{"id":58331,"date":"2024-03-04T11:29:36","date_gmt":"2024-03-04T11:29:36","guid":{"rendered":"https:\/\/blog.corretoraideal.com.br\/?p=58331"},"modified":"2024-03-04T11:29:36","modified_gmt":"2024-03-04T11:29:36","slug":"oferta-de-energia-cresce-mais-que-consumo-e-brasil-joga-fora-excesso-entenda-economia-g1","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/blog.corretoraideal.com.br\/index.php\/2024\/03\/04\/oferta-de-energia-cresce-mais-que-consumo-e-brasil-joga-fora-excesso-entenda-economia-g1\/","title":{"rendered":"Oferta de energia cresce mais que consumo, e Brasil &#039;joga fora&#039; excesso; entenda | Economia | G1"},"content":{"rendered":"<br \/>\n<h1>Oferta de energia cresce mais que consumo, e Brasil &#039;joga fora&#039; excesso; entenda<\/h1>\n<h2>Para atender picos de consumo, pa\u00eds ainda precisa ligar usinas termel\u00e9tricas \u2014 mais caras e poluentes. Isso porque, as fontes e\u00f3lica e solar, que cresceram nos \u00faltimos anos, n\u00e3o oferecem energia de forma constante. <\/h2>\n<p> Por <a class=\"multi_signatures\" href=\"https:\/\/g1.globo.com\/autores\/lais-carregosa\/\">Lais Carregosa<\/a>, g1 &mdash; Bras\u00edlia <\/p>\n<p>  04\/03\/2024 04h00    Atualizado  04\/03\/2024    <\/p>\n<p> O Brasil vive uma situa\u00e7\u00e3o contradit\u00f3ria: o pa\u00eds produz energia renov\u00e1vel em excesso, mas ainda precisa ligar usinas termel\u00e9tricas \u2014 mais caras e poluentes \u2014 para suprir a demanda em momentos de pico. O cen\u00e1rio tem como consequ\u00eancia um custo maior ao consumidor e desafios para a opera\u00e7\u00e3o do sistema. <\/p>\n<p> Segundo proje\u00e7\u00e3o do Operador Nacional do Sistema El\u00e9trico (<a class href=\"https:\/\/g1.globo.com\/tudo-sobre\/ons\/\">ONS<\/a>), em 2028, o Brasil ter\u00e1 uma demanda de 110,98 gigawatts de energia, contra uma oferta que pode chegar a 281,56 gigawatts ao final de 2027. Ou seja, a oferta vai superar a demanda em 2,5 vezes (<strong>veja arte abaixo<\/strong>). 1 gigawatt de capacidade pode iluminar mais de 1 milh\u00e3o de resid\u00eancias por ano, a depender da fonte. <\/p>\n<ul>\n<li><a class href=\"https:\/\/www.whatsapp.com\/channel\/0029Va2ll12AInPbyd8p933r\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\"><strong>Participe do canal do g1 no WhatsApp<\/strong><\/a><\/li>\n<\/ul>\n<p> Essa situa\u00e7\u00e3o de oferta maior que a demanda n\u00e3o \u00e9 totalmente positiva, j\u00e1 que implica em desperd\u00edcio e aumenta custos (<strong>entenda mais abaixo<\/strong>). <\/p>\n<p>\u201cNa hora em que voc\u00ea tem essa situa\u00e7\u00e3o, o que tem que fazer como Operador Nacional do Sistema El\u00e9trico? Tem que limitar essa gera\u00e7\u00e3o. E a\u00ed voc\u00ea vai ter que limitar essa gera\u00e7\u00e3o por algumas caracter\u00edsticas. Vai ter que verter \u00e1gua, ou vai verter sol, ou vai verter vento\u201d, explica o diretor-geral do ONS, Luiz Carlos Ciocchi. <\/p>\n<p> No setor, \u201cvertimento\u201d acontece quando se abre o vertedouro, que controla o fluxo de \u00e1gua da usina hidrel\u00e9trica, para deixar correr a \u00e1gua que n\u00e3o vai ser utilizada para gera\u00e7\u00e3o de energia. Tamb\u00e9m para as fontes solar e e\u00f3lica,<strong> <\/strong><strong>significa