{"id":49217,"date":"2023-06-12T18:31:12","date_gmt":"2023-06-12T18:31:12","guid":{"rendered":"https:\/\/blog.corretoraideal.com.br\/?p=49217"},"modified":"2023-06-12T18:31:12","modified_gmt":"2023-06-12T18:31:12","slug":"o-casal-que-foi-viajar-com-r-67-e-percorreu-11-mil-km-de-bicicleta-em-6-anos-turismo-e-viagem-g1","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/blog.corretoraideal.com.br\/index.php\/2023\/06\/12\/o-casal-que-foi-viajar-com-r-67-e-percorreu-11-mil-km-de-bicicleta-em-6-anos-turismo-e-viagem-g1\/","title":{"rendered":"O casal que foi viajar com R$ 67 e percorreu 11 mil km de bicicleta em 6 anos | Turismo e Viagem | G1"},"content":{"rendered":"\n<p> Ela era estudante de Arquitetura; ele, de M\u00fasica. Mas ambos tinham uma paix\u00e3o em comum: pedalar. Um hobby que logo viraria um projeto (e estilo) de vida. <\/p>\n<p> A paulista Iris Magalh\u00e3es e o ga\u00facho Djoe Rosa, ambos com 28 anos, j\u00e1 percorreram mais de 11 mil quil\u00f4metros de bicicleta pelo Brasil em seis anos. Uma jornada sem previs\u00e3o de volta, compartilhada em tempo real pelo casal nas redes sociais. <\/p>\n<p> Os dois se conheceram na Universidade de Pelotas, no Rio Grande do Sul, em 2016. E, antes de come\u00e7arem a namorar, fizeram uma viagem de 40 dias de bicicleta pelo Uruguai. <\/p>\n<ul>\n<li><a class href=\"https:\/\/g1.globo.com\/turismo-e-viagem\/noticia\/2023\/06\/11\/o-homem-que-viajou-para-todos-os-paises-do-mundo-sem-pegar-aviao.ghtml\">O homem que viajou para todos os pa\u00edses sem pegar avi\u00e3o<\/a><\/li>\n<li><a class href=\"https:\/\/g1.globo.com\/turismo-e-viagem\/noticia\/2023\/06\/11\/por-que-viajar-de-aviao-esta-tao-caro-no-brasil.ghtml\">Por que viajar de avi\u00e3o est\u00e1 t\u00e3o caro no Brasil<\/a><\/li>\n<\/ul>\n<p> Quando voltaram para a faculdade, engataram o romance. Mas algo havia mudado dentro deles. O sentimento de pertencimento, segundo Iris, n\u00e3o era mais o mesmo. <\/p>\n<p> &quot;Parecia que a sala tinha ficado pequena, e percebi qu\u00e3o jovem eu era. Falei para o Djoe para irmos ao M\u00e9xico de bicicleta. A gente come\u00e7ou a se organizar e amadureceu a ideia&quot;, diz ela \u00e0 BBC News Brasil. <\/p>\n<p> Mas como viajar para outro pa\u00eds sem antes explorar o Brasil? Eles decidiram ent\u00e3o come\u00e7ar a jornada em territ\u00f3rio nacional. <\/p>\n<p> O plano era sair do Sul, onde moravam, e explorar os seis biomas brasileiros. <\/p>\n<p> &quot;A gente, como brasileiro, tinha a mesma vis\u00e3o estereotipada do Brasil e com preconceitos. N\u00e3o cont\u00e1vamos que seria t\u00e3o grande. \u00c9 um pa\u00eds extremamente diverso.&quot; <\/p>\n<p>         2 de 13&#013;O casal come\u00e7ou a se preparar financeiramente para a viagem vendendo brigadeiros na faculdade \u2014 Foto: ARQUIVO PESSOAL    <\/p>\n<p> O casal come\u00e7ou a se preparar financeiramente para a viagem vendendo brigadeiros na faculdade \u2014 Foto: ARQUIVO PESSOAL <\/p>\n<p> Para se preparar financeiramente para a empreitada, os dois come\u00e7aram a vender brigadeiro na faculdade. <\/p>\n<p> Antes de qualquer coisa, eles precisaram adquirir bicicletas novas, uma vez que as que eles usavam para se locomover