{"id":51023,"date":"2023-07-22T19:29:42","date_gmt":"2023-07-22T19:29:42","guid":{"rendered":"https:\/\/blog.corretoraideal.com.br\/?p=51023"},"modified":"2023-07-22T19:29:42","modified_gmt":"2023-07-22T19:29:42","slug":"brasil-teve-mais-de-30-mil-denuncias-de-mulheres-vitimas-de-violencia-domestica-no-campo-em-2022-agronegocios-g1","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/blog.corretoraideal.com.br\/index.php\/2023\/07\/22\/brasil-teve-mais-de-30-mil-denuncias-de-mulheres-vitimas-de-violencia-domestica-no-campo-em-2022-agronegocios-g1\/","title":{"rendered":"Brasil teve mais de 30 mil den\u00fancias de mulheres v\u00edtimas de viol\u00eancia dom\u00e9stica no campo em 2022 | Agroneg\u00f3cios | G1"},"content":{"rendered":"\n<p> Em 2022, o Brasil teve pelo menos<strong> 32.448 den\u00fancias <\/strong>de mulheres que foram v\u00edtimas de viol\u00eancia dom\u00e9stica e familiar em zonas rurais, aponta levantamento exclusivo feito pelo <a class href=\"https:\/\/g1.globo.com\/\"><strong>g1<\/strong><\/a>, com dados de Secretarias de Seguran\u00e7a P\u00fablica dos estados e Distrito Federal (DF). <\/p>\n<p> Os n\u00fameros, no entanto, devem ser bem maiores. Primeiro porque<strong> nem todos os estados especificam, no Boletim de Ocorr\u00eancia, que os crimes ocorreram em \u00e1rea rural. <\/strong>E as formas de organizar os dados variam (veja abaixo). <\/p>\n<p> Outro problema \u00e9 que, &quot;nas \u00e1reas rurais, h\u00e1 uma subnotifica\u00e7\u00e3o absurda dos casos de viol\u00eancia dom\u00e9stica&quot;, destaca a pesquisadora e policial militar Juliana Lemes da Cruz, que \u00e9 conselheira do F\u00f3rum Brasileiro de Seguran\u00e7a P\u00fablica (FBSP) e estuda o tema no Vale do Mucuri, no nordeste de Minas Gerais. <\/p>\n<p> Isolamento, vergonha, dist\u00e2ncia de servi\u00e7os de sa\u00fade e seguran\u00e7a e medo de denunciar s\u00e3o alguns dos fatores que desincentivam as v\u00edtimas a buscar ajuda, afirma Juliana. <\/p>\n<p> <strong>Confira a seguir as den\u00fancias de viol\u00eancia contra mulher no campo por estado.<\/strong> <\/p>\n<p><h2><strong>Como os dados foram obtidos<\/strong><\/h2>\n<\/p>\n<p> Para obter os dados, o <a class href=\"https:\/\/g1.globo.com\/\"><strong>g1 <\/strong><\/a>solicitou, via Lei de Acesso \u00e0 Informa\u00e7\u00e3o (LAI), os registros de Boletins Ocorr\u00eancia (BOs) enquadrados nos crimes da Lei Maria da Penha (Lei n\u00ba 11.340\/2006), que aconteceram entre 2006 e 2022, em zonas rurais dos munic\u00edpios. <\/p>\n<p> Os estados que enviaram os dados selecionaram recortes de tempo distintos entre si. O que tinha em comum entre eles eram apenas as informa\u00e7\u00f5es de 2022. Por causa disso, o <strong>gr\u00e1fico acima tem somente os registros policiais do ano passado.<\/strong> <\/p>\n<p> Outro obst\u00e1culo \u00e9 que cada estado tem uma forma distinta de organizar as informa\u00e7\u00f5es dos Boletins de Ocorr\u00eancia. Nem todos utilizam o termo &quot;zona rural&quot; para especificar que o crime ocorreu no campo. Alguns usam o termo &quot;interior&quot;, por exemplo. <\/p>\n<ul>\n<li><a class href=\"https:\/\/g1.globo.com\/economia\/agronegocios\/noticia\/2023\/07\/22\/saiba-como-denunciar-violencia-domestica.ghtml\">Como denunciar viol\u00eancia dom\u00e9stica<\/a><\/li>\n<\/ul>\n<p> Para criar uma padroniza\u00e7\u00e3o, o<strong> <\/strong><a class href=\"https:\/\/g1.globo.com\/\"><strong>g1<\/strong><\/a> <strong>somou apenas os dados dos estados que utilizam o termo &quot;zona rural&quot;.