deixar de usar o recurso natural para gera\u00e7\u00e3o de energia &#8211; \u00e9 como \u201cjogar fora\u201d a capacidade de gerar. <\/strong> <\/p>\n<p> Ainda assim, cada vez mais o ONS vai precisar acionar usinas termel\u00e9tricas em momentos de pico de consumo. Isso ocorre porque o excesso de energia se d\u00e1 durante o dia, em raz\u00e3o da gera\u00e7\u00e3o de energia renov\u00e1vel, que come\u00e7a a cair no in\u00edcio da noite. <\/p>\n<p>         1 de 4&#013;Entenda o que \u00e9 vertimento de energia \u2014 Foto: Editoria de Arte\/g1    <\/p>\n<p> Entenda o que \u00e9 vertimento de energia \u2014 Foto: Editoria de Arte\/g1 <\/p>\n<p> <strong>O que voc\u00ea vai saber nesta reportagem: <\/strong> <\/p>\n<ul>\n<li><a class href=\"https:\/\/g1.globo.com\/economia\/noticia\/2024\/03\/04\/oferta-de-energia-cresce-mais-que-consumo-e-brasil-joga-fora-excesso-entenda.ghtml#porque\">Por que o Brasil produz energia em excesso? <\/a><\/li>\n<li><a class href=\"https:\/\/g1.globo.com\/economia\/noticia\/2024\/03\/04\/oferta-de-energia-cresce-mais-que-consumo-e-brasil-joga-fora-excesso-entenda.ghtml#termeletricas\">Por que ainda \u00e9 preciso acionar usinas termel\u00e9tricas? <\/a><\/li>\n<li><a class href=\"https:\/\/g1.globo.com\/economia\/noticia\/2024\/03\/04\/oferta-de-energia-cresce-mais-que-consumo-e-brasil-joga-fora-excesso-entenda.ghtml#demanda\">Por que as hidrel\u00e9tricas n\u00e3o suprem a demanda? <\/a><\/li>\n<li><a class href=\"https:\/\/g1.globo.com\/economia\/noticia\/2024\/03\/04\/oferta-de-energia-cresce-mais-que-consumo-e-brasil-joga-fora-excesso-entenda.ghtml#excesso\">O que acontece com o excesso de energia? <\/a><\/li>\n<li><a class href=\"https:\/\/g1.globo.com\/economia\/noticia\/2024\/03\/04\/oferta-de-energia-cresce-mais-que-consumo-e-brasil-joga-fora-excesso-entenda.ghtml#escoada\">Como a energia \u00e9 escoada? <\/a><\/li>\n<li><a class href=\"https:\/\/g1.globo.com\/economia\/noticia\/2024\/03\/04\/oferta-de-energia-cresce-mais-que-consumo-e-brasil-joga-fora-excesso-entenda.ghtml#conta\">Qual o impacto na conta de luz? <\/a><\/li>\n<\/ul>\n<p> <strong>(Esta reportagem faz parte de uma s\u00e9rie sobre como as pol\u00edticas p\u00fablicas de energia afetam o consumidor. A s\u00e9rie tamb\u00e9m vai explicar o custo dos subs\u00eddios no setor e quais os motivos por tr\u00e1s do aumento na conta de luz) <\/strong> <\/p>\n<p><h2>Por que o Brasil produz energia em excesso? <\/h2>\n<\/p>\n<p> Para o ex-diretor da Ag\u00eancia Nacional de Energia El\u00e9trica (<a class href=\"https:\/\/g1.globo.com\/tudo-sobre\/aneel\/\">Aneel<\/a>) Edvaldo Santana, os subs\u00eddios s\u00e3o os respons\u00e1veis pelo descompasso entre oferta e demanda de energia. <\/p>\n<p> Os subs\u00eddios funcionam assim: para incentivar algumas fontes de energia, como e\u00f3lica e solar, o governo concede descontos para as usinas nas tarifas de uso dos fios para distribui\u00e7\u00e3o e transmiss\u00e3o de energia. Esses descontos (subs\u00eddios) s\u00e3o custeados pelos consumidores, inclusive os residenciais. <\/p>\n<p> Os subs\u00eddios foram mantidos mesmo depois de essas novas fontes de energia se tornarem mais baratas, o que acabou incentivando a constru\u00e7\u00e3o de mais usinas