haviam sido roubadas no meio do processo. <\/p>\n<p> &quot;(Na) minha bicicleta, paguei R$ 50. \u00c9 um modelo de 98, e \u00e9 daquelas de comprar p\u00e3o na esquina. Comprei de um amigo e fui montando com outras pe\u00e7as. No fim das contas, deve ter custado tudo uns R$ 700&quot;, relembra Djoe. <\/p>\n<p> J\u00e1 Iris conseguiu uma bicicleta nova por meio de doa\u00e7\u00e3o. &quot;Fiz um post no Facebook falando do roubo, e um colega me ofereceu. Fui ver a bicicleta e sa\u00ed pedalando.&quot; <\/p>\n<p> Com as bicicletas novas em m\u00e3os, eles colocaram na balan\u00e7a o que seria mais importante para uma viagem longa e de baixo custo. Decidiram investir ent\u00e3o em uma boa barraca e em uma c\u00e2mera de aventura barata para documentar a jornada. <\/p>\n<p>         3 de 13&#013;Primeiros dias da viagem em Guapor\u00e9, no Rio Grande do Sul, em 2017 \u2014 Foto: ARQUIVO PESSOAL    <\/p>\n<p> Primeiros dias da viagem em Guapor\u00e9, no Rio Grande do Sul, em 2017 \u2014 Foto: ARQUIVO PESSOAL <\/p>\n<p><h2>Partida com R$ 67 no bolso<\/h2>\n<\/p>\n<p> Em fevereiro de 2017, os dois deixaram a universidade para tr\u00e1s para embarcar na aventura. <\/p>\n<p> Sa\u00edram de bicicleta de Pelotas, no Rio Grande do Sul, e foram subindo em dire\u00e7\u00e3o \u00e0 Serra Ga\u00facha, passando pelas regi\u00f5es dos c\u00e2nions, pelo litoral de Santa Catarina, at\u00e9 chegar a cidades do Sudeste. <\/p>\n<p> Como grande parte do dinheiro que eles juntaram havia sido usado na compra dos equipamentos e acess\u00f3rios para a viagem, o casal iniciou a jornada com pouco mais de R$ 50. <\/p>\n<p> &quot;Sa\u00ed com R$ 17 no bolso, e a Iris, com R$ 50&quot;, relembra Djoe. <\/p>\n<p> Eles dizem que a quantia foi suficiente no in\u00edcio. Isso porque, para se capitalizar, os dois faziam apresenta\u00e7\u00f5es de m\u00fasica nas cidades que paravam \u2014 Djoe no viol\u00e3o, e Iris no pandeiro. <\/p>\n<p>         4 de 13&#013;O casal investiu em uma boa barraca, fotografada aqui enquanto acampavam em Trancoso, na Bahia, em 2022 \u2014 Foto: ARQUIVO PESSOAL    <\/p>\n<p> O casal investiu em uma boa barraca, fotografada aqui enquanto acampavam em Trancoso, na Bahia, em 2022 \u2014 Foto: ARQUIVO PESSOAL <\/p>\n<p> Naquela \u00e9poca, seis anos atr\u00e1s, eles contam que gastavam apenas R$ 300 por m\u00eas \u2014 a despesa maior, segundo eles, era com alimenta\u00e7\u00e3o. <\/p>\n<p> Isso s\u00f3 foi poss\u00edvel pelo modo de vida simples e minimalista que adotaram, dizem. <\/p>\n<p> &quot;A gente cozinha nossa pr\u00f3pria comida. Dorme na beira de rio, em postos de gasolina, faz voluntariado, fica hospedado na casa das pessoas&quot;, afirma Iris. <\/p>\n<p> Hoje, o gasto mensal do casal aumentou \u2014 mas, de acordo com eles, as principais despesas continuam a ser com alimenta\u00e7\u00e3o e manuten\u00e7\u00e3o das bicicletas. <\/p>\n<p> &quot;Atualmente, gira em torno de R$ 1.500 a R$ 2.000 (por m\u00eas)&quot;, afirmam. <\/p>\n<p> Para se manter, al\u00e9m das apresenta\u00e7\u00f5es musicais, o casal j\u00e1 fez capinagem, bico de gar\u00e7om e vendeu brigadeiro. <\/p>\n<p>         5 de 13&#013;Para economizar, eles costumam preparar sua pr\u00f3pria