Indústria brasileira pede aumento de imposto para frear 'invasão' de veículos chineses
Participação de veículos do gigante asiático nas vendas brasileiras subiram de 7% no primeiro semestre do ano passado para 26% no volume registrado de janeiro a junho deste ano.
Por Isabela Bolzani, g1
04/07/2024 12h06 Atualizado 04/07/2024
1 de 1 Dolphin da chinesa BYD. — Foto: BYD/Divulgação
Dolphin da chinesa BYD. — Foto: BYD/Divulgação
A invasão de veículos chineses no Brasil está preocupando a indústria automotiva local e intensificado os pedidos do setor para que a recomposição da alíquota de automóveis elétricos importados aconteça o quanto antes.
Dados da Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea) divulgados nessa quinta-feira (4), por exemplo, apontam que a participação da China nas vendas de veículos no Brasil saiu de 7% no primeiro semestre do ano passado para 26% no volume registrado de janeiro a junho deste ano.
Desde o começo deste ano, o governo decidiu implementar um aumento gradativo do imposto de importação para veículos elétricos, que deve chegar à alíquota cheia de 35% em julho de 2026. A elevação do tributo teria sido pensada como forma de incentivar o investimento na produção nacional de veículos elétricos.
Com o aumento do imposto para os veículos importados, a ideia é tornar a mercadoria nacional mais atraente, uma vez que o custo deverá ser menor ao consumidor final. Veja como deve ser a cobrança ao longo do tempo:
Veículos híbridos
- 15% em janeiro de 2024;
- 25% em julho de 2024;
- 30% em julho de 2025;
- 35% em julho de 2026.
Híbridos plug-in
- 12% em janeiro de 2024;
- 20% em julho de 2024;
- 28% em julho de 2025;
- 35% em julho de 2026.
Elétricos
- 10% em janeiro de 2024;
- 18% em julho de 2024;
- 25% em julho de 2025;
- 35% em julho de 2026.
Segundo o presidente da Anfavea, Marcio Lima, a recomposição da alíquota antes do previsto ajudaria a indústria a recuperar a produção local — que, de acordo com a associação, ficou praticamente estável (+ 0,5%) no primeiro semestre deste ano em relação a igual período do ano passado.
"Nosso posicionamento sempre foi de recomposição imediata da alíquota, porque nós já antecipávamos que isso ia acontecer. […] O aumento imediato é fundamental para que a gente tenha um cenário de crescimento de produção no segundo semestre", afirmou o executivo.
Ainda segundo Lima, a cobrança cheia do imposto também pode ajudar a equilibrar melhor o volume de importações e exportações na indústria automotiva brasileira.
Segundo a Anfavea, por exemplo, a importação de veículos registrou 198 mil emplacamentos no primeiro semestre deste ano, um volume quase 38% maior em relação ao observado no período de janeiro a junho de 2023.
As exportações, por outro lado, recuaram 28,3% na mesma base de comparação, para 165 mil veículos.
"Quando falamos de mercado internacional, a gente tem que analisar o cenário de importação e exportação. Se as exportações também tivessem crescido, esse cenário estaria mais equilibrado. Mas vimos um aumento muito grande de importações e uma queda substancial de exportações. Essa combinação de fatores fez com que a Anfavea solicitasse o aumento imediato das alíquotas para 35%", disse o presidente da associação.
(Esta reportagem está em atualização)
Veja também
Anterior Próximo