{"id":59107,"date":"2024-03-23T10:29:39","date_gmt":"2024-03-23T10:29:39","guid":{"rendered":"https:\/\/blog.corretoraideal.com.br\/?p=59107"},"modified":"2024-03-23T10:29:39","modified_gmt":"2024-03-23T10:29:39","slug":"a-febre-dos-naming-rights-por-que-empresas-gastam-bilhoes-para-dar-nomes-a-estadios-e-casas-de-show-midia-e-marketing-g1","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/blog.corretoraideal.com.br\/index.php\/2024\/03\/23\/a-febre-dos-naming-rights-por-que-empresas-gastam-bilhoes-para-dar-nomes-a-estadios-e-casas-de-show-midia-e-marketing-g1\/","title":{"rendered":"A febre dos &#039;naming rights&#039;: por que empresas gastam bilh\u00f5es para dar nomes a est\u00e1dios e casas de show | Midia e Marketing | G1"},"content":{"rendered":"<br \/>\n<h1>A febre dos &#039;naming rights&#039;: por que empresas gastam bilh\u00f5es para dar nomes a est\u00e1dios e casas de show<\/h1>\n<h2>Estrat\u00e9gia j\u00e1 existe h\u00e1 d\u00e9cadas, como mostra o cl\u00e1ssico Credicard Hall, em S\u00e3o Paulo. Mas a chegada do dinheiro novo das &#039;bets&#039; e o retorno de grandes eventos trouxeram uma explos\u00e3o de contratos nos \u00faltimos anos. Especialistas dizem que o mercado brasileiro ainda \u00e9 embrion\u00e1rio e tem muito espa\u00e7o para crescer.<\/h2>\n<p> Por <a class=\"multi_signatures\" href=\"https:\/\/g1.globo.com\/autores\/andre-catto\/\">Andr\u00e9 Catto<\/a>, g1 <\/p>\n<p>  23\/03\/2024 05h00    Atualizado  23\/03\/2024    <\/p>\n<p>                             <img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"aligncenter size-full wp-image-59109\" src=\"https:\/\/blog.corretoraideal.com.br\/wp-content\/uploads\/2024\/03\/naming-rights-por-que-empresas-gastam-bilhoes-para-dar-nomes-a-estadios-e-casas-de-show.jpeg\" alt=\"Naming rights: por que empresas gastam bilh\u00f5es para dar nomes a est\u00e1dios e casas de show\" width=\"800\" height=\"400\" \/>       <\/p>\n<p> Naming rights: por que empresas gastam bilh\u00f5es para dar nomes a est\u00e1dios e casas de show <\/p>\n<p> Est\u00e1dios, teatros, casas de shows, cinemas, times de futebol e at\u00e9 esta\u00e7\u00f5es de metr\u00f4. Os naming rights n\u00e3o s\u00e3o novidade, <strong>mas viraram &quot;febre&quot; no marketing brasileiro nos \u00faltimos anos.<\/strong> <\/p>\n<p> Em portugu\u00eas, o termo significa \u201cdireitos de nome\u201d. E, em nome de expandir sua marca para um p\u00fablico espec\u00edfico, <strong>as empresas compram o direito de rebatizar um local, equipamento ou espa\u00e7o.<\/strong> <\/p>\n<p> Foi assim que, anos atr\u00e1s, nasceu o ic\u00f4nico Credicard Hall, em S\u00e3o Paulo. Esse \u00e9 provavelmente o primeiro caso de grande sucesso no pa\u00eds \u2014 tanto que a distribuidora Vibra ainda se desdobra para que a casa de shows seja reconhecida pelo novo nome Vibra S\u00e3o Paulo. De l\u00e1 para c\u00e1, s\u00e3o muitos os exemplos. <\/p>\n<p> Foi com a venda de naming rights que o Parque Antarctica virou <a class href=\"https:\/\/g1.globo.com\/tudo-sobre\/allianz-parque\/\"><strong>Allianz<\/strong> <strong>Parque<\/strong><\/a><strong>.