{"id":61703,"date":"2024-06-04T09:29:40","date_gmt":"2024-06-04T09:29:40","guid":{"rendered":"https:\/\/blog.corretoraideal.com.br\/?p=61703"},"modified":"2024-06-04T09:29:40","modified_gmt":"2024-06-04T09:29:40","slug":"tomates-marcianos-brasileira-usa-tecnica-maia-para-criar-plantacoes-em-marte-agronegocios-g1","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/blog.corretoraideal.com.br\/index.php\/2024\/06\/04\/tomates-marcianos-brasileira-usa-tecnica-maia-para-criar-plantacoes-em-marte-agronegocios-g1\/","title":{"rendered":"Tomates marcianos? Brasileira usa t\u00e9cnica maia para criar planta\u00e7\u00f5es em Marte | Agroneg\u00f3cios | G1"},"content":{"rendered":"<br \/>\n<h1>Tomates marcianos? Brasileira usa t\u00e9cnica maia para criar planta\u00e7\u00f5es em Marte<\/h1>\n<h2> Em projeto de mestrado nos Pa\u00edses Baixos, astrobi\u00f3loga investigou se cultivar diferentes esp\u00e9cies vegetais em conjunto pode ser uma maneira de otimizar recursos e garantir seguran\u00e7a alimentar para as futuras col\u00f4nias humanas no planeta vermelho. A t\u00e9cnica tamb\u00e9m pode ajudar a recuperar solos degradados na Terra. <\/h2>\n<p>       <a href=\"http:\/\/www.bbc.com\/portuguese\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">    <\/a>   <\/p>\n<p> Por BBC <\/p>\n<p>  04\/06\/2024 05h31    Atualizado  04\/06\/2024    <\/p>\n<p>                         1 de 3&#013;Rebeca Gon\u00e7alves fez um mestrado sobre agricultura espacial nos Pa\u00edses Baixos \u2014 Foto: (Arquivo pessoal)    <\/p>\n<p> Rebeca Gon\u00e7alves fez um mestrado sobre agricultura espacial nos Pa\u00edses Baixos \u2014 Foto: (Arquivo pessoal) <\/p>\n<p> A brasileira Rebeca Gon\u00e7alves lembra com saudades das hist\u00f3rias que ouvia de um tio <a class href=\"https:\/\/www.bbc.com\/portuguese\/topics\/ckdxnd38v03t?xtor=AL-73-%5Bpartner%5D-%5Bg1%5D-%5Blink%5D-%5Bbrazil%5D-%5Bbizdev%5D-%5Bisapi%5D\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">astr\u00f4nomo<\/a> durante a inf\u00e2ncia. <\/p>\n<p> Para ela, saber os detalhes de <a class href=\"https:\/\/www.bbc.com\/portuguese\/articles\/cxwpl918eyzo?xtor=AL-73-%5Bpartner%5D-%5Bg1%5D-%5Blink%5D-%5Bbrazil%5D-%5Bbizdev%5D-%5Bisapi%5D\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">planetas<\/a>, constela\u00e7\u00f5es, astros e sat\u00e9lites sempre foi objeto de fascina\u00e7\u00e3o. <\/p>\n<p> Por\u00e9m, alguns anos depois, quando chegou a hora de escolher a faculdade, ela optou por se especializar em outra \u00e1rea de interesse: a <a class href=\"https:\/\/www.bbc.com\/portuguese\/topics\/c404v0k9nk9t?xtor=AL-73-%5Bpartner%5D-%5Bg1%5D-%5Blink%5D-%5Bbrazil%5D-%5Bbizdev%5D-%5Bisapi%5D\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">biologia<\/a>. <\/p>\n<p> &quot;\u00c0 \u00e9poca, tinha a ideia errada de que o setor espacial s\u00f3 era para quem deseja virar <a class href=\"https:\/\/www.bbc.com\/portuguese\/geral-63867147?xtor=AL-73-%5Bpartner%5D-%5Bg1%5D-%5Blink%5D-%5Bbrazil%5D-%5Bbizdev%5D-%5Bisapi%5D\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">astronauta<\/a>&quot;, lembra ela. <\/p>\n<p> No entanto, alguns anos ap\u00f3s obter o diploma e seguir carreira nas Ci\u00eancias Biol\u00f3gicas, Gon\u00e7alves entrou numa crise existencial. &quot;Comecei a pensar o que estava fazendo com a minha vida e se era aquilo que gostava mesmo.