e\u00f3licas e solares. <\/p>\n<p> Santana explica que o planejamento do setor deveria seguir a premissa de que a oferta deve acompanhar a demanda por energia, o que prev\u00ea tamb\u00e9m alguma margem a mais de oferta no caso de falta de chuva e seu impacto sobre as hidrel\u00e9tricas, por exemplo. Mas, no Brasil, a oferta est\u00e1 passando muito dessa margem (<strong>veja arte abaixo<\/strong>). <\/p>\n<p>         2 de 4&#013;Oferta de energia ser\u00e1 mais que o dobro da demanda \u2014 Foto: Editoria de Arte\/g1    <\/p>\n<p> Oferta de energia ser\u00e1 mais que o dobro da demanda \u2014 Foto: Editoria de Arte\/g1 <\/p>\n<p> \u201cDe um tempo para c\u00e1, mais ou menos de 2013 e 2014 para c\u00e1, as fontes renov\u00e1veis \u2014 e isso \u00e9 bom para o Brasil \u2014 cresceram muito a participa\u00e7\u00e3o na matriz el\u00e9trica, s\u00f3 que tudo isso movido a subs\u00eddio. Excesso de subs\u00eddio para fontes que n\u00e3o precisavam provocou o aumento enorme de oferta, que se deslocou da demanda. Hoje, a oferta \u00e9 mais que o dobro da demanda se for medir em termos de capacidade instalada [o quanto cada usina pode gerar]\u201d, destaca o ex-diretor da Aneel. <\/p>\n<p> O superintendente adjunto da Empresa de Pesquisa Energ\u00e9tica (EPE), Renato Haddad Sim\u00f5es Machado, explica que o governo concede incentivos a uma tecnologia quando quer promover a sua entrada no sistema ou quando quer lev\u00e1-la a locais aonde o investimento privado n\u00e3o chegaria naturalmente. <\/p>\n<p>\u201cO grande problema \u00e9 quando esses subs\u00eddios deixam de ser necess\u00e1rios. Por exemplo, voc\u00ea quer incentivar uma determinada tecnologia para entrar no sistema e ela j\u00e1 se desenvolveu, j\u00e1 entrou no sistema, j\u00e1 est\u00e1 num grau de maturidade, e voc\u00ea n\u00e3o precisaria mais ter aquele subs\u00eddio atuando. Quando chega nesse momento, voc\u00ea acaba trazendo distor\u00e7\u00f5es de mercado\u201d, declarou. <\/p>\n<p>                   <img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"aligncenter size-full wp-image-58333\" src=\"https:\/\/blog.corretoraideal.com.br\/wp-content\/uploads\/2024\/03\/calor-extremo-faz-brasil-acionar-usinas-termeletricas-que-sao-mais-poluentes-e-caras.jpeg\" alt=\"Calor extremo faz Brasil acionar usinas termel\u00e9tricas que s\u00e3o mais poluentes e caras\" width=\"800\" height=\"400\" \/>       <\/p>\n<p> Calor extremo faz Brasil acionar usinas termel\u00e9tricas que s\u00e3o mais poluentes e caras <\/p>\n<p> Machado conta ainda que uma dessas distor\u00e7\u00f5es \u00e9 a expans\u00e3o de uma tecnologia que n\u00e3o seria necess\u00e1ria ao sistema, mas se torna atrativa economicamente para as empresas por conta dos subs\u00eddios. <\/p>\n<p> Foi o que aconteceu com a energia e\u00f3lica e solar. A manuten\u00e7\u00e3o dos descontos, mesmo depois da consolida\u00e7\u00e3o dessas fontes no Brasil, levou ao seu crescimento exponencial. Segundo o ONS, em 2023, a energia e\u00f3lica j\u00e1 representava 12,8% da matriz el\u00e9trica nacional, e a solar, 5%. <\/p>\n<p> Para termos de compara\u00e7\u00e3o, as usinas hidrel\u00e9tricas representam <strong>47,1%<\/strong> do sistema. E as termel\u00e9tricas (mais poluentes), respondem