<\/strong> O Itaquer\u00e3o se transformou em Neo Qu\u00edmica Arena. E, agora, os dois \u00faltimos est\u00e1dios da capital paulista tamb\u00e9m ganharam nomes de marca: o Est\u00e1dio do Morumbi agora \u00e9 MorumBIS, e o tradicional Est\u00e1dio do <a class href=\"https:\/\/g1.globo.com\/sp\/presidente-prudente-regiao\/cidade\/pacaembu\/\">Pacaembu<\/a> passou a se chamar <strong>Mercado Livre<\/strong> <strong>Arena Pacaembu<\/strong>. <\/p>\n<p> Cada contrato possui regras espec\u00edficas, incluindo dura\u00e7\u00e3o, contrapartidas e prazos de pagamento. Al\u00e9m de, claro, determinar algumas dezenas (ou centenas) de milh\u00f5es de reais para transformar o nome de um local ic\u00f4nico. Mas vale a pena? <\/p>\n<p> De acordo com especialistas ouvidos pelo <a class href=\"https:\/\/g1.globo.com\/\"><strong>g1<\/strong><\/a>, as <strong>empresas costumam levar em conta fatores como caracter\u00edsticas do local, fluxo de pessoas, contexto hist\u00f3rico e potencial de neg\u00f3cio.<\/strong> Os objetivos variam, mas costumam ter em comum o desejo da empresa de ampliar o reconhecimento de suas marcas ou &quot;bombar&quot; um lan\u00e7amento. <\/p>\n<p> <strong>Nesta reportagem, voc\u00ea vai entender:<\/strong> <\/p>\n<ul>\n<li>Por que empresas optam por naming rights?<\/li>\n<li>Foco no esporte e no entretenimento<\/li>\n<li>Estrat\u00e9gia ainda \u00e9 embrion\u00e1ria no Brasil<\/li>\n<li>Futebol: a influ\u00eancia das &#x27;bets&#x27; sobre o mercado <\/li>\n<li>O objetivo \u00e9 o nome da marca &#x27;pegar&#x27;?<\/li>\n<li>Como os prazos e valores s\u00e3o determinados \u2014 e quais os riscos?<\/li>\n<li>Pacaembu: o maior contrato de naming rights do pa\u00eds<\/li>\n<li>O que explica o tamanho do acordo \u2014 e como o dinheiro ser\u00e1 usado<\/li>\n<\/ul>\n<p>         1 de 4&#013;Contratos de naming rights em est\u00e1dios brasileiros. \u2014 Foto: Kayan Albertin\/Editoria de Arte g1    <\/p>\n<p> Contratos de naming rights em est\u00e1dios brasileiros. \u2014 Foto: Kayan Albertin\/Editoria de Arte g1 <\/p>\n<p><h2>Por que empresas optam por naming rights?<\/h2>\n<\/p>\n<p> A visibilidade da marca \u00e9 um dos principais benef\u00edcios dos acordos. Mas <strong>os verdadeiros impactos da a\u00e7\u00e3o decorrem de uma s\u00e9rie de outros elementos que comp\u00f5em a estrat\u00e9gia<\/strong>, explicam especialistas em marketing de neg\u00f3cios ouvidos pelo <a class href=\"https:\/\/g1.globo.com\/\"><strong>g1<\/strong><\/a>. <\/p>\n<p>&quot;Nas negocia\u00e7\u00f5es de naming rights, tamb\u00e9m pode ficar acordado que, dentro daquele local, a empresa possa colocar suas lojas, pontos de vendas ou opera\u00e7\u00f5es, em uma a\u00e7\u00e3o que vai muito al\u00e9m de dar nome ao espa\u00e7o&quot;, explica o especialista em marketing Idel Halfen. <\/p>\n<p> \u00c9 o que exigem os \u00faltimos grandes contratos divulgados no pa\u00eds. Al\u00e9m de rebatizar os est\u00e1dios, as empresas compraram o direito de operar suas marcas dentro dos espa\u00e7os, <strong>criando um ecossistema de contato direto com o p\u00fablico. <\/strong>(entenda mais abaixo) <\/p>\n<p> A Mondel\u0113z, dona da marca de chocolates BIS, por exemplo, fechou um acordo com o S\u00e3o Paulo Futebol Clube que inclui a venda dos produtos no est\u00e1dio e a cria\u00e7\u00e3o de um ambiente &quot;voltado para experi\u00eancias&quot;, com a renomea\u00e7\u00e3o de setores internos do espa\u00e7o. <\/p>\n<p>&quot;Isso tudo vai permitir, pelos pr\u00f3ximos tr\u00eas anos, a\u00e7\u00f5es que v\u00e3o gerar &#x27;awareness&#x27; [reconhecimento da marca], que v\u00e3o se conectar com o consumidor e tamb\u00e9m ganhar novos compradores&quot;, afirma Fabiola Menezes, diretora de marketing de chocolates da Mondel\u0113z Brasil.