comida \u2014 foto em Mogiqui\u00e7aba, na Bahia, em 2022 \u2014 Foto: ARQUIVO PESSOAL    <\/p>\n<p> Para economizar, eles costumam preparar sua pr\u00f3pria comida \u2014 foto em Mogiqui\u00e7aba, na Bahia, em 2022 \u2014 Foto: ARQUIVO PESSOAL <\/p>\n<p> Com o passar do tempo, eles viram necessidade de profissionalizar a produ\u00e7\u00e3o audiovisual para as redes sociais. E decidiram investir em equipamentos novos. <\/p>\n<p> &quot;No come\u00e7o da viagem, a gente s\u00f3 tinha um celular velho da Iris e uma &#x27;Go Pobre&#x27; (c\u00e2mera de aventura barata)&quot;, lembra Djoe. <\/p>\n<p> Para isso, eles contam que trabalharam oito horas por dia em uma fazenda em Bras\u00edlia durante um m\u00eas. <\/p>\n<p> Iris trabalhava como camareira no hotel da fazenda, enquanto Djoe fazia servi\u00e7os gerais na agrofloresta. Nos finais de semana, Djoe ainda tocava no restaurante da fazenda, e os dois tamb\u00e9m faziam apresenta\u00e7\u00f5es musicais em Bras\u00edlia. Como tinham direito a alimenta\u00e7\u00e3o e moradia na fazenda, dizem que o gasto deles era praticamente zero. <\/p>\n<p>         6 de 13&#013;O casal chegou a trabahar como volunt\u00e1rio em bioconstru\u00e7\u00e3o em Alto Para\u00edso de Goi\u00e1s em 2019 \u2014 Foto: ARQUIVO PESSOAL    <\/p>\n<p> O casal chegou a trabahar como volunt\u00e1rio em bioconstru\u00e7\u00e3o em Alto Para\u00edso de Goi\u00e1s em 2019 \u2014 Foto: ARQUIVO PESSOAL <\/p>\n<p> Depois de juntar dinheiro, foram at\u00e9 o Paraguai comprar c\u00e2meras mais modernas. <\/p>\n<p> O investimento deu retorno. Desde 2020, eles ganham dinheiro com o canal do Youtube, que come\u00e7ou a ser monetizado ap\u00f3s tr\u00eas anos de postagens. <\/p>\n<p> Tamb\u00e9m promovem campanhas de financiamento coletivo e t\u00eam uma loja virtual na qual vendem adesivos e camisetas do projeto. <\/p>\n<p><h2>Dia a dia na estrada<\/h2>\n<\/p>\n<p> Os desafios, no entanto, v\u00e3o muito al\u00e9m da quest\u00e3o financeira. O casal conta que ao se deslocar pedala, em m\u00e9dia, 60 quil\u00f4metros por dia \u2014 e \u00e9 preciso ter muita disposi\u00e7\u00e3o. <\/p>\n<p> Para facilitar a jornada, eles utilizam equipamentos pr\u00f3prios para ciclismo. <\/p>\n<p> &quot;Usamos alforges, que s\u00e3o bolsas para bagagem. N\u00e3o vai nada no nosso corpo, e isso facilita a distribui\u00e7\u00e3o do peso. \u00c9 muito menos desgastante&quot;, explica Djoe. <\/p>\n<p> A alimenta\u00e7\u00e3o tamb\u00e9m \u00e9 estrat\u00e9gica. Como s\u00e3o vegetarianos, eles investem em uma dieta rica em frutas e legumes. <\/p>\n<p> E, para n\u00e3o carregar muito peso extra, contam que levam apenas a quantidade necess\u00e1ria \u2014 al\u00e9m de adotar t\u00e9cnicas para evitar que a comida estrague. <\/p>\n<p> &quot;A gente carrega a comida em peda\u00e7os de panos para n\u00e3o acelerar o processo de decomposi\u00e7\u00e3o. Preparamos sandu\u00edche com tomate, pasta de amendoim e, no fim do dia, a gente vai ao mercado e compra comida suficiente para viver uns dois dias.