a <strong>12,2%<\/strong> do total (<strong>veja arte abaixo<\/strong>). <\/p>\n<p>         3 de 4&#013;E\u00f3lica e solar representavam juntas quase 18% da matriz el\u00e9trica em 2023 \u2014 Foto: Editoria de Arte\/g1    <\/p>\n<p> E\u00f3lica e solar representavam juntas quase 18% da matriz el\u00e9trica em 2023 \u2014 Foto: Editoria de Arte\/g1 <\/p>\n<p><h2>Por que ainda \u00e9 preciso acionar usinas termel\u00e9tricas? <\/h2>\n<\/p>\n<p> As hidrel\u00e9tricas e as usinas termel\u00e9tricas podem gerar de forma flex\u00edvel, ou seja, o ONS pode acionar essas usinas quando perceber que precisa de mais gera\u00e7\u00e3o para suprir a demanda. Dessa forma, esses empreendimentos servem como uma \u201creserva\u201d para o sistema. <\/p>\n<p> Com o aumento na gera\u00e7\u00e3o de energia e\u00f3lica e solar, tamb\u00e9m cresce o desafio do sistema para dar conta da demanda no momento em que a gera\u00e7\u00e3o de energia por essas fontes cai, no in\u00edcio da noite. <\/p>\n<p> O problema \u00e9 que \u00e9 dif\u00edcil armazenar o que \u00e9 gerado por essas fontes. Ent\u00e3o, a energia precisa ser consumida na mesma quantidade e no mesmo momento em que \u00e9 ofertada. <\/p>\n<p>\u201cA quest\u00e3o das fontes intermitentes (e\u00f3lica e solar), que v\u00eam crescendo bastante e s\u00e3o importantes para mantermos uma matriz mais limpa e sustent\u00e1vel, [\u00e9 que] elas carecem um pouco de alguns requisitos de confiabilidade que s\u00f3 algumas fontes tipo s\u00edncronas (t\u00e9rmicas ou hidrel\u00e9tricas) podem proporcionar, possuem maiores requisitos para proporcionar maior confiabilidade\u201d, explica o diretor de Estudos da Energia El\u00e9trica da EPE, Reinaldo Garcia. <\/p>\n<p> O ONS j\u00e1 tem acionado usinas termel\u00e9tricas para suprir os picos de demanda. Isso foi feito em novembro e dezembro do ano passado, por exemplo, quando o Brasil estava batendo picos de demanda ao final do dia. Para 2024, o operador j\u00e1 sinalizou que vai precisar manter o despacho dessas usinas. <\/p>\n<p> Contudo, para 2028, o ONS projeta uma &quot;rampa de queda&quot; de 50 gigawatts de oferta de energia e\u00f3lica e solar ao final do dia. <strong>\u00c9 como se quase quatro usinas de Itaipu fossem desligadas todas as noites. <\/strong> <\/p>\n<p> Nesse caso, ser\u00e1 necess\u00e1rio contratar mais usinas flex\u00edveis. \u201cHoje, se eu tiver uma rampa dessas para subir, n\u00e3o tem recursos para isso\u201d, diz Ciocchi. <\/p>\n<p><h2>Por que as hidrel\u00e9tricas n\u00e3o suprem a demanda? <\/h2>\n<\/p>\n<p> Segundo Machado, da EPE, suprir esses picos de demanda \u00e9 um papel desempenhado historicamente pelas hidrel\u00e9tricas. <\/p>\n<p> Contudo, h\u00e1 mais desafios hoje para se construir grandes hidrel\u00e9tricas que possam atender a essa demanda. A restri\u00e7\u00e3o ambiental para explorar o potencial em \u00e1reas sens\u00edveis e o efeito das mudan\u00e7as clim\u00e1ticas s\u00e3o algumas raz\u00f5es que afetam a implanta\u00e7\u00e3o dessas usinas. <\/p>\n<p> \u201cMas hoje temos uma situa\u00e7\u00e3o em que grande parte do potencial hidrel\u00e9trico que ainda temos a explorar est\u00e1 em regi\u00f5es de mais dif\u00edcil [viabiliza\u00e7\u00e3o], quest\u00f5es