{"id":20495,"date":"2019-04-20T09:23:07","date_gmt":"2019-04-20T09:23:07","guid":{"rendered":"http:\/\/blog.corretoraideal.com.br\/cca_post\/"},"modified":"2019-04-20T09:23:11","modified_gmt":"2019-04-20T09:23:11","slug":"sou-chefe-e-gay-executivos-assumem-orientacao-e-alavancam-inclusao-exame","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/blog.corretoraideal.com.br\/index.php\/2019\/04\/20\/sou-chefe-e-gay-executivos-assumem-orientacao-e-alavancam-inclusao-exame\/","title":{"rendered":"Sou chefe e gay: executivos assumem orienta\u00e7\u00e3o e alavancam inclus\u00e3o | EXAME"},"content":{"rendered":"<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"aligncenter size-full wp-image-20497\" src=\"http:\/\/blog.corretoraideal.com.br\/wp-content\/uploads\/2019\/04\/abre-gays.jpeg\" alt=\"ABRE GAYS\" width=\"800\" height=\"400\" \/><\/img><\/p>\n<p>Da esquerda para a direita: Bruno Crepaldi, do Ita&uacute;-Unibanco; M&aacute;rio Ferreira, da Siemens e Miquel Serra Alquezar, da Schneider Electric | &nbsp;(Fotos: Germano L&uuml;ders, montagem e tratamento: Eduardo Fraz&atilde;o e Julio Gomes \/\/VOC&Ecirc; S\/A)<\/p>\n<p>Durante uma d&eacute;cada, o gerente jur&iacute;dico do banco Ita&uacute;, Bruno Crepaldi, de 35 anos, ocultou sua orienta&ccedil;&atilde;o sexual no trabalho. O advogado, de S&atilde;o Paulo, ingressou na institui&ccedil;&atilde;o em 2006, aos 22 anos, e teve de conviver com uma rotina na qual media suas palavras, por medo de sofrer preconceito e ter sua carreira interrompida. &ldquo;As conversas casuais no almo&ccedil;o ou no caf&eacute; eram as mais complicadas e eu fugia de assuntos pessoais&rdquo;, diz. <\/p>\n<p>Isso tudo mudou em 2016, quando Bruno foi fazer um mestrado na Calif&oacute;rnia, nos Estados Unidos, e encontrou apoio em um grupo de estudantes gays, que o incentivaram a falar sobre o tema abertamente na companhia. Quando voltou ao Brasil, em 2017, o executivo, que j&aacute; liderava um time de 12 pessoas, estava decidido a n&atilde;o se esconder mais. <\/p>\n<p>Escolheu uma reuni&atilde;o com o presidente do banco, Candido Bracher, para assumir que era homossexual. &ldquo;A empresa promoveu alguns encontros para tratar sobre diversidade e eu contei minha hist&oacute;ria. Senti que naquele momento o Ita&uacute; estava preparado para me receber e decidi me abrir&rdquo;, afirma. <\/p>\n<p>Bruno ainda lembra de seu discurso e da rea&ccedil;&atilde;o dos colegas que estavam na sala. &ldquo;Eram umas 15 pessoas de cargos altos e todos me olharam com naturalidade. Foi um momento de acolhimento que dividiu minha carreira no banco.&rdquo; <\/p>\n<p>Com o crescimento de iniciativas e pol&iacute;ticas sobre diversidade nas empresas, uma gera&ccedil;&atilde;o de executivos em altas posi&ccedil;&otilde;es que falam abertamente sobre homossexualidade no trabalho come&ccedil;a a surgir no mundo corporativo. <\/p>\n<p>De acordo com um estudo da ONG americana OutNow, publicado em 2017, um em cada tr&ecirc;s gestores gays do Brasil j&aacute; n&atilde;o sente medo de se esconder para seus l&iacute;deres e pares, por exemplo. Embora pare&ccedil;a pouco, se considerarmos que em pa&iacute;ses como a Austr&aacute;lia esse &iacute;ndice chega a 51%, o n&uacute;mero mostra que o trabalho das primeiras companhias que ousaram tratar da inclus&atilde;o come&ccedil;a a