&quot; <\/p>\n<p>         7 de 13&#013;A seguran\u00e7a tamb\u00e9m \u00e9 pensada cuidadosamente. Eles costumam dormir em postos de gasolina ou pedem para montar a barraca no quintal de moradores locais. Segundo eles, tem muita gente desconfiada, principalmente nas cidades grandes, mas a maioria estende a m\u00e3o aos cicloviajantes. \u2014 Foto: ARQUIVO PESSOAL    <\/p>\n<p> A seguran\u00e7a tamb\u00e9m \u00e9 pensada cuidadosamente. Eles costumam dormir em postos de gasolina ou pedem para montar a barraca no quintal de moradores locais. Segundo eles, tem muita gente desconfiada, principalmente nas cidades grandes, mas a maioria estende a m\u00e3o aos cicloviajantes. \u2014 Foto: ARQUIVO PESSOAL <\/p>\n<p> A seguran\u00e7a tamb\u00e9m \u00e9 pensada cuidadosamente. Eles costumam dormir em postos de gasolina ou pedem para montar a barraca no quintal de moradores locais. Segundo eles, tem muita gente desconfiada, principalmente nas cidades grandes, mas a maioria estende a m\u00e3o aos cicloviajantes. <\/p>\n<p> E h\u00e1 gratas surpresas no meio do caminho: <\/p>\n<p> &quot;Uma vez, est\u00e1vamos pedalando, e uma mulher passou buzinando de carro nos chamando para tomar caf\u00e9 na casa dela. N\u00f3s a seguimos, fomos at\u00e9 l\u00e1, tomamos caf\u00e9, depois fomos embora&quot;, relembra Iris. <\/p>\n<p> E como faz para tomar banho? Na maioria das vezes, eles tomam banho em postos de gasolina. Mas nem sempre da forma tradicional \u2014 eles contam que, \u00e0s vezes, precisam usar len\u00e7o umedecido, e j\u00e1 chegaram a tomar banho de caneca e regador. <\/p>\n<p> H\u00e1 seis anos na estrada, o casal j\u00e1 pedalou pouco mais de 11 mil quil\u00f4metros, passando por 17 estados brasileiros. <\/p>\n<p> Inicialmente, eles passavam meses em uma determinada cidade, mas essa estrat\u00e9gia estava estendendo demais a viagem. <\/p>\n<p> Agora, o tempo de perman\u00eancia varia de alguns dias a semanas, de acordo com as atra\u00e7\u00f5es locais e o interesse de cada um. <\/p>\n<p> No momento desta reportagem, eles estavam em Porto Velho, Rond\u00f4nia, e faltava conhecer apenas um bioma da lista: o Pantanal. <\/p>\n<p><h2>O maior desafio \u2014 pedalar no &#x27;deserto&#x27;<\/h2>\n<\/p>\n<p> Ao longo desta jornada, eles j\u00e1 viveram muitas aventuras. E se voc\u00ea perguntar qual foi o trecho mais desafiador do trajeto, eles n\u00e3o v\u00e3o pensar duas vezes: o Jalap\u00e3o, no estado do Tocantins. <\/p>\n<p> &quot;Chamam (o Jalap\u00e3o) de \u2018deserto das \u00e1guas\u2019, e explorar de bicicleta era quase uma loucura. 100% das pessoas diziam que a gente era doido e que \u00edamos morrer&quot;, relembra Djoe. <\/p>\n<p> Eles sa\u00edram do Distrito Federal com destino ao Jalap\u00e3o em 2019. No trajeto entre as cidades de Ponte Alta do Tocantins e Mateiros, foram 210 quil\u00f4metros sem praticamente nenhuma estrutura para parada. Era poss\u00edvel avistar somente alguns moradores locais no caminho. <\/p>\n<p>         8 de 13&#013;Trecho da estrada &#039;sem fim&#039; entre Ponte Alta do Tocantins e Mateiros \u2014 Foto: ARQUIVO PESSOAL    <\/p>\n<p> Trecho da estrada &#039;sem fim&#039; entre Ponte Alta do Tocantins e Mateiros \u2014 Foto: ARQUIVO PESSOAL <\/p>\n<p> Como era \u00e9poca de seca, eles enfrentaram temperaturas elevadas \u2014 com sensa\u00e7\u00e3o t\u00e9rmica de at\u00e9 50 graus pela manh\u00e3. <\/p>\n<p> E se hidratar n\u00e3o era nada f\u00e1cil. Eles contam que muitas vezes tinham que percorrer 50 quil\u00f4metros at\u00e9 encontrar uma fonte de \u00e1gua. Mas, \u00e0s vezes, davam sorte de contar com a generosidade de guias de turismo que passavam de carro. <\/p>\n<p> &quot;Foi a galera do turismo que nos deu apoio. E, inclusive, teve um guia que nos deixou comida.