ambientais mais sens\u00edveis, longe do centro de carga [demanda]. Ent\u00e3o, precisamos, sim, de um complemento, que as hidrel\u00e9tricas por um tempo v\u00e3o conseguir suprir, mas \u00e9 necess\u00e1rio que tenhamos outro tipo de recurso no sistema\u201d, afirma. <\/p>\n<p> O ex-presidente da EPE e diretor executivo da consultoria PSR, Luiz Barroso, tamb\u00e9m cita as mudan\u00e7as clim\u00e1ticas como um fator que deve impactar a capacidade das hidrel\u00e9tricas de suprir os picos de demanda. <\/p>\n<p>\u201cVamos ter cada vez mais o efeito das mudan\u00e7as clim\u00e1ticas nas vaz\u00f5es e vamos ter cada vez mais a disputa pelo uso da \u00e1gua. Ent\u00e3o, a \u00e1gua vai passar a ser um bem cada vez mais escasso, e as hidrel\u00e9tricas v\u00e3o ter cada vez maiores restri\u00e7\u00f5es para operar seus reservat\u00f3rios\u201d, declara. <\/p>\n<p> Para Machado, da EPE, as termel\u00e9tricas seriam uma \u201cop\u00e7\u00e3o natural\u201d para desempenhar esse papel. <\/p>\n<p> \u201c[Mas] existem outras tecnologias que podem entrar, que outros pa\u00edses j\u00e1 t\u00eam utilizado, como bateria, resposta da demanda. Ou seja, voc\u00ea dar um sinal para o consumidor reduzir o consumo naquele momento, voc\u00ea aumentar a capacidade instalada nas usinas hidrel\u00e9tricas que j\u00e1 existem\u201d, destaca. <\/p>\n<p> Al\u00e9m de contratar novas t\u00e9rmicas, o diretor-geral do ONS tamb\u00e9m aponta o acionamento de usinas mais antigas. Outra estrat\u00e9gia seria acelerar o programa de resposta da demanda. <\/p>\n<p> \u201cOu seja, ao inv\u00e9s de aumentar a gera\u00e7\u00e3o, criar incentivos para grandes consumidores reduzirem a demanda nos hor\u00e1rios mais cr\u00edticos. Ao inv\u00e9s de adicionar uma energia mais cara, dar algum incentivo para algu\u00e9m parar de consumir naquele hor\u00e1rio\u201d, afirma o diretor-geral do ONS. <\/p>\n<p>         4 de 4&#013;Sem estocar energia, pa\u00eds &#039;joga fora&#039; potencial de gera\u00e7\u00e3o. \u2014 Foto: Editoria Arte\/g1    <\/p>\n<p> Sem estocar energia, pa\u00eds &#039;joga fora&#039; potencial de gera\u00e7\u00e3o. \u2014 Foto: Editoria Arte\/g1 <\/p>\n<p><h2>O que acontece com o excesso de energia? <\/h2>\n<\/p>\n<p> Como n\u00e3o se armazena o que \u00e9 gerado pelas usinas e\u00f3licas e solares, a energia dessas fontes precisa ser consumida na mesma quantidade e ao mesmo tempo em que \u00e9 ofertada. \u00c9 uma caracter\u00edstica f\u00edsica dos sistemas el\u00e9tricos. <\/p>\n<p> O risco, caso o consumo n\u00e3o esteja sincronizado com a produ\u00e7\u00e3o, \u00e9 de causar danos ao sistema. <\/p>\n<p>\u201cO Operador tem que ficar atento, porque sen\u00e3o as consequ\u00eancias para o sistema podem ser desastrosas. E [tem que] avaliar a capacidade e a produ\u00e7\u00e3o de energia de todas essas fontes do Brasil inteiro, fazendo de uma forma coordenada desligamentos dessas fontes para que continue mantendo em vigor as leis dos circuitos el\u00e9tricos\u201d, explica Ciocchi. <\/p>\n<p> Dessa forma, o ONS pode pedir o desligamento de usinas para evitar que haja um desequil\u00edbrio entre a energia ofertada e o consumo no sistema el\u00e9trico. Ciocchi alerta que deixar de usar o potencial de gera\u00e7\u00e3o