<\/strong> <\/p>\n<p> Veja a seguir a situa\u00e7\u00e3o dos 26 estados mais o Distrito Federal (DF). <\/p>\n<ul>\n<li><strong>Separam os BOs por zona rural (12): <\/strong>Bahia, Esp\u00edrito Santo, Goi\u00e1s, Mato Grosso do Sul, Minas Gerais, Par\u00e1, Paran\u00e1, Rio Grande do Norte, Rio Grande do Sul, Roraima, S\u00e3o Paulo e Tocantins; <\/li>\n<li><strong>N\u00e3o separam (5): <\/strong>Alagoas, Distrito Federal, Mato Grosso, Rio de Janeiro, Santa Catarina; <\/li>\n<li><strong>N\u00e3o responderam (7): <\/strong>Acre, Amap\u00e1, Maranh\u00e3o, Para\u00edba, Piau\u00ed, Rond\u00f4nia e Sergipe; <\/li>\n<li><strong>Amazonas<\/strong> selecionou os BOs de todos os munic\u00edpios, menos os da capital Manaus; <\/li>\n<li><strong>Cear\u00e1<\/strong> organiza os dados de crimes rurais por Interior Sul e Interior Norte do estado; <\/li>\n<li><strong>Pernambuco<\/strong> tamb\u00e9m separa os registros rurais por interior, levando em considera\u00e7\u00e3o o agreste, o sert\u00e3o e a zona da mata. <\/li>\n<\/ul>\n<p> O <a class href=\"https:\/\/g1.globo.com\/\"><strong>g1<\/strong><\/a><strong> <\/strong>conversou com tr\u00eas moradoras de \u00e1reas rurais v\u00edtimas de viol\u00eancia dom\u00e9stica, que relataram os motivos que dificultaram a den\u00fancia e o rompimento com o ciclo de viol\u00eancia (<a class href=\"https:\/\/g1.globo.com\/economia\/agronegocios\/noticia\/2023\/07\/22\/violencia-domestica-no-campo-isolamento-longas-distancias-vergonha-o-que-impede-mulheres-de-denunciar-e-receber-atendimento.ghtml\">conhe\u00e7a as hist\u00f3rias aqui<\/a>). <\/p>\n<p> Estes v\u00e3o desde \u00e0 falta de apoio familiar e institucional (governos, ONGs, etc), passando por depend\u00eancia financeira, longas dist\u00e2ncias para chegar nas delegacias e, principalmente, medo de a den\u00fancia n\u00e3o dar em nada. <\/p>\n<p> Muitas mulheres, inclusive, desconhecem que sofrem viol\u00eancia, diz Juliana, do FBSP, que fundou em 2018 o projeto Mulher Livre de Viol\u00eancia (MLV), que leva informa\u00e7\u00f5es sobre a Lei Maria da Penha a \u00e1reas rurais de Minas Gerais. <\/p>\n<p>\u201cA gente viu, nos encontros [do MLV], que muitas mulheres das zonas rurais n\u00e3o entendiam o que era a viol\u00eancia psicol\u00f3gica, moral e patrimonial, por exemplo. Muitas n\u00e3o associavam com uma agress\u00e3o\u201d, diz.<\/p>\n<p> \u201cA viol\u00eancia, em si, acaba sendo mais compreendida quando h\u00e1 uma les\u00e3o corporal\u201d, acrescenta Juliana, que \u00e9 pesquisadora na Universidade Federal Fluminense (UFF). <\/p>\n<p> O MLV parou na pandemia e est\u00e1 retomando, aos poucos, as atividades. <\/p>\n<p> O campo tem outras particularidades. Apesar dos avan\u00e7os nos \u00faltimos anos,<strong> nem todas as \u00e1reas, por exemplo, t\u00eam sinal de internet ou de telefonia fixa<\/strong>, o que dificulta a vida da v\u00edtima na hora de pedir socorro. <\/p>\n<p> Em seus estudos sobre a viol\u00eancia no nordeste de Minas, Juliana fez uma outra constata\u00e7\u00e3o. <\/p>\n<p> Segundo ela, apesar do disque den\u00fancia 190 da Pol\u00edcia Militar ser muito divulgado como um canal para as v\u00edtimas, nem todos os munic\u00edpios t\u00eam postos policiais que recebem, diretamente, as liga\u00e7\u00f5es desse servi\u00e7o. <\/p>\n<p>Dos 60 munic\u00edpios que integram a 15\u00aa Regi\u00e3o Integrada de Seguran\u00e7a P\u00fablica de Minas Gerais (RISP), 78,3% n\u00e3o recebem liga\u00e7\u00f5es diretas do 190. Essas cidades representam metade da popula\u00e7\u00e3o da regi\u00e3o, diz Juliana.