&quot; <\/p>\n<p> Mas o mais desafiador, segundo o casal, era pedalar naquele terreno. Eles tiveram que descer das bikes. <\/p>\n<p> &quot;A gente empurrava as bicicletas e demorava quatro horas para andar tr\u00eas quil\u00f4metros.&quot; <\/p>\n<p>         9 de 13&#013;Descanso \u00e0 sombra das bicicletas no Jalap\u00e3o \u2014 Foto: ARQUIVO PESSOAL    <\/p>\n<p> Descanso \u00e0 sombra das bicicletas no Jalap\u00e3o \u2014 Foto: ARQUIVO PESSOAL <\/p>\n<p> Quando chegavam na casa de moradores locais, ouviam at\u00e9 que deviam jogar as bicicletas fora porque iriam atrapalhar a travessia. <\/p>\n<p> Eles lembram, no entanto, que tamb\u00e9m conseguiram caronas inesperadas ao longo do trajeto. <\/p>\n<p> Foram 40 dias nessa regi\u00e3o do pa\u00eds. E, mesmo com a dificuldade para pedalar, o casal diz que se sentiu completo. <\/p>\n<p> &quot;A gente estava t\u00e3o feliz, as pessoas foram t\u00e3o incr\u00edveis. A paisagem \u00e9 muito bonita, uma estrada longa de areia e nada dos dois lados. V\u00e1rias vezes a gente estava l\u00e1, montava a barraca, e \u00e0 noite n\u00e3o passava ningu\u00e9m&quot;, relembram. <\/p>\n<p><h2>Outros perrengues (e perigos) na estrada<\/h2>\n<\/p>\n<p>         10 de 13&#013;Visitando as forma\u00e7\u00f5es rochosas no Vale do Catimbau, em Pernambuco, em 2022 \u2014 Foto: ARQUIVO PESSOAL    <\/p>\n<p> Visitando as forma\u00e7\u00f5es rochosas no Vale do Catimbau, em Pernambuco, em 2022 \u2014 Foto: ARQUIVO PESSOAL <\/p>\n<p> Esse n\u00e3o foi \u00fanico perrengue que eles passaram. Embora o clima possa ser, na opini\u00e3o deles, um dos principais contratempos. <\/p>\n<p> Eles lembram que pedalar na chuva tamb\u00e9m \u00e9 complicado \u2014 e n\u00e3o \u00e9 considerado t\u00e3o seguro. E, \u00e0s vezes, as condi\u00e7\u00f5es meteorol\u00f3gicas se somam a imprevistos, como um pneu furado. <\/p>\n<p> &quot;No estado de S\u00e3o Paulo, estava chovendo muito uma vez, e o pneu da bicicleta da Iris estourou, e eu tive que ficar literalmente protegendo com o guarda-chuva enquanto ela consertava o pneu. \u00c9 doideira.&quot; <\/p>\n<p> Outra vez, sob um sol forte no sert\u00e3o do Rio Grande do Norte, o pneu da bicicleta de Iris estourou oito vezes \u2014 eles lembram que estavam muito cansados, quase desidratando. Mas n\u00e3o teve outro jeito a n\u00e3o ser consertar. <\/p>\n<p>         11 de 13&#013;Dia de chuva em Minas Gerais em 2018 \u2014 Foto: ARQUIVO PESSOAL    <\/p>\n<p> Dia de chuva em Minas Gerais em 2018 \u2014 Foto: ARQUIVO PESSOAL <\/p>\n<p> Al\u00e9m disso, em muitas rodovias os motoristas de carros e caminh\u00f5es n\u00e3o respeitam os ciclistas. <\/p>\n<p> Uma vez, logo no come\u00e7o da viagem, Iris sofreu um acidente. Ela freou bruscamente enquanto pedalava, e a bicicleta escorregou entre as pedras. Ela