aparecer. <\/p>\n<p>&ldquo;J&aacute; temos no Brasil um bom grupo de grandes empresas, com alto poder de influ&ecirc;ncia, boas pr&aacute;ticas e programas bem estruturados sobre o tema&rdquo;, afirma Reinaldo Bulgarelli,&nbsp; secret&aacute;rio executivo do F&oacute;rum de Empresas e Direitos LGBTI+. Isso tudo encoraja mais l&iacute;deres a sair do arm&aacute;rio e, assim, impulsiona ambientes mais diversos e tolerantes nas organiza&ccedil;&otilde;es. <\/p>\n<p>Veja tamb&eacute;m<\/p>\n<ul>\n<li><a class='widget-news-thumb mini' href='https:\/\/exame.abril.com.br\/carreira\/como-fazer-com-que-a-inclusao-seja-mais-do-que-so-um-jargao-no-escritorio\/' rel='bookmark'><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"aligncenter size-full wp-image-20498\" src=\"http:\/\/blog.corretoraideal.com.br\/wp-content\/uploads\/2019\/04\/profissional-e-sua-chefe.jpeg\" alt=\"Profissional e sua chefe\" width=\"800\" height=\"400\" \/><\/img><\/a><a href='\/carreira' class='widget-news-item-category color-theme'>CARREIRA &#8211; VOC&Ecirc; S\/A<\/a><a href='https:\/\/exame.abril.com.br\/carreira\/como-fazer-com-que-a-inclusao-seja-mais-do-que-so-um-jargao-no-escritorio\/' class=''>Como fazer com que a inclus&atilde;o seja mais do que s&oacute; um jarg&atilde;o no escrit&oacute;rio<\/a><i>query_builder<\/i> 26 fev 2019 &#8211; 15h02<\/li>\n<li><a class='widget-news-thumb mini' href='https:\/\/exame.abril.com.br\/carreira\/executivo-da-american-airlines-tambem-e-fundador-do-minhoqueens\/' rel='bookmark'><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"aligncenter size-full wp-image-20499\" src=\"http:\/\/blog.corretoraideal.com.br\/wp-content\/uploads\/2019\/04\/drag-2.jpeg\" alt=\"DRAG 2\" width=\"800\" height=\"400\" \/><\/img><\/a><a href='\/carreira' class='widget-news-item-category color-theme'>CARREIRA &#8211; VOC&Ecirc; S\/A<\/a><a href='https:\/\/exame.abril.com.br\/carreira\/executivo-da-american-airlines-tambem-e-fundador-do-minhoqueens\/' class=''>Quem &eacute; o executivo que fundou o MinhoQueens, um dos grandes blocos de SP<\/a><i>query_builder<\/i> 2 mar 2019 &#8211; 06h03<\/li>\n<li><\/li>\n<\/ul>\n<h3><b>Representatividade importa<\/b><\/h3>\n<p>Mesmo que haja motivos para comemorar, &eacute; importante assumir que ainda h&aacute; uma longa estrada a percorrer. De acordo com a pesquisa da OutNow, o Brasil tem o inc&ocirc;modo t&iacute;tulo de campe&atilde;o em homofobia no trabalho, sendo o primeiro entre os 11 pa&iacute;ses analisados. <\/p>\n<p>Por aqui, cerca de 68% dos empregados gays e l&eacute;sbicas ouviram coment&aacute;rios preconceituosos, muitas vezes disfar&ccedil;ados de piada, nas organiza&ccedil;&otilde;es. Num cen&aacute;rio como esse, l&iacute;deres que possuem a coragem de se assumir, al&eacute;m de beneficiar a si pr&oacute;prio, geram um efeito positivo nos outros: esses profissionais se tornam inspira&ccedil;&atilde;o para liderados que sentem medo de que sua orienta&ccedil;&atilde;o atrapalhe o desenvolvimento na companhia. <\/p>\n<p>&ldquo;Um funcion&aacute;rio gay, l&eacute;sbica ou trans que n&atilde;o v&ecirc; nenhuma lideran&ccedil;a LGBTI+ fica sem refer&ecirc;ncia de que &eacute; poss&iacute;vel chegar l&aacute;. E mais: pode ter d&uacute;vida se sua orienta&ccedil;&atilde;o sexual ou identidade de g&ecirc;nero ser&atilde;o impeditivos&rdquo;, diz Liliane