<\/p>\n<p> A compra dos naming rights do est\u00e1dio \u00e9 o <strong>maior investimento de comunica\u00e7\u00e3o j\u00e1 feito na hist\u00f3ria da marca BIS<\/strong>, e pretende ampliar a capacidade produtiva para expandir a presen\u00e7a da marca nos pontos de venda pelo Brasil. O acordo \u00e9 de <strong>R$ 75 milh\u00f5es<\/strong> em tr\u00eas anos \u2014 uma m\u00e9dia anual de<strong> R$ 25 milh\u00f5es<\/strong>. <\/p>\n<p> H\u00e1 acordos menores no pa\u00eds, como o do Est\u00e1dio Man\u00e9 Garrincha, em Bras\u00edlia, que <a class href=\"https:\/\/g1.globo.com\/df\/distrito-federal\/noticia\/2021\/12\/17\/estadio-nacional-mane-garrincha-fecha-acordo-de-r-75-milhoes-e-passa-a-se-chamar-arena-brb.ghtml\">fechou naming rights de R$ 7,5 milh\u00f5es para se chamar Arena BRB<\/a> por tr\u00eas anos, a partir de 2022. <\/p>\n<p> E tamb\u00e9m h\u00e1 gigantes, a exemplo do pr\u00f3prio <a class href=\"https:\/\/g1.globo.com\/sp\/sao-paulo\/noticia\/2024\/01\/31\/pacaembu-vende-naming-rights-por-r-1-bilhao-e-estadio-passara-a-se-chamar-mercado-livre-arena.ghtml\">Pacaembu, que assinou em 2024 contrato de mais de R$ 1 bilh\u00e3o com o Mercado Livre<\/a> para naming rights de 30 anos \u2014 o maior j\u00e1 registrado no Brasil. <\/p>\n<p>         2 de 4&#013;Mercado Livre vai pagar mais de R$ 1 bilh\u00e3o por naming rights de 30 anos com o Pacaembu. \u2014 Foto: Divulga\u00e7\u00e3o    <\/p>\n<p> Mercado Livre vai pagar mais de R$ 1 bilh\u00e3o por naming rights de 30 anos com o Pacaembu. \u2014 Foto: Divulga\u00e7\u00e3o <\/p>\n<p> De acordo com especialistas, \u00e9 importante para uma estrat\u00e9gia de impacto em naming rights que a <strong>exposi\u00e7\u00e3o das marcas seja feita de forma continuada.<\/strong> Por isso, os per\u00edodos s\u00e3o mais longos, chegando a anos. S\u00f3 assim \u00e9 poss\u00edvel fortalecer a rela\u00e7\u00e3o com o p\u00fablico que frequenta aquele espa\u00e7o e gerar uma aproxima\u00e7\u00e3o com o cliente. <\/p>\n<p><h2>Foco no esporte e no entretenimento<\/h2>\n<\/p>\n<p> A premissa b\u00e1sica dos naming rights \u00e9 a aplica\u00e7\u00e3o em locais com grande fluxo de pessoas, de prefer\u00eancia do perfil de consumidor que a aquela empresa pretende atingir. Mas o tempo mostrou que <strong>o modelo est\u00e1 muito mais &quot;adaptado&quot; aos equipamentos de esportes e entretenimento<\/strong>, como est\u00e1dios, casas de shows e teatros. <\/p>\n<p> Isso n\u00e3o acontece \u00e0 toa. Em geral, s\u00e3o locais atrelados a<strong> <\/strong><strong>momentos de alegria e descontra\u00e7\u00e3o<\/strong>, onde as pessoas vivem hist\u00f3rias com envolvimento emocional e formam lembran\u00e7as, o que ajuda a criar uma conex\u00e3o com as marcas. <\/p>\n<p>\u201cQuando vamos a um show ou a um jogo, existe ali um ambiente m\u00e1gico, em que voc\u00ea est\u00e1 bem aberto a sensa\u00e7\u00f5es e emo\u00e7\u00f5es. Por isso \u00e9 t\u00e3o especial se associar a um equipamento desse tipo\u201d, afirma Fernando Trevisan, especialista em gest\u00e3o e marketing esportivo da Trevisan Escola de Neg\u00f3cios.<\/p>\n<p><h2>Estrat\u00e9gia ainda \u00e9 embrion\u00e1ria no Brasil<\/h2>\n<\/p>\n<p> Apesar do crescimento not\u00e1vel dos contratos de naming rights no pa\u00eds, <strong>a explora\u00e7\u00e3o dessa a\u00e7\u00e3o de marketing ainda \u00e9 muito baixa perto de outros mercados,<\/strong> como o norte-americano. \u00c9 o que mostra um levantamento da ag\u00eancia Jambo Sport Business, feito com base nas principais ligas esportivas e revelado com exclusividade ao <a class href=\"https:\/\/g1.globo.com\/\"><strong>g1<\/strong><\/a>. <\/p>\n<p> Na NBA, maior liga de basquete do mundo, por exemplo, <strong>96,6% das arenas possuem naming rights<\/strong>. A \u00fanica