por falta de demanda j\u00e1 \u00e9 uma realidade, que tende a ser mais frequente. <\/p>\n<p> \u201cTodos os dias voc\u00ea tem esse desafio, em particular nos finais de semana, porque nos finais de semana a nossa carga [demanda] \u00e9 ainda menor, porque a atividade econ\u00f4mica n\u00e3o est\u00e1 na sua plenitude\u201d, declara o diretor-geral do ONS. <\/p>\n<p> Santana, ex-diretor da Aneel, defende que o governo incentive o consumo industrial em momentos de excesso de oferta, barateando a energia. <\/p>\n<p> \u201cIsso foi feito at\u00e9 a d\u00e9cada de 1980, chamava-se &#x27;energia garantida por tempo determinado\u2019. Voc\u00ea garantia a energia para alguns consumidores \u2014 na \u00e9poca era s\u00f3 a ind\u00fastria \u2014, durante um tempo, para aumentar o consumo naquela regi\u00e3o e n\u00e3o precisava construir tanta transmiss\u00e3o para exportar [para outras regi\u00f5es do pa\u00eds]\u201d, explicou. <\/p>\n<p> Santana destaca que o cen\u00e1rio atual de excesso de energia n\u00e3o seria completamente resolvido por uma pol\u00edtica de incentivo ao consumo, mas o problema da energia \u201cjogada fora\u201d seria atendido. <\/p>\n<p><h2>Como a energia \u00e9 escoada? <\/h2>\n<\/p>\n<p> O sistema el\u00e9trico \u00e9 organizado em gera\u00e7\u00e3o, transmiss\u00e3o e distribui\u00e7\u00e3o. As usinas geradoras de energia se conectam \u00e0 rede de transmiss\u00e3o, que corta o pa\u00eds e \u00e9 operada pelo ONS. <\/p>\n<p> A rede de distribui\u00e7\u00e3o, por sua vez, est\u00e1 na outra ponta, e tem sua opera\u00e7\u00e3o mais localizada, a n\u00edvel estadual ou de agrupamentos de munic\u00edpios. Ela est\u00e1 ligada \u00e0 transmiss\u00e3o e faz a distribui\u00e7\u00e3o da energia aos consumidores. Nessa etapa quem atua s\u00e3o as empresas distribuidoras, que s\u00e3o as que cobram a conta de luz do consumidor. <\/p>\n<p> O governo contrata a constru\u00e7\u00e3o e manuten\u00e7\u00e3o das linhas de transmiss\u00e3o por meio de leil\u00f5es. As usinas conectadas ao sistema usam essas linhas para fornecer energia. <\/p>\n<p> Nos casos em que o ONS precisa &#x27;&#x27;verter&quot; ou &quot;jogar fora&quot; a energia, as usinas deixam de usar os recursos naturais. Ou seja, as hidrel\u00e9tricas abrem os seus vertedouros e deixam a \u00e1gua passar sem mover as turbinas para gera\u00e7\u00e3o de energia, as e\u00f3licas deixam de girar suas p\u00e1s e assim por diante. <\/p>\n<p> Por causa da quantidade de usinas que est\u00e3o sendo constru\u00eddas, os leil\u00f5es<strong> <\/strong>t\u00eam batido recordes sucessivos de investimentos previstos. S\u00f3 em 2023 foram contratados R$ 37,4 bilh\u00f5es em linhas de transmiss\u00e3o. <\/p>\n<p> Esses \u00faltimos certames foram realizados para contratar a infraestrutura necess\u00e1ria para escoar a energia e\u00f3lica e solar produzida no Nordeste e no norte de Minas Gerais. Linhas que est\u00e3o sendo constru\u00eddas por causa do excesso de oferta, mas que v\u00e3o ficar sem uso em muitos momentos, j\u00e1 que n\u00e3o h\u00e1 demanda. <\/p>\n<p> &quot;A transmiss\u00e3o em qualquer lugar do mundo participa com no m\u00e1ximo 7% da tarifa total [de energia, paga pelo consumidor]. Aqui, vai participar de mais e vai operar em vazio porque na maior parte do tempo n\u00e3o vai ter o que transmitir, vai ter que esperar carga [demanda]&quot;, explicou Santana. <\/p>\n<p><h2><strong>Qual o impacto na conta de luz? <\/strong><\/h2>\n<\/p>\n<p> Para o diretor-geral do ONS, \u00e9 importante questionar quem vai pagar pelas linhas de transmiss\u00e3o. \u201cQuem vai pagar por uma adi\u00e7\u00e3o de infraestrutura que n\u00f3s, nesse momento, n\u00e3o precisamos?