<\/p>\n<p> &quot;Sendo assim, dificilmente as campanhas que destacam t\u00e3o somente o acionamento do &#x27;Disque 190&#x27; ter\u00e3o o sucesso almejado. Essa linguagem ser\u00e1 rapidamente identificada pelas mulheres como: &#x27;esse servi\u00e7o n\u00e3o \u00e9 para mim&#x27;&quot;, afirmou a pesquisadora, em um dos seus artigos. <\/p>\n<p> Ela explica que uma pessoa que mora em um local sem 190, ao acionar o Disque Den\u00fancia, ter\u00e1 a sua liga\u00e7\u00e3o transferida para a cidade mais pr\u00f3xima. &quot;E essa central vai precisar ligar para o policial que est\u00e1 trabalhando [no munic\u00edpio da v\u00edtima] no dia. H\u00e1, nesse caso, uma demora para a v\u00edtima ser atendida&quot;, ressalta. <\/p>\n<p><h2>O que diz o governo federal<\/h2>\n<\/p>\n<p> O<a class href=\"https:\/\/g1.globo.com\/\"><strong> g1 <\/strong><\/a>entrou em contato com o Minist\u00e9rio das Mulheres para saber se o governo tem algum plano para dar suporte \u00e0s v\u00edtimas de viol\u00eancia dom\u00e9stica e familiar no campo. <\/p>\n<p> Em resposta, o \u00f3rg\u00e3o afirmou que est\u00e1 retomando o Programa Mulher Viver sem Viol\u00eancia, que funcionou at\u00e9 2016, oferecendo, por meio de unidade m\u00f3veis, atendimento especializado em sa\u00fade, seguran\u00e7a p\u00fablica, justi\u00e7a, assist\u00eancia social e autonomia financeira. <\/p>\n<p> &quot;At\u00e9 2016, o Programa Mulher Viver sem Viol\u00eancia distribuiu cerca de 60 unidades m\u00f3veis para as capitais dos estados e DF com o objetivo de atender mulheres v\u00edtimas de viol\u00eancia em \u00e1reas rurais e de floresta&quot; <\/p>\n<p> &quot;Neste momento, o Minist\u00e9rio das Mulheres est\u00e1 realizando um levantamento dessas unidades m\u00f3veis, a fim de reavaliar as melhores estrat\u00e9gias para levar o atendimento&quot;. <\/p>\n<p><h2>Cr\u00e9ditos do especial viol\u00eancia dom\u00e9stica no campo<\/h2>\n<\/p>\n<ul>\n<li><strong>Coordena\u00e7\u00e3o editorial: <\/strong>Luciana de Oliveira<\/li>\n<li><strong>Reportagem: <\/strong>Paula Salati e Vivian Souza<\/li>\n<li><strong>Coordena\u00e7\u00e3o de arte: <\/strong>Guilherme Gomes<\/li>\n<li><strong>Dire\u00e7\u00e3o de arte e ilustra\u00e7\u00f5es:<\/strong> Luisa Rivas e Veronica Medeiros<\/li>\n<li><strong>Roteiro do v\u00eddeo: <\/strong>Paula Paiva<\/li>\n<li><strong>Edi\u00e7\u00e3o do v\u00eddeo: <\/strong>Marih Oliveira<\/li>\n<\/ul>\n<ul>\n<li> <a href=\"https:\/\/g1.globo.com\/topico\/acre\" class=\"entities__list-itemLink\" data-track-click=\"Acre\"> Acre <\/a> <\/li>\n<li> <a href=\"https:\/\/g1.globo.com\/mg\/triangulo-mineiro\/cidade\/joao-pinheiro\/\" class=\"entities__list-itemLink\" data-track-click=\"Jo\u00e3o Pinheiro\"> Jo\u00e3o Pinheiro <\/a> <\/li>\n<li> <a href=\"https:\/\/g1.globo.com\/mg\/vales-mg\/cidade\/novo-cruzeiro\/\" class=\"entities__list-itemLink\" data-track-click=\"Novo Cruzeiro\"> Novo Cruzeiro <\/a> <\/li>\n<li> <a href=\"https:\/\/g1.globo.com\/ac\/acre\/cidade\/rio-branco\/\" class=\"entities__list-itemLink\" data-track-click=\"Rio Branco\"> Rio Branco <\/a> <\/li>\n<li> <a href=\"https:\/\/g1.globo.com\/mg\/vales-mg\/cidade\/teofilo-otoni\/\" class=\"entities__list-itemLink\" data-track-click=\"Te\u00f3filo Otoni\"> Te\u00f3filo Otoni <\/a> <\/li>\n<li> <a href=\"https:\/\/g1.globo.com\/educacao\/universidade\/ufsm\/\" class=\"entities__list-itemLink\" data-track-click=\"UFSM\"> UFSM <\/a> <\/li>\n<\/ul>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Em 2022, o Brasil teve pelo menos 32.448 den\u00fancias de mulheres que foram v\u00edtimas de viol\u00eancia dom\u00e9stica e familiar em zonas rurais, aponta levantamento exclusivo feito pelo g1, com dados de Secretarias de Seguran\u00e7a P\u00fablica dos estados e Distrito Federal (DF). 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