sem contrato \u00e9 o Madison Square Garden, onde o New York Knicks manda os jogos. Por outro lado, <strong>na s\u00e9rie A do campeonato brasileiro de futebol, a parcela \u00e9 de apenas 31,6%<\/strong>. <\/p>\n<p> Outras ligas americanas t\u00eam n\u00fameros muito pr\u00f3ximos aos da NBA: <\/p>\n<ul>\n<li>NHL, de h\u00f3quei: 93,8%<\/li>\n<li>NFL, de futebol americano: 90%<\/li>\n<li>MLS, de futebol: 82,8%<\/li>\n<li>WNBA, de basquete feminino: 75%<\/li>\n<li>MLB, de baseball: 70%<\/li>\n<\/ul>\n<p>&quot;Enquanto o Brasil ainda &#x27;engatinha&#x27; no que tange \u00e0s opera\u00e7\u00f5es de naming rights, vemos os EUA bastante maduros&quot;, diz o relat\u00f3rio. <\/p>\n<p> O levantamento ainda mostra que, em territ\u00f3rio norte-americano, h\u00e1 <strong>predomin\u00e2ncia de empresas do mercado financeiro no uso de direitos de nome.<\/strong> De um total de 120 arenas analisadas, o segmento possui naming rights de 44%. <\/p>\n<p> Em seguida, est\u00e3o os setores automotivo (8,3%), de bens de consumo (6,4%), varejo (6,4%) e telecomunica\u00e7\u00f5es (5,5%). No Brasil, por outro lado, n\u00e3o foi destacada uma padroniza\u00e7\u00e3o. <\/p>\n<p> O mercado consolidado l\u00e1 fora tamb\u00e9m tem se mostrado uma oportunidade para empresas brasileiras. Nesse sentido, o banco Inter&amp;Co anunciou, em janeiro deste ano, um acordo para nomear o est\u00e1dio das equipes norte-americanas Orlando City SC e Orlando Pride para Inter&amp;Co Stadium. <\/p>\n<p> O banco brasileiro afirmou que o objetivo \u00e9 &quot;aumentar seu conhecimento da marca nos <a class href=\"https:\/\/g1.globo.com\/tudo-sobre\/estados-unidos\/\">Estados Unidos<\/a>&quot;, em um empreendimento com planos que incluem tornar o est\u00e1dio &quot;palco de eventos culturais e musicais, com um primeiro show a ser realizado em 2024&quot;. <\/p>\n<p><h2>Futebol: a influ\u00eancia das &#x27;bets&#x27; sobre o mercado<\/h2>\n<\/p>\n<p> O crescimento dos contratos de naming rights no Brasil n\u00e3o tem uma explica\u00e7\u00e3o \u00fanica, mas h\u00e1 pistas que podem ajudar a entender o avan\u00e7o desse modelo. Uma delas, tratando especificamente do futebol, <strong>\u00e9 o aumento das publicidades pagas pelas &quot;bets&quot;, as casas de apostas digitais.<\/strong> <\/p>\n<p>&quot;Os custos de patroc\u00ednio nas camisas de times est\u00e3o muito inflacionados devido \u00e0 alta demanda das casas de apostas. Tem muita empresa querendo comprar espa\u00e7o, o que impacta oferta e demanda \u2014 e faz esse valor subir&quot;, afirma Fernando Trevisan.<\/p>\n<p> Com contratos de patroc\u00ednio master das camisas acima de <strong>R$ 80 milh\u00f5es <\/strong>\u2014 casos do Corinthians (<strong>R$ 120 milh\u00f5es<\/strong> por ano) e Flamengo (<strong>R$ 85 milh\u00f5es<\/strong>) \u2014, os naming rights de curto prazo acabam se tornando mais vantajosos financeira e at\u00e9 estrategicamente, diz o especialista. Afinal, um acordo de naming rights pode ter um custo menor. <\/p>\n<p>&quot;Al\u00e9m disso, com a estrat\u00e9gia, a empresa dialoga n\u00e3o s\u00f3 com o torcedor daquele clube, mas tamb\u00e9m com todo o p\u00fablico que circula no est\u00e1dio. Assim, o alcance vai al\u00e9m do futebol e do torcedor de um \u00fanico time&quot;, conclui.