{"id":21394,"date":"2019-04-28T12:07:52","date_gmt":"2019-04-28T12:07:52","guid":{"rendered":"http:\/\/blog.corretoraideal.com.br\/cca_post-2\/"},"modified":"2019-04-28T12:07:52","modified_gmt":"2019-04-28T12:07:52","slug":"conheca-a-cutelaria-a-arte-de-transformar-aco-em-faca-canivete-e-outras-laminas-globo-rural-g1","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/blog.corretoraideal.com.br\/index.php\/2019\/04\/28\/conheca-a-cutelaria-a-arte-de-transformar-aco-em-faca-canivete-e-outras-laminas-globo-rural-g1\/","title":{"rendered":"Conhe\u00e7a a cutelaria, a arte de transformar a\u00e7o em faca, canivete e outras l\u00e2minas | Globo Rural | G1"},"content":{"rendered":"<p> Quem vive e trabalha no campo sabe da import&acirc;ncia de um canivete, de uma faca amolada ou de um fac&atilde;o de qualidade. A arte de fabricar essas ferramentas &eacute; a chamada cutelaria, uma tradi&ccedil;&atilde;o milenar, que tem adeptos por todo o Brasil. <\/p>\n<p> Forjadas a altas temperaturas e moldadas pelas pancadas de martelo e por olhares precisos, aos poucos, as facas artesanais, feitas de a&ccedil;o, ganham forma. A arte da cutelaria &eacute; uma mistura de for&ccedil;a e delicadeza. <\/p>\n<p> &#8220;A arte come&ccedil;a em uma ideia que voc&ecirc; teve. Voc&ecirc; passa para o papel e do papel vai para as l&acirc;minas&#8221;, conta o cuteleiro Tadeu Aguiar. <\/p>\n<p> Tadeu e os colegas artistas Jorge Rocha e Milton Hoffmann s&atilde;o cuteleiros no Distrito Federal. Bras&iacute;lia tem, desde 2015, o primeiro e &uacute;nico curso de cutelaria em uma universidade brasileira, um dos mais disputados. <\/p>\n<\/p>\n<p>&#8220;A cutelaria &eacute; uma arte da fabrica&ccedil;&atilde;o de ferramentas de corte. O cuteleiro &eacute; um ferreiro especializado na produ&ccedil;&atilde;o de ferramentas de corte&#8221;, define Milton.   <\/p>\n<p> Jorge cria e doma cavalos, e ser ferreiro se tornou uma necessidade ao longo da vida. &#8220;Aprendi, fui correr atr&aacute;s, aprender um pouco de solda. Justamente para fazer um pouquinho de tudo no rancho.&#8221; <\/p>\n<p> No s&iacute;tio, Jorge j&aacute; fez port&otilde;es, tranca de porteiras e cercas. As ferraduras usadas, que iriam para o lixo, viram suporte para chap&eacute;u e botas. &#8220;Gera economia, n&eacute;? Eu evito gastar com m&atilde;o de obra. E essas ferraduras, esse material que eu fa&ccedil;o que &eacute; reciclado, eu vendo, ajuda nas despesas.&#8221; <\/p>\n<p> De ferreiro para cuteleiro foi um pulo. &#8220;&Eacute; uma terapia. Trabalhar com o cavalo j&aacute; &eacute; uma terapia e a cutelaria ajuda mais.&#8221; <\/p>\n<\/p>\n<h2>Arte da reciclagem<\/h2>\n<p> A arte da cutelaria est&aacute; ligada &agrave; reciclagem. Disco de arado usado, um peda&ccedil;o de feixe de molas de caminh&atilde;o e at&eacute; trilho de trem, que seriam jogados no lixo, podem se tornar belas facas. <\/p>\n<p> O a&ccedil;o &eacute; grande protagonista nessa arte, mistura de ferro com carbono. Na cutelaria, o a&ccedil;o ideal deve ter entre 0,6% e 1,2% de carbono. O metal precisa atingir uma temperatura entre 700&deg;C a 1.000 &deg;C. <\/p>\n<p> Para Tadeu, a cutelaria &eacute; uma heran&ccedil;a da fam&iacute;lia, que mora na Zona Sul de Bras&iacute;lia. Hoje, ele vende facas artesanais para o Brasil inteiro, 80% pela internet. &#8220;Eu sempre gostei de faca e, a partir de um certo momento da minha vida, vi que era algo lucrativo para mim e decidi investir nisso&#8221;. <\/p>\n<\/p>\n<p>Al&eacute;m do corte afiado, outro cuidado importante da cutelaria &eacute; com a bainha. &#8220;Eu costumo dizer que a bainha para a faca &eacute; como o vestido para a noiva. Eu nunca vi uma noiva entrar em casamento de cal&ccedil;a jeans e blusa regata&#8221;, diz Tadeu.   <\/p>\n<h2>Cutelaria industrial<\/h2>\n<p> Em Amparo, no interior de SP, surgiu h&aacute; 50 anos uma das mais tradicionais cutelarias do pa&iacute;s. A especialidade deles sempre foi o canivete, uma importante ferramenta para quem mora no campo. <\/p>\n<p> Da f&aacute;brica, que trabalha com chapas de a&ccedil;o, saem todos os anos cerca de 1 milh&atilde;o de canivetes. De quatro modelos iniciais, hoje a fam&iacute;lia tem o registro de mais de 400 tipos de l&acirc;minas. <\/p>\n<p> A produ&ccedil;&atilde;o come&ccedil;a com um rascunho no papel. Depois, os tra&ccedil;os ganham mais precis&atilde;o, c&aacute;lculos e engrenagens no programa de computador. <\/p>\n<\/p>\n<h2>Espada samurai<\/h2>\n<p> &Eacute; dif&iacute;cil mensurar quantos cuteleiros existem hoje no Brasil. H&aacute; pouco tempo, a Sociedade Brasileira dos Cuteleiros tinha 115 associados no pa&iacute;s todo, mas Milton Hoffmann calcula que j&aacute; h&aacute; perto de 200 em Bras&iacute;lia. <\/p>\n<p> Historiadores dizem que essa arte surgiu no in&iacute;cio da civiliza&ccedil;&atilde;o. Os primeiros objetos cortantes foram fabricados com estanho, cobre e o ferro. Com o passar dos s&eacute;culos e o desenvolvimento, eles ganharam novas composi&ccedil;&otilde;es e ficaram mais resistentes. <\/p>\n<p> Um dos itens mais tradicionais da cutelaria s&atilde;o as espadas samurais. Silvio Kimura &eacute; especialista nessa arma japonesa e conta por que elas s&atilde;o t&atilde;o cobi&ccedil;adas. <\/p>\n<p> &#8220;Se a gente levar em considera&ccedil;&atilde;o que elas s&atilde;o de um per&iacute;odo entre 1.200 e 1.600, v&ecirc; que elas sobreviveram &agrave; guerra desse per&iacute;odo. E levava muito tempo para fabricar uma espada, ent&atilde;o n&atilde;o era qualquer samurai que conseguia ter uma dessa qualidade. As que sobreviveram at&eacute; hoje s&atilde;o cobi&ccedil;adas n&atilde;o s&oacute; pelo fato de terem a grande qualidade, como pelo fato de serem raras tamb&eacute;m.&#8221; <\/p>\n<p> Mas &eacute; uma paix&atilde;o para poucos. Kimura tem uma avaliada em R$ 40 mil, por exemplo. <\/p>\n<ul><\/ul>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Quem vive e trabalha no campo sabe da import&acirc;ncia de um canivete, de uma faca amolada ou de um fac&atilde;o de qualidade. A arte de fabricar essas ferramentas &eacute; a chamada cutelaria, uma tradi&ccedil;&atilde;o milenar, que tem adeptos por todo o Brasil. 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