Rocha, presidente da consultoria de sustentabilidade e diversidade Gest&atilde;o Kair&oacute;s. <\/p>\n<p>Miquel Serra Alquezar, de 34 anos, vice-presidente de recursos humanos da Schneider Electric, &eacute; uma inspira&ccedil;&atilde;o. Comandando uma equipe de 50 pessoas na multinacional de energia, o executivo &eacute; conhecido por falar abertamente sobre o tema desde que ingressou na empresa, h&aacute; 11 anos. <\/p>\n<p>Embora afirme que nunca tenha sofrido preconceito, Miquel admite que teve sorte de come&ccedil;ar a carreira j&aacute; inserido em uma cultura respeitosa e aberta, e isso o ajudou muito a crescer profissionalmente. &ldquo;O que eu tinha claro desde o in&iacute;cio era: se voc&ecirc; n&atilde;o conseguir ser voc&ecirc; mesmo, &eacute; imposs&iacute;vel que sua produtividade, sua efici&ecirc;ncia e sua performance sejam 100%&rdquo;, afirma Miquel. <\/p>\n<p>Tratar a homossexualidade com naturalidade h&aacute; tanto tempo tamb&eacute;m trouxe contribui&ccedil;&otilde;es para outros funcion&aacute;rios da Schneider. &ldquo;V&aacute;rias pessoas j&aacute; me agradeceram, dizendo que o fato de eu ser transparente com essa quest&atilde;o as ajudou a se assumirem no trabalho, seja na f&aacute;brica, seja no escrit&oacute;rio&rdquo;, diz Miquel. <\/p>\n<p>De acordo com o executivo, embora a decis&atilde;o de se declarar LGBTI+ no trabalho seja uma escolha pessoal, as organiza&ccedil;&otilde;es t&ecirc;m a obriga&ccedil;&atilde;o de criar um ambiente seguro para que os profissionais n&atilde;o sofram nenhum preconceito e tenham igualdade de oportunidades. &ldquo;&Eacute; preciso garantir aos trabalhadores que estejam satisfeitos e se sintam respeitados&rdquo;, afirma. <\/p>\n<p>Para criar esse ambiente, a Schneider est&aacute; desenvolvendo iniciativas para inclus&atilde;o. Em 2016, por exemplo, a companhia tornou-se signat&aacute;ria do F&oacute;rum Empresas e Direitos LGBTI+ e, desde aquela &eacute;poca, uma vez por ano re&uacute;ne as lideran&ccedil;as para discutir o tema diversidade.&nbsp;<\/p>\n<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"aligncenter size-full wp-image-20500\" src=\"http:\/\/blog.corretoraideal.com.br\/wp-content\/uploads\/2019\/04\/imagem20-04-2019-09-04-08.jpeg\" alt=\"imagem20-04-2019-09-04-08\" width=\"800\" height=\"400\" \/><\/img><\/p>\n<p>Miquel Serra Alquezar, Schneider electric | Foto: Germano L&uuml;ders<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<h3><b>Mais lucro e menos preconceito <\/b><\/h3>\n<p>Segundo Ricardo Sales, s&oacute;cio da consultoria Mais Diversidade, a quest&atilde;o de se assumir no ambiente de trabalho est&aacute; diretamente ligada aos resultados da empresa.<\/p>\n<p>Isso pode ser comprovado por dados da pesquisa da OutNow, que afirma que, entre os LGBTI+ declarados, 75% acreditam que s&atilde;o produtivos no trabalho &mdash; j&aacute; entre os que n&atilde;o falam sobre a quest&atilde;o o n&uacute;mero cai para 46%.<\/p>\n<p>&ldquo;Quem n&atilde;o se sente completo produz menos. Isso &eacute; fato. Por isso, &eacute; importante que as empresas criem condi&ccedil;&otilde;es objetivas, como extens&atilde;o de benef&iacute;cios, treinamentos em diversidade, sistema de ouvidoria eficiente, e garantam um ambiente mais acolhedor&rdquo;, afirma.