bateu a cabe\u00e7a e desmaiou. <\/p>\n<p> Como Djoe j\u00e1 estava um pouco mais \u00e0 frente, ele n\u00e3o viu o que aconteceu. Quando parou, ele contou at\u00e9 100, e como ela n\u00e3o apareceu, come\u00e7ou a voltar. Foi quando se deparou com Iris ca\u00edda na estrada, sendo ajudada por um homem. <\/p>\n<p> &quot;Eu n\u00e3o lembrava das coisas, perguntavam se eu tinha sofrido um acidente, e n\u00e3o lembrava. Minha cabe\u00e7a estava um pouco machucada, e n\u00e3o sabia direito o que tinha acontecido.&quot; <\/p>\n<p> Djoe bateu na porta de um casal de idosos, que inicialmente ficou desconfiado, \u00e0 procura de ajuda: <\/p>\n<p> &quot;Eles pediram para eu levar a Iris at\u00e9 l\u00e1, e eu levei. Eles viram que ela estava machucada e chamaram o SAMU. Ela foi atendida no hospital e deu tudo certo&quot;, relembra Djoe. <\/p>\n<p>         12 de 13&#013;Pneu furado enquanto pedalavam no interior do Rio de Janeiro em 2018 \u2014 Foto: ARQUIVO PESSOAL    <\/p>\n<p> Pneu furado enquanto pedalavam no interior do Rio de Janeiro em 2018 \u2014 Foto: ARQUIVO PESSOAL <\/p>\n<p> No fim das contas, eles acabaram passando quase quatro dias na casa desse casal. <\/p>\n<p> Depois do acidente, no entanto, Iris ficou insegura de voltar para a estrada. <\/p>\n<p> &quot;Nessa \u00e9poca, comecei a questionar se aquilo era para mim, fiquei pensando, pensando. Foi dif\u00edcil, mentalmente falando. Precisei superar aquilo para conseguir seguir pedalando.&quot; <\/p>\n<p> Perrengues e acidentes \u00e0 parte, eles dizem que as paisagens de tirar o f\u00f4lego s\u00e3o sem d\u00favida uma recompensa. Mas afirmam que o que mais os marcou, ao longo desses anos todos de estrada, foram as pessoas. <\/p>\n<p> Eles acreditam que conseguiram ver de perto a pluralidade do Brasil. <\/p>\n<p> &quot;A gente percebeu o qu\u00e3o incr\u00edvel \u00e9 o nosso pa\u00eds, e como de fato \u00e9 nossa terra, nosso povo. Uma hist\u00f3ria sofrida. \u00c9 quase inacredit\u00e1vel que tenha tudo isso de uma vez. O bonito no Brasil \u00e9 a diversidade&quot;, resumem. <\/p>\n<p>         13 de 13&#013;Aventura pela Am\u00e9rica do Sul \u2014 Foto: Aventura pela Am\u00e9rica do Sul    <\/p>\n<p> Aventura pela Am\u00e9rica do Sul \u2014 Foto: Aventura pela Am\u00e9rica do Sul <\/p>\n<p><h2>Aventura pela Am\u00e9rica do Sul<\/h2>\n<\/p>\n<p> Depois de quase seis anos viajando pelo Brasil, Djoe e Iris pretendem seguir para os Andes \u2014 a ideia \u00e9 explorar os pa\u00edses da Am\u00e9rica do Sul a partir do segundo semestre. <\/p>\n<p> O casal quer come\u00e7ar a viagem pela Bol\u00edvia, atravessar para o Peru e depois avan\u00e7ar para o Equador e a Col\u00f4mbia. <\/p>\n<p> Eles est\u00e3o chamando o projeto de &quot;Coragem nos Andes&quot;, uma analogia com o nome do perfil que t\u00eam nas redes sociais \u2014 &quot;Coragem na Bagagem&quot; (@coragemnabagagem). <\/p>\n<p> E lan\u00e7aram uma campanha de financiamento coletivo para ajudar a comprar equipamentos e roupas pr\u00f3prias para baixas temperaturas. <\/p>\n<p> &quot;Essa fase internacional vai demandar equipamentos mais t\u00e9cnicos e roupas apropriadas, que s\u00e3o caras fora do pa\u00eds. Pedalar a 3 mil metros de altitude \u00e9 diferente&quot;, explicam. &quot;Vamos enfrentar um frio extremo.