{"id":49757,"date":"2023-06-26T03:30:55","date_gmt":"2023-06-26T03:30:55","guid":{"rendered":"https:\/\/blog.corretoraideal.com.br\/?p=49757"},"modified":"2023-06-26T03:30:55","modified_gmt":"2023-06-26T03:30:55","slug":"dois-em-cada-tres-domicilios-chefiados-por-negros-sofrem-com-inseguranca-alimentar-diz-estudo-economia-g1","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/blog.corretoraideal.com.br\/index.php\/2023\/06\/26\/dois-em-cada-tres-domicilios-chefiados-por-negros-sofrem-com-inseguranca-alimentar-diz-estudo-economia-g1\/","title":{"rendered":"Dois em cada tr\u00eas domic\u00edlios chefiados por negros sofrem com inseguran\u00e7a alimentar, diz estudo | Economia | G1"},"content":{"rendered":"\n<p> Mais de 60% dos lares chefiados por pessoas autodeclaradas pardas e pretas, o que se aglutina em ra\u00e7a negra, sofre com algum tipo de inseguran\u00e7a alimentar no Brasil. <\/p>\n<p> Esse corte de ra\u00e7a teve o desempenho de mais vulnerabilidade alimentar no pa\u00eds, como mostrou o Inqu\u00e9rito Nacional sobre Inseguran\u00e7a Alimentar no Contexto da Pandemia da Covid-19 no Brasil (VIGISAN), pesquisa da Rede Brasileira de Pesquisa em Soberania e Seguran\u00e7a Alimentar e Nutricional (Rede PENSSAN), divulgado nesta segunda-feira (26). <\/p>\n<p> Pelos crit\u00e9rios da pesquisa, um domic\u00edlio com Seguran\u00e7a Alimentar (SA, pela sigla usada pelos pesquisadores) \u00e9 aquele com acesso regular e permanente a alimentos de qualidade, em quantidade suficiente e sem comprometer o acesso a outras necessidades essenciais. <\/p>\n<p> No lado oposto, a Inseguran\u00e7a Alimentar (na sigla, IA) foi dividida em tr\u00eas esferas de intensidade, que v\u00e3o de leve a grave, e uma extra que junta os piores tipos de vulnerabilidade. <\/p>\n<ul>\n<li><strong>IA leve:<\/strong> engloba preocupa\u00e7\u00e3o ou incerteza em rela\u00e7\u00e3o ao acesso aos alimentos no futuro pr\u00f3ximo, qualidade inadequada dos alimentos para n\u00e3o reduzir quantidade. <\/li>\n<li><strong>IA moderada:<\/strong> engloba casos de redu\u00e7\u00e3o quantitativa de alimentos e\/ou ruptura nos padr\u00f5es de alimenta\u00e7\u00e3o por falta de alimentos no domic\u00edlio. <\/li>\n<li><strong>IA grave:<\/strong> realidade de fome, de n\u00e3o comer por falta de dinheiro, de fazer apenas uma refei\u00e7\u00e3o ao dia ou ficar o dia inteiro sem comer.<\/li>\n<li><strong>IA moderada + grave:<\/strong> considera as formas mais severas de IA na mesma categoria, com restri\u00e7\u00e3o moderada ou grave aos alimentos; junta domic\u00edlios com qualidade da alimenta\u00e7\u00e3o e quantidade de alimentos comprometidos, e os que est\u00e3o enfrentando a fome.<\/li>\n<\/ul>\n<p>\u201cA IA moderada + grave foi encontrada em 34,4% dos lares chefiados por pessoa parda e em 39,1% daqueles onde uma pessoa preta era a refer\u00eancia\u201d, diz o relat\u00f3rio.<\/p>\n<p> A IA grave, que pode ser traduzida em fome, foi mais frequente em lares chefiados por pessoas pretas (20,6%), seguidas de pardos (17%) e brancos (10,6%). <\/p>\n<p> A pesquisa realizou entrevistas presenciais, entre novembro de 2021 e abril de 2022, com 12.745 domic\u00edlios de 577 munic\u00edpios brasileiros. Foram contempladas \u00e1reas urbanas e rurais de todas as regi\u00f5es do pa\u00eds. <\/p>\n<p> Cada um dos domic\u00edlios recebeu uma pontua\u00e7\u00e3o de acordo com o n\u00famero de respostas afirmativas para problemas na rotina alimentar. Foram classificados com boas condi\u00e7\u00f5es de Seguran\u00e7a Alimentar os domic\u00edlios que zerassem o question\u00e1rio. O n\u00edvel de Inseguran\u00e7a Alimentar foi definido por um placar de 1 a 8. <\/p>\n<p><h2>Corte de g\u00eanero agrava a