<\/p>\n<p>Assim como outras mudan&ccedil;as culturais nas organiza&ccedil;&otilde;es, criar contextos mais inclusivos depende do envolvimento da alta lideran&ccedil;a, que ajuda a motivar os demais funcion&aacute;rios e a disseminar os valores de diversidade e respeito na empresa. <\/p>\n<p>E um l&iacute;der que tamb&eacute;m faz parte de uma minoria tem mais chance de se sensibilizar com a causa, por motivos &oacute;bvios, al&eacute;m de conseguir falar com mais propriedade sobre os dilemas do grupo ao qual pertence, contribuindo, desse modo, para a cria&ccedil;&atilde;o de iniciativas assertivas. <\/p>\n<p>Sem contar que o f&aacute;cil acesso &agrave; presid&ecirc;ncia, &agrave; diretoria e &agrave;s outras camadas mais altas da hierarquia corporativa &eacute; um aliado na hora de representar essa parcela da sociedade. &ldquo;Fica mais f&aacute;cil acelerar a tomada de decis&atilde;o para efetivar medidas de valoriza&ccedil;&atilde;o da diversidade quando h&aacute; um l&iacute;der gay colaborando&rdquo;, diz Liliane.<\/p>\n<p><a href='https:\/\/abrilexame.files.wordpress.com\/2019\/04\/251_gay_4.png'><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"aligncenter size-full wp-image-20501\" src=\"http:\/\/blog.corretoraideal.com.br\/wp-content\/uploads\/2019\/04\/imagem20-04-2019-09-04-09.png\" alt=\"imagem20-04-2019-09-04-09\" width=\"800\" height=\"400\" \/><\/img><\/a><\/p>\n<p>O coordenador de Atendimento ao Cliente da Siemens, M&aacute;rio Ferreira, de 41 anos, &eacute; chefe de dez pessoas e faz quest&atilde;o de lutar para mudar o ambiente da companhia, onde trabalha h&aacute; 11 anos. <\/p>\n<p>&ldquo;Nunca tive medo de dizer que sou gay, mas essa n&atilde;o &eacute; uma escolha f&aacute;cil e, por isso, tento ser um agente de transforma&ccedil;&atilde;o. N&atilde;o consigo acreditar que a orienta&ccedil;&atilde;o sexual defina o tipo de profissional que voc&ecirc; &eacute;&rdquo;, diz. <\/p>\n<p>Desde 2017, M&aacute;rio integra o comit&ecirc; de diversidade da Siemens e ajuda outros funcion&aacute;rios nessa quest&atilde;o. &ldquo;Procuro deixar as pessoas &agrave; vontade para perguntar o que quiserem. Talvez isso contribua para meu estilo de lideran&ccedil;a&rdquo;, afirma. <\/p>\n<p>O executivo diz que a presen&ccedil;a da diversidade em sua carreira acaba o deixando mais aberto a pessoas e ideias diferentes. &ldquo;Isso ajuda diretamente no que fa&ccedil;o. Cuido da &aacute;rea de clientes e n&atilde;o h&aacute; nada mais diverso do que nosso p&uacute;blico. Compreender as diferen&ccedil;as me d&aacute; uma vantagem na hora de executar meu trabalho&rdquo;, diz. <\/p>\n<p>Para os especialistas, a presen&ccedil;a de um chefe gay pode ajudar a estimular um ambiente mais criativo. Um estudo publicado na revista acad&ecirc;mica <i>Financial Management<\/i>, em 2018, mostra que essa cren&ccedil;a n&atilde;o &eacute; &agrave; toa. <\/p>\n<p>Os autores da pesquisa, professores na Universidade Estadual da Carolina do Norte e na Universidade Estadual de Portland, nos Estados Unidos, analisaram as pol&iacute;ticas de diversidade de mais de 3&thinsp;000 companhias e cruzaram esses dados com registro e cita&ccedil;&atilde;o de patentes. Como resultado, conclu&iacute;ram que as empresas que t&ecirc;m mais diretrizes sobre inclus&atilde;o s&atilde;o as que criam e patenteiam mais produtos. <\/p>\n<p>&ldquo;O que gera a inova&ccedil;&atilde;o, quando