da Instituição Fiscal Independente (IFI), órgão ligado ao Senado Federal, entretanto, as medidas de aumento de arrecadação renderão cerca de metade do esperado pela equipe econômica.

Histórico

O bloqueio de R$ 2,9 bilhões anunciado pela área econômica é maior do que o registrado em março do ano passado – no primeiro relatório de receitas e despesas do orçamento.

Naquele momento, não foi anunciado bloqueio de despesas. Ainda vigorava, no começo do ano passado, o teto de gastos – pelo qual as despesas não podiam crescer acima da inflação do ano anterior.

O teto de gastos teve início em 2017. Antes disso, os bloqueios no orçamento obedeciam à lógica das metas de superávit primário – propostas pelos governos e aprovadas pelo Congresso Nacional.

Para atingi-las, os governos tinham de bloquear gastos – com base nas previsões feitas no começo de cada ano para as receitas e para as despesas.

Em 2020, no início da pandemia da Covid-19, a equipe econômica chefiada pelo ministro Paulo Guedes indicou a necessidade, em relatório oficial do orçamento, de bloquear R$ 37,5 bilhões.

Entretanto, com o decreto de calamidade pública, aprovado logo depois, o valor não chegou a ser limitado. E novos gastos extraordinários, acima de R$ 700 bilhões, foram feitos.

Primeiro bloqueio de gastos ano a ano Fonte: Ministérios da Fazenda, Planejamento e Economia (governo Bolsonaro)

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