<\/p>\n<p> Trevisan cita como exemplos recentes (de contratos mais curtos) o <strong>MorumBIS<\/strong> e a <strong>Casa de Apostas Arena Fonte Nova<\/strong>, na Bahia, que fecharam contratos de tr\u00eas e quatro anos, respectivamente, por valores menores que a camisa do Botafogo (<strong>R$ 55 milh\u00f5es <\/strong>por ano). <\/p>\n<p>         3 de 4&#013;Mondel\u0113z, dona da marca de chocolates Bis, vai pagar R$ 75 milh\u00f5es para nomear o Morumbi por tr\u00eas anos. \u2014 Foto: Divulga\u00e7\u00e3o\/Mondel\u0113z    <\/p>\n<p> Mondel\u0113z, dona da marca de chocolates Bis, vai pagar R$ 75 milh\u00f5es para nomear o Morumbi por tr\u00eas anos. \u2014 Foto: Divulga\u00e7\u00e3o\/Mondel\u0113z <\/p>\n<p> O aumento recente dos acordos de naming rights no Brasil tamb\u00e9m pode ser justificado pelo <strong>avan\u00e7o do mercado de entretenimento, com a retomada de shows e grandes eventos ap\u00f3s a <\/strong><a class href=\"https:\/\/g1.globo.com\/saude\/coronavirus\/\"><strong>pandemia de Covid-19<\/strong><\/a>. &quot;Pode ser ainda uma demonstra\u00e7\u00e3o de que o setor de eventos vem se consolidando no pa\u00eds&quot;, diz Trevisan. <\/p>\n<p><h2>O objetivo \u00e9 o nome da marca &#x27;pegar&#x27;?<\/h2>\n<\/p>\n<p> Casos ic\u00f4nicos, como o antigo Credicard Hall (hoje chamado Vibra S\u00e3o Paulo), levantam a quest\u00e3o: afinal, o nome vai realmente &quot;pegar&quot; para o p\u00fablico? E se o nome da marca n\u00e3o pegar? E mais: vale correr o risco de adquirir os naming rights de um local e, possivelmente, continuar sendo chamado pelo nome antigo? <\/p>\n<p> N\u00e3o h\u00e1 um padr\u00e3o visto no mercado sobre esses pontos. Em geral, <strong>contratos mais longos tendem a fixar melhor o nome da marca<\/strong> \u00e0quele determinado espa\u00e7o. Mas tamb\u00e9m <strong>depende do contexto do local<\/strong>: se ele j\u00e1 tem um nome forte ou n\u00e3o, se o p\u00fablico vai ou n\u00e3o aderir \u00e0 mudan\u00e7a. <\/p>\n<p> No caso dos est\u00e1dios, as maiores oportunidades de fixa\u00e7\u00e3o de nome est\u00e3o nas novas arenas<strong> <\/strong>(aquelas rec\u00e9m-constru\u00eddas, com nomes ainda n\u00e3o consolidados). \u00c9 o caso da Arena MRV, do Atl\u00e9tico Mineiro, por exemplo, cujo nome j\u00e1 era usado antes mesmo de o est\u00e1dio ficar pronto. <\/p>\n<p> Ainda segundo analistas, <strong>est\u00e1dios j\u00e1 existentes que passaram por grandes reformas tamb\u00e9m oferecem essa oportunidade<\/strong>, como o Allianz Parque, antigo Palestra It\u00e1lia ou Parque Antarctica \u2014 que, inclusive, chamava-se assim porque a propriedade pertenceu \u00e0 Companhia Antarctica Paulista, produtora de bebidas que, ap\u00f3s uma fus\u00e3o, deu origem \u00e0 <a class href=\"https:\/\/g1.globo.com\/tudo-sobre\/ambev\/\">Ambev<\/a>. <\/p>\n<p> O especialista em marketing Fernando Trevisan explica que, no entanto, a busca unicamente pela fixa\u00e7\u00e3o de nome tem mudado entre as empresas no Brasil. <\/p>\n<p>&quot;As marcas est\u00e3o aproveitando os outros tipos de retorno que esses contratos permitem, com foco no relacionamento com o p\u00fablico&quot;, diz, refor\u00e7ando que o enfoque pode estar direcionado \u00e0s experi\u00eancias da marca dentro do local, e n\u00e3o necessariamente \u00e0 tentativa de fazer o nome &quot;pegar&quot;.<\/p>\n<p> Al\u00e9m disso, ele refor\u00e7a que outras empresas t\u00eam demonstrado interesse na estrat\u00e9gia ao perceberem projetos de naming rights j\u00e1 em vigor est\u00e3o se viabilizando e dando certo \u2014 incluindo os de curto prazo. <\/p>\n<p><h2>Como os prazos e valores s\u00e3o determinados \u2014 e quais os riscos?