falamos de diversidade, &eacute; a mistura de diferentes pessoas, com diferentes caracter&iacute;sticas, e a possibilidade de que elas tenham espa&ccedil;o para falar e trazer sua contribui&ccedil;&atilde;o&rdquo;, diz Liliane. <\/p>\n<p>Bruno, do Ita&uacute;, afirma que o fato de ter criado uma rela&ccedil;&atilde;o mais pr&oacute;xima com a equipe depois de contar que &eacute; gay tamb&eacute;m contribuiu para fomentar um clima de mais colabora&ccedil;&atilde;o. &ldquo;&Eacute; tudo mais natural e eu sinto que as pessoas est&atilde;o mais &agrave; vontade para sugerir ideias. A equipe est&aacute; mais engajada e criativa&rdquo;, afirma o executivo.<\/p>\n<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"aligncenter size-full wp-image-20502\" src=\"http:\/\/blog.corretoraideal.com.br\/wp-content\/uploads\/2019\/04\/imagem20-04-2019-09-04-09.jpeg\" alt=\"imagem20-04-2019-09-04-09\" width=\"800\" height=\"400\" \/><\/img>M&aacute;rio Ferreira, Siemens |<\/p>\n<p>Liliane refor&ccedil;a, entretanto, que, para criar ambientes plurais que incentivem o desenvolvimento de ideias disruptivas, n&atilde;o adianta contratar somente homossexuais que sejam homens, brancos, cisg&ecirc;neros e com alto poder aquisitivo &mdash; o perfil mais comum entre os gestores que se assumem. <\/p>\n<p>&ldquo;&Eacute; preciso trazer toda a multiplicidade, ou seja, l&eacute;sbicas, transg&ecirc;neros, intersexuais e afins&rdquo;, diz. &ldquo;Temos de parar de pensar na diversidade sexual com base em um padr&atilde;o &uacute;nico, pois isso &eacute; refor&ccedil;ar o <i>statu quo<\/i>&rdquo;, afirma.<\/p>\n<h3><b>O custo da intoler&acirc;ncia<\/b><\/h3>\n<p>Al&eacute;m de ajudar a impulsionar a diversidade nas organiza&ccedil;&otilde;es, os executivos afirmam que a posi&ccedil;&atilde;o na hierarquia tamb&eacute;m contribui, de certa forma, para o processo de falar abertamente sobre a sexualidade na empresa. <\/p>\n<p>&ldquo;Com a carreira consolidada, eu me senti mais seguro para falar sobre minha orienta&ccedil;&atilde;o&rdquo;, diz Bruno, do Ita&uacute;. M&aacute;rio, da Siemens, completa o pensamento: &ldquo;Quem vai mexer com um chefe? As pessoas est&atilde;o mais conscientes, sim, mas a verdade &eacute; que o cargo ajuda a impor respeito&rdquo;. <\/p>\n<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"aligncenter size-full wp-image-20503\" src=\"http:\/\/blog.corretoraideal.com.br\/wp-content\/uploads\/2019\/04\/imagem20-04-2019-09-04-10.jpeg\" alt=\"imagem20-04-2019-09-04-10\" width=\"800\" height=\"400\" \/><\/img><\/p>\n<p>Bruno Crepaldi, Ita&uacute;-Unibanco<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Por&eacute;m, se por um lado a fun&ccedil;&atilde;o de lideran&ccedil;a ajuda a criar estabilidade financeira e autoconfian&ccedil;a para assumir quem voc&ecirc; &eacute;, por outro a hierarquia elevada n&atilde;o blinda os profissionais do preconceito que ainda est&aacute; presente na maioria das organiza&ccedil;&otilde;es. <\/p>\n<p>O pr&oacute;prio M&aacute;rio diz que, embora sempre tenha recebido o suporte da empresa e encontrado um porto seguro no ambiente de trabalho, j&aacute; que possui dificuldades em falar sobre o assunto com a fam&iacute;lia, isso n&atilde;o evitou que passasse por situa&ccedil;&otilde;es de desrespeito. Uma ocasi&atilde;o, em especial, o deixou abalado. <\/p>\n<p>H&aacute; dois anos, enquanto participava de uma a&ccedil;&atilde;o sobre diversidade no refeit&oacute;rio da Siemens, teve de lidar com a homofobia. &ldquo;Pessoas que eu n&atilde;o conhecia me olhavam estranho, faziam coment&aacute;rios entre si e riam&rdquo;, diz. &ldquo;Foi dif&iacute;cil me manter firme mesmo com toda minha seguran&ccedil;a. Por isso, penso em quem n&atilde;o tem a mesma estrutura.