&quot; <\/p>\n<p> O plano deles \u00e9 completar esse roteiro em um ano \u2014 e eles afirmam que n\u00e3o pensam, por enquanto, em voltar ao modo de vida tradicional. <\/p>\n<p> <strong>&#8211; Esta reportagem foi publicada em <\/strong><a class href=\"https:\/\/www.bbc.com\/portuguese\/articles\/c14px5ynzglo\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\"><strong>https:\/\/www.bbc.com\/portuguese\/articles\/c14px5ynzglo<\/strong><\/a> <\/p>\n<p> <strong>LEIA TAMB\u00c9M: <\/strong> <\/p>\n<ul>\n<li><a class href=\"https:\/\/g1.globo.com\/turismo-e-viagem\/noticia\/2023\/06\/11\/barraco-no-aviao-por-que-os-casos-aumentaram-em-2022-e-quais-as-possiveis-consequencias.ghtml\">Barraco no avi\u00e3o: por que os casos aumentaram em 2022 e quais as poss\u00edveis consequ\u00eancias<\/a><\/li>\n<li><a class href=\"https:\/\/g1.globo.com\/turismo-e-viagem\/noticia\/2023\/06\/04\/com-mais-visitantes-argentinos-numero-de-turistas-sobe-no-brasil.ghtml\">Com mais visitantes argentinos, n\u00famero de turistas sobe no Brasil<\/a><\/li>\n<li><a class href=\"https:\/\/g1.globo.com\/turismo-e-viagem\/noticia\/2023\/06\/03\/cruzeiro-do-neymar-sera-em-navio-luxuoso-com-simulador-de-formula-1-e-toboga-gigante-em-alto-mar.ghtml\">Cruzeiro do Neymar ser\u00e1 em navio luxuoso com simulador de f\u00f3rmula 1 e tobog\u00e3 gigante em alto mar<\/a><\/li>\n<\/ul>\n<ul> <\/ul>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Ela era estudante de Arquitetura; ele, de M\u00fasica. Mas ambos tinham uma paix\u00e3o em comum: pedalar. Um hobby que logo viraria um projeto (e estilo) de vida. A paulista Iris Magalh\u00e3es e o ga\u00facho Djoe Rosa, ambos com 28 anos, j\u00e1 percorreram mais de 11 mil quil\u00f4metros de bicicleta pelo Brasil em seis anos. Uma [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[],"tags":[],"class_list":["post-49217","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/blog.corretoraideal.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/49217","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/blog.corretoraideal.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/blog.corretoraideal.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/blog.corretoraideal.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/blog.corretoraideal.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=49217"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/blog.corretoraideal.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/49217\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":49219,"href":"https:\/\/blog.corretoraideal.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/49217\/revisions\/49219"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/blog.corretoraideal.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=49217"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/blog.corretoraideal.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=49217"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/blog.corretoraideal.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=49217"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}