<\/h2>\n<\/p>\n<p> O processo de escolha de valores e dura\u00e7\u00e3o de contratos de naming rights tamb\u00e9m n\u00e3o costuma seguir um padr\u00e3o definido. Os pontos levados em conta s\u00e3o as <strong>caracter\u00edsticas do local, o fluxo de pessoas, o contexto hist\u00f3rico e o potencial de neg\u00f3cio<\/strong> \u2014 atributos que podem agregar mais ou menos valor \u00e0 marca, de acordo com o objetivo que ela perseguir. <\/p>\n<p>&quot;O respons\u00e1vel pelo investimento tamb\u00e9m precisa prestar contas internamente, seja para o CEO ou para o conselho da empresa. Ent\u00e3o, quanto mais embasada, mais aquela a\u00e7\u00e3o se justifica dentro da pr\u00f3pria companhia que est\u00e1 investindo&quot;, afirma o especialista em marketing Idel Halfen.<\/p>\n<p> De acordo com o levantamento da ag\u00eancia Jambo Sport Business, que tamb\u00e9m \u00e9 assinado por Halfen, <strong>\u00e9 dif\u00edcil estabelecer uma correla\u00e7\u00e3o entre as caracter\u00edsticas das arenas ao valor pago pelas marcas.<\/strong> <\/p>\n<p> &quot;\u00c9 mais prov\u00e1vel admitir que, assim como ocorre na maioria dos exerc\u00edcios de &#x27;valuation&#x27; [atribui\u00e7\u00e3o de valor de mercado de empresas], o que pragmaticamente define o valor dos contratos \u00e9 a inten\u00e7\u00e3o das partes envolvidas, o quanto se est\u00e1 disposto a pagar e a receber&quot;, diz o estudo. <\/p>\n<p> Al\u00e9m de atribuir valor, o &quot;valuation&quot;<strong> <\/strong>\u00e9 uma esp\u00e9cie de levantamento que indica que elementos qualitativos como status e credibilidade influenciam no interesse das marcas. O valuation tamb\u00e9m \u00e9 ponto central quando o assunto s\u00e3o os riscos para as partes em contratos de naming rights. <\/p>\n<p> Um est\u00e1dio, por exemplo, <strong>pode deixar de ganhar dinheiro ao fechar acordo por valores abaixo de seu potencial.<\/strong> Do outro lado, a marca pode perder ao superestimar o neg\u00f3cio e desembolsar mais do que ter\u00e1 de retorno futuramente. <\/p>\n<p> Outro risco dos naming rights, dizem especialistas, \u00e9 o envolvimento da empresa patrocinadora em algum esc\u00e2ndalo que prejudique a sua imagem \u2014 e, consequentemente, a imagem do espa\u00e7o nomeado. <\/p>\n<p> Por fim, h\u00e1 ainda a possibilidade de a estrat\u00e9gia simplesmente n\u00e3o ser bem-sucedida, frustrando os recursos investidos. &quot;Mas s\u00e3o riscos bem calculados perto da receita que os naming rights geram para um clube de futebol, um dono de est\u00e1dio ou uma casa de show&quot;, afirma Fernando Trevisan. <\/p>\n<p><h2>Pacaembu: o maior contrato de naming rights do pa\u00eds<\/h2>\n<\/p>\n<p> A empresa de e-commerce Mercado Livre fechou um contrato de mais de R$ 1 bilh\u00e3o com o Pacaembu. O novo nome do est\u00e1dio, agora chamado Mercado Livre Arena Pacaembu, foi <a class href=\"https:\/\/g1.globo.com\/sp\/sao-paulo\/noticia\/2024\/01\/31\/pacaembu-vende-naming-rights-por-r-1-bilhao-e-estadio-passara-a-se-chamar-mercado-livre-arena.ghtml\">anunciado em janeiro deste ano<\/a>, tornando-se o maior acordo de naming rights do pa\u00eds. <\/p>\n<p> O neg\u00f3cio foi fechado com a Allegra Pacaembu, cons\u00f3rcio que venceu a licita\u00e7\u00e3o para assumir a gest\u00e3o do complexo esportivo que era p\u00fablico por 35 anos, desde janeiro de 2020. <strong>A previs\u00e3o \u00e9 que a concession\u00e1ria invista R$ 600 milh\u00f5es no bem p\u00fablico tombado.