\u201d, questiona, referindo-se \u00e0 baixa demanda. <\/p>\n<p> Segundo Barroso, da consultoria PSR, os investimentos em transmiss\u00e3o s\u00e3o um dos fatores que tendem a pressionar a conta de luz. <\/p>\n<p> A constru\u00e7\u00e3o dessas linhas \u00e9 remunerada pela Receita Anual Permitida (RAP) das empresas vencedoras dos leil\u00f5es, que \u00e9 definida pela Aneel. A RAP vai parar na tarifa de qualquer agente que acesse a transmiss\u00e3o e s\u00e3o repassadas ao consumidor. Com os altos investimentos em transmiss\u00e3o, esse componente da tarifa tende a aumentar. <\/p>\n<p>\u201cRedes v\u00e3o ser uma parcela da conta de luz que vai aumentar porque estamos construindo muita transmiss\u00e3o de alta tens\u00e3o. Esses leil\u00f5es todos que est\u00e3o fazendo sucesso viram conta, e conta para pagar\u201d, afirma Barroso. <\/p>\n<p> O ex-diretor da Aneel, Edvaldo Santana, afirma que todos os consumidores s\u00e3o impactados por esses custos, mas o consumidor residencial deve pagar mais. \u201cO pequeno consumidor vai pagar mais, porque n\u00e3o tem flexibilidade de negociar o melhor contrato com uma comercializadora ou gerador.\u201d <\/p>\n<p> Por outro lado, o superintendente adjunto de Transmiss\u00e3o da EPE, Marcos Vinicius Farinha, defende que a transmiss\u00e3o deveria ser encarada como um investimento, no lugar de custo. <\/p>\n<p> \u201cN\u00e3o podemos olhar a transmiss\u00e3o s\u00f3 pelo custo dela. Ela tem um valor associado que \u00e9 justamente trazer essa gera\u00e7\u00e3o, ou conectar essa gera\u00e7\u00e3o, mais barata, e no final das contas essa expans\u00e3o minimiza o custo para o consumidor\u201d, conclui. <\/p>\n<ul>\n<li> <a href=\"https:\/\/g1.globo.com\/tudo-sobre\/aneel\/\" class=\"entities__list-itemLink\" data-track-click=\"Aneel\"> Aneel <\/a> <\/li>\n<li> <a href=\"https:\/\/g1.globo.com\/tudo-sobre\/epe\/\" class=\"entities__list-itemLink\" data-track-click=\"EPE \"> EPE <\/a> <\/li>\n<li> <a href=\"https:\/\/g1.globo.com\/tudo-sobre\/ons\/\" class=\"entities__list-itemLink\" data-track-click=\"ONS\"> ONS <\/a> <\/li>\n<\/ul>\n<h3> <a id=\"js-next-article-desktop-link\" class=\"next-article-desktop-link\"><\/a> <\/h3>\n<h3> <a id=\"js-next-article-smart-link\" class=\"next-article-smart-link\"><\/a> <\/h3>\n<p>Veja tamb\u00e9m<\/p>\n<\/p>\n<\/p>\n<p>       Anterior   Pr\u00f3ximo     <\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Oferta de energia cresce mais que consumo, e Brasil &#039;joga fora&#039; excesso; entenda Para atender picos de consumo, pa\u00eds ainda precisa ligar usinas termel\u00e9tricas \u2014 mais caras e poluentes. Isso porque, as fontes e\u00f3lica e solar, que cresceram nos \u00faltimos anos, n\u00e3o oferecem energia de forma constante. 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