situa\u00e7\u00e3o<\/h2>\n<\/p>\n<p> A situa\u00e7\u00e3o \u00e9 mais grave entre as mulheres negras: apenas 30,1% dos domic\u00edlios chefiados por elas n\u00e3o sofrem com algum tipo de Inseguran\u00e7a Alimentar no Brasil. <\/p>\n<p> Depois das mulheres negras, os domic\u00edlios chefiados por homens negros v\u00eam a seguir como os mais vulner\u00e1veis (39,7% de Seguran\u00e7a Alimentar). Depois, entram as mulheres brancas (47,5%) e homens brancos (58,3%). <\/p>\n<p><h2>Recortes socioecon\u00f4micos<\/h2>\n<\/p>\n<p> A pesquisa tamb\u00e9m aprofunda os dados com segmenta\u00e7\u00f5es socioecon\u00f4micas, como de escolaridade. Os n\u00fameros mostram que, quanto mais comprometidas as vari\u00e1veis, pior o resultado. <\/p>\n<p> Entre as mulheres negras que estudaram menos que 8 anos, o percentual de domic\u00edlios com Seguran\u00e7a Alimentar perde cerca de 7 pontos percentuais em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 m\u00e9dia e cai para apenas 23,8%. <\/p>\n<p> E mesmo que as mulheres negras que chefiam o domic\u00edlio tenham estudado mais do que 8 anos, os resultados s\u00e3o piores do que os demais perfis. O resultado sobe para 36,2%, que ainda representa 10 pontos percentuais a menos do que os homens negros (46,7%). <\/p>\n<p> Veja abaixo os resultados gerais do quesito. <\/p>\n<p>\u201cNos domic\u00edlios chefiados por pessoas sem escolaridade ou com menos de 8 anos de estudo, destacamos as elevadas preval\u00eancias de IA moderada e grave em lares chefiados por mulheres\u201d, diz o relat\u00f3rio.<\/p>\n<p><h2>Condi\u00e7\u00f5es de trabalho<\/h2>\n<\/p>\n<p> O estudo mostra que a vari\u00e1vel que leva a quest\u00e3o de Seguran\u00e7a Alimentar ao limite \u00e9 a condi\u00e7\u00e3o de emprego do chefe de fam\u00edlia. A dist\u00e2ncia entre desempregados ou trabalhadores informais para aqueles com emprego formal \u00e9 gritante. <\/p>\n<p> Os domic\u00edlios chefiados por mulheres negras do primeiro grupo s\u00f3 t\u00eam Seguran\u00e7a Alimentar em 19,,4% dos casos, enquanto 31,8% t\u00eam Inseguran\u00e7a Alimentar grave. Para aquelas que t\u00eam empregos formais, o percentual de SA sobe para 48,1%, ao mesmo passo que a IA grave \u00e9 reduzida para apenas 9,3%. <\/p>\n<p> E ainda que as mulheres negras com emprego formal persistam com o menor percentual de domic\u00edlios com Seguran\u00e7a Alimentar, a diferen\u00e7a para os demais grupos \u00e9 muito menor: domic\u00edlios de homens negros passam a 50%, de mulheres brancas a 55,9% e homens brancos, 65,5%. <\/p>\n<p>\u201cFam\u00edlias chefiadas por pessoas negras e em situa\u00e7\u00e3o de trabalho informal ou desemprego, comparadas com aquelas chefiadas por pessoas brancas na mesma condi\u00e7\u00e3o, apresentavam preval\u00eancia mais elevada de IA moderada e grave e inferior de SA\u201d, diz o relat\u00f3rio.<\/p>\n<p> J\u00e1 o desemprego de algum dos membros da fam\u00edlia j\u00e1 traz impactos significativos. No extrato mais baixo de renda, de at\u00e9 meio sal\u00e1rio m\u00ednimo per capita, os domic\u00edlios chefiados por brancos t\u00eam uma redu\u00e7\u00e3o de 22,3% para 18,4% em Seguran\u00e7a Alimentar quando se compara uma situa\u00e7\u00e3o em que n\u00e3o h\u00e1 desempregados contra ao menos um desempregado na fam\u00edlia. <\/p>\n<p> Entre os negros, o indicador passa de 17,3% para 11, 6%. E a Inseguran\u00e7a Alimentar moderada + grave sobe de 54,7% para 69%. <\/p>\n<ul> <\/ul>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Mais de 60% dos lares chefiados por pessoas autodeclaradas pardas e pretas, o que se aglutina em ra\u00e7a negra, sofre com algum tipo de inseguran\u00e7a alimentar no Brasil. 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