<\/strong> <\/p>\n<p> Assim como tem sido nos acordos de naming rights, a parceria prev\u00ea exposi\u00e7\u00e3o de marcas, &quot;amplo espa\u00e7o de m\u00eddia e benef\u00edcios que envolvem o ecossistema de neg\u00f3cios do Mercado Livre&quot;. Isso inclui a explora\u00e7\u00e3o de outras marcas da empresa, como Mercado Pago, MELI+ e Mercado Play. <\/p>\n<p> <strong>Veja mais detalhes no v\u00eddeo abaixo:<\/strong> <\/p>\n<p>                   <img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"aligncenter size-full wp-image-59110\" src=\"https:\/\/blog.corretoraideal.com.br\/wp-content\/uploads\/2024\/03\/entenda-o-acordo-de-naming-rights-do-estadio-do-pacaembu.jpeg\" alt=\"Entenda o acordo de naming rights do est\u00e1dio do Pacaembu\" width=\"800\" height=\"400\" \/>       <\/p>\n<p> Entenda o acordo de naming rights do est\u00e1dio do Pacaembu <\/p>\n<p> A previs\u00e3o \u00e9 que o complexo, projetado para ser entregue em junho deste ano, ofere\u00e7a atividades e ativa\u00e7\u00f5es com estrutura de hotel, galeria de arte, restaurantes, hub de inova\u00e7\u00e3o, arena de eSports, escrit\u00f3rios e centros de conven\u00e7\u00f5es e de medicina esportiva. <\/p>\n<p> J\u00e1 em dia de jogos oficiais, a ideia \u00e9 que o complexo consiga atrair o p\u00fablico horas antes das partidas, com atividades que devem se estender tamb\u00e9m ap\u00f3s o apito final, explica o CEO da Allegra Pacaembu, Eduardo Barella. <\/p>\n<p>&quot;A nossa vis\u00e3o como ativo imobili\u00e1rio \u00e9 de que o Pacaembu ser\u00e1 um destino reconhecido n\u00e3o s\u00f3 em S\u00e3o Paulo, mas no pa\u00eds. A ideia \u00e9 que quem vier para a cidade diga: &#x27;Preciso ir conhecer o Pacaembu porque l\u00e1 est\u00e1 acontecendo muita coisa legal&#x27;&quot;, afirma.<\/p>\n<p>         4 de 4&#013;Eduardo Barella, CEO da Allegra Pacaembu, recebe a equipe do g1 na reta final das obras do novo complexo, que passou a se chamar Mercado Livre Arena Pacaembu. \u2014 Foto: F\u00e1bio Tito\/g1    <\/p>\n<p> Eduardo Barella, CEO da Allegra Pacaembu, recebe a equipe do g1 na reta final das obras do novo complexo, que passou a se chamar Mercado Livre Arena Pacaembu. \u2014 Foto: F\u00e1bio Tito\/g1 <\/p>\n<p> H\u00e1 ainda outras frentes no Pacaembu fortemente apoiadas em a\u00e7\u00f5es de marketing. Entre elas, Barella destaca as lojas de dentro do complexo, que dever\u00e3o seguir uma estrat\u00e9gia baseada n\u00e3o s\u00f3 na venda de produtos, mas principalmente na interatividade. <\/p>\n<p>&quot;Teremos uma loja que ir\u00e1 vender chuteiras, mas que o cliente poder\u00e1 testar no campo, por exemplo. E t\u00eanis, que a pessoa poder\u00e1 correr com ele na pista. J\u00e1 outra loja trar\u00e1 atividades como corrida, aulas de yoga. Ou seja, queremos lojas com ativa\u00e7\u00f5es&quot;, exemplifica Barella, refor\u00e7ando o foco nas a\u00e7\u00f5es de marketing para atrair o p\u00fablico ao complexo.<\/p>\n<p> Segundo Iuri Maia, chefe de branding do Mercado Livre, o objetivo estrat\u00e9gico da empresa de e-commerce \u00e9 construir um &quot;legado&quot;, criando &quot;conex\u00f5es duradouras&quot; alinhadas ao &quot;prop\u00f3sito&quot; da marca. <\/p>\n<p>&quot;O acordo de naming rights do Mercado Livre Arena Pacaembu representa uma das maiores e principais estrat\u00e9gias da marca no Brasil atualmente&quot;, ressalta o estrategista de marketing.<\/p>\n<p><h2>O que explica o tamanho do acordo \u2014 e como o dinheiro ser\u00e1 usado<\/h2>\n<\/p>\n<p> As negocia\u00e7\u00f5es para o maior contrato de naming rights do pa\u00eds levaram <strong>cerca de sete meses<\/strong>. De acordo com Iuri Maia, do Mercado Livre, as tratativas foram embasadas em &quot;estudos de alcance e frequ\u00eancia&quot; do p\u00fablico-alvo da empresa, &quot;visando posicionar a marca como top of mind [destaque entre consumidores] em um dos principais mercados do Brasil&quot;. <\/p>\n<p>&quot;Negociamos a conex\u00e3o tamb\u00e9m com o nosso ecossistema, destacando cada uma das nossas \u00e1reas de neg\u00f3cios nas ativa\u00e7\u00f5es do complexo&quot;, conta o estrategista.