&rdquo;<\/p>\n<p>Liderar &eacute; um exerc&iacute;cio quase sempre solit&aacute;rio, que tem uma cobran&ccedil;a elevada e pode, algumas vezes, aumentar o medo de receber cr&iacute;ticas ou ser demitido e perder a carreira de anos. Com isso, alguns homossexuais talvez se retraiam ainda mais quando estiverem numa posi&ccedil;&atilde;o de comando. <\/p>\n<p>Igualmente dentro do movimento LGBTI+, certos p&uacute;blicos t&ecirc;m maior abertura do que outros para se assumir. As mulheres l&eacute;sbicas, por exemplo, ainda n&atilde;o falam t&atilde;o abertamente sobre o tema quanto seus pares homens. <\/p>\n<p>Em uma sondagem rea&shy;lizada por VOC&Ecirc; S\/A nas companhias que comp&otilde;em o F&oacute;rum de Empresas e Direitos LGBTI+, encontramos apenas uma mulher l&eacute;sbica em cargo de lideran&ccedil;a e, mesmo assim, a executiva n&atilde;o se sentiu &agrave; vontade para participar desta reportagem. &ldquo;As l&eacute;sbicas enfrentam a intersec&ccedil;&atilde;o entre homofobia e machismo e &eacute; mais complicado se assumir&rdquo;, diz Ricardo, da Mais Diversidade.<\/p>\n<p>Para ele, o aumento no n&uacute;mero de l&iacute;deres gays que assumem quem s&atilde;o contribui para avan&ccedil;ar a discuss&atilde;o sobre diversidade nas empresas, mas tamb&eacute;m &eacute; um reflexo do trabalho daquelas que criaram pol&iacute;ticas s&eacute;rias e comprometidas com a diversidade. <\/p>\n<p>Trabalho este que precisa continuar para que, em um futuro pr&oacute;ximo, o fato de ser gay deixe de importar.&nbsp; &ldquo;O respeito e o acolhimento j&aacute; deveriam ser argumentos suficientes, mas, para quem n&atilde;o se convence, os n&uacute;meros podem ajudar. <\/p>\n<p>O estudo da OutNow estima, com base em produtividade, <i>turnover<\/i> e processos judiciais, que a homofobia custa 405 milh&otilde;es de d&oacute;lares &agrave; economia brasileira anualmente&rdquo;, diz Ricardo. J&aacute; passou da hora de deixar essa conta para tr&aacute;s, n&atilde;o &eacute; mesmo?<\/p>\n<p><a href='https:\/\/abrilexame.files.wordpress.com\/2019\/04\/251_gay_5.png'><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"aligncenter size-full wp-image-20504\" src=\"http:\/\/blog.corretoraideal.com.br\/wp-content\/uploads\/2019\/04\/imagem20-04-2019-09-04-10.png\" alt=\"imagem20-04-2019-09-04-10\" width=\"800\" height=\"400\" \/><\/img><\/a><\/p>\n<p>Ilustra&ccedil;&otilde;es: Lovatto<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Da esquerda para a direita: Bruno Crepaldi, do Ita&uacute;-Unibanco; M&aacute;rio Ferreira, da Siemens e Miquel Serra Alquezar, da Schneider Electric | &nbsp;(Fotos: Germano L&uuml;ders, montagem e tratamento: Eduardo Fraz&atilde;o e Julio Gomes \/\/VOC&Ecirc; S\/A) Durante uma d&eacute;cada, o gerente jur&iacute;dico do banco Ita&uacute;, Bruno Crepaldi, de 35 anos, ocultou sua orienta&ccedil;&atilde;o sexual no trabalho. 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