<\/p>\n<p> Ele se refere \u00e0 nomea\u00e7\u00e3o de espa\u00e7os internos do Pacaembu (como gin\u00e1sio, centros esportivos e camarotes), al\u00e9m da atua\u00e7\u00e3o da empresa em diferentes frentes de neg\u00f3cios \u2014 com opera\u00e7\u00f5es envolvendo o Mercado Pago (plataforma de pagamento) e o Mercado Play (streaming), por exemplo. <\/p>\n<p> Para o especialista em marketing Fernando Trevisan, o Pacaembu representa, de fato, uma &quot;alternativa \u00fanica&quot; no pa\u00eds quando o assunto s\u00e3o naming rights. Isso porque se trata de um espa\u00e7o com forte tradi\u00e7\u00e3o, que, entre outros pontos, desperta mem\u00f3ria afetiva em grande parte do p\u00fablico. <\/p>\n<p> &quot;O equipamento est\u00e1 no cora\u00e7\u00e3o dos paulistanos. \u00c9 super bem localizado, com f\u00e1cil acesso. Tem uma hist\u00f3ria, uma tradi\u00e7\u00e3o, al\u00e9m de uma parte tombada [reconhecida por seu valor hist\u00f3rico]. E \u00e9 um local que propicia uma s\u00e9rie de outras atividades al\u00e9m da pr\u00e1tica esportiva&quot;, diz. <\/p>\n<p>&quot;Ent\u00e3o, \u00e9 muito dif\u00edcil replicar isso em outro espa\u00e7o ou em outra estrat\u00e9gia&quot;, conclui.<\/p>\n<p> S\u00e3o caracter\u00edsticas que, de certa forma, podem ajudar a explicar os valores mais elevados do contrato. Nesse sentido, o CEO da Allegra Pacaembu, Eduardo Barella, considera que os mais de R$ 1 bilh\u00e3o extra\u00eddos dessa negocia\u00e7\u00e3o est\u00e3o &quot;em linha com aquilo que era pretendido&quot;. <\/p>\n<p>&quot;Esse valor tem que fazer frente ao custo da nossa opera\u00e7\u00e3o, incluindo a zeladoria do complexo, e tamb\u00e9m ao servi\u00e7o da d\u00edvida. Isso porque uma parte do dinheiro investido foi com base em d\u00edvidas j\u00e1 feitas \u2014 e que t\u00eam de ser pagas ao longo do tempo&quot;, conclui.<\/p>\n<ul>\n<li> <a href=\"https:\/\/g1.globo.com\/tudo-sobre\/allianz-parque\/\" class=\"entities__list-itemLink\" data-track-click=\"Allianz Parque\"> Allianz Parque <\/a> <\/li>\n<li> <a href=\"https:\/\/g1.globo.com\/tudo-sobre\/ambev\/\" class=\"entities__list-itemLink\" data-track-click=\"Ambev\"> Ambev <\/a> <\/li>\n<li> <a href=\"https:\/\/g1.globo.com\/tudo-sobre\/estados-unidos\/\" class=\"entities__list-itemLink\" data-track-click=\"Estados Unidos\"> Estados Unidos <\/a> <\/li>\n<li> <a href=\"https:\/\/g1.globo.com\/sp\/presidente-prudente-regiao\/cidade\/pacaembu\/\" class=\"entities__list-itemLink\" data-track-click=\"Pacaembu\"> Pacaembu <\/a> <\/li>\n<\/ul>\n<h3> <a id=\"js-next-article-desktop-link\" class=\"next-article-desktop-link\"><\/a> <\/h3>\n<h3> <a id=\"js-next-article-smart-link\" class=\"next-article-smart-link\"><\/a> <\/h3>\n<p>Veja tamb\u00e9m<\/p>\n<\/p>\n<\/p>\n<p>       Anterior   Pr\u00f3ximo     <\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A febre dos &#039;naming rights&#039;: por que empresas gastam bilh\u00f5es para dar nomes a est\u00e1dios e casas de show Estrat\u00e9gia j\u00e1 existe h\u00e1 d\u00e9cadas, como mostra o cl\u00e1ssico Credicard Hall, em S\u00e3o Paulo. Mas a chegada do dinheiro novo das &#039;bets&#039; e o retorno de grandes eventos trouxeram uma explos\u00e3o de contratos nos \u00faltimos anos. 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