&quot; <\/p>\n<p> Foi nessa hora que ela teve uma ideia: por que n\u00e3o unir as duas paix\u00f5es? Foi assim que ela decidiu perseguir o sonho de virar uma <a class href=\"https:\/\/www.bbc.com\/portuguese\/geral-53776804?xtor=AL-73-%5Bpartner%5D-%5Bg1%5D-%5Blink%5D-%5Bbrazil%5D-%5Bbizdev%5D-%5Bisapi%5D\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">astrobi\u00f3loga<\/a>. <\/p>\n<p> Para isso, Gon\u00e7alves encontrou um programa de mestrado sobre esse tema no Centro de An\u00e1lise em Sistemas de Colheita da Universidade de Wageningen, localizado nos <a class href=\"https:\/\/www.bbc.com\/portuguese\/internacional-63592640?xtor=AL-73-%5Bpartner%5D-%5Bg1%5D-%5Blink%5D-%5Bbrazil%5D-%5Bbizdev%5D-%5Bisapi%5D\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">Pa\u00edses Baixos<\/a>. <\/p>\n<p> &quot;Decidi investigar como n\u00f3s poderemos utilizar os recursos limitados, como \u00e1gua, nutrientes e energia, para cultivar alimentos em <a class href=\"https:\/\/www.bbc.com\/portuguese\/internacional-55445671?xtor=AL-73-%5Bpartner%5D-%5Bg1%5D-%5Blink%5D-%5Bbrazil%5D-%5Bbizdev%5D-%5Bisapi%5D#:~:text=BBC%20L%C3%AA-,Marte%3A%20os%20'7%20minutos%20de%20terror'%20do%20rob%C3%B4%20Perseverance,de%20vida%20no%20planeta%20vermelho&amp;text=O%20rob%C3%B4%20Perseverance%20est%C3%A1%20se,18%20de%20fevereiro%20de%202021.\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">Marte<\/a>&quot;, resume a pesquisadora. <\/p>\n<p> &quot;Afinal, esse \u00e9 um fator muito importante para a seguran\u00e7a das futuras col\u00f4nias marcianas. Elas n\u00e3o poder\u00e3o depender do envio de suprimentos por foguetes vindos da <a class href=\"https:\/\/www.bbc.com\/portuguese\/articles\/cxwpl918eyzo?xtor=AL-73-%5Bpartner%5D-%5Bg1%5D-%5Blink%5D-%5Bbrazil%5D-%5Bbizdev%5D-%5Bisapi%5D\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">Terra<\/a>&quot;, complementa ela. <\/p>\n<p> Para fazer esse trabalho, a brasileira contou com a orienta\u00e7\u00e3o do ecologista e exobi\u00f3logo Wieger Wamelink, professor na universidade neerlandesa e um dos poucos cientistas do mundo a estudar a viabilidade de estabelecer <a class href=\"https:\/\/www.bbc.com\/portuguese\/topics\/c340q4k57g2t?xtor=AL-73-%5Bpartner%5D-%5Bg1%5D-%5Blink%5D-%5Bbrazil%5D-%5Bbizdev%5D-%5Bisapi%5D\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">planta\u00e7\u00f5es<\/a> fora do planeta Terra. <\/p>\n<p> &quot;Para ter ideia de como a agricultura espacial \u00e9 um campo novo, meu orientador \u00e9 uma das primeiras pessoas no mundo a estudar o assunto e publicou uns seis artigos at\u00e9 o momento&quot;, conta ela. <\/p>\n<p>         2 de 3&#013;Rebeca e o orientador do trabalho, Wieger Wamelink, numa das estufas da universidade \u2014 Foto: Arquivo Pessoal    <\/p>\n<p> Rebeca e o orientador do trabalho, Wieger Wamelink, numa das estufas da universidade \u2014 Foto: Arquivo Pessoal <\/p>\n<p><h2>Inspira\u00e7\u00e3o que vem do passado<\/h2>\n<\/p>\n<p> Mas como seria fazer uma planta\u00e7\u00e3o num lugar distante como Marte? Ser\u00e1 poss\u00edvel que as esp\u00e9cies vegetais t\u00edpicas do nosso planeta se desenvolvam num ambiente t\u00e3o distinto? <\/p>\n<p> Para responder a essas perguntas, a primeira fase do trabalho de Gon\u00e7alves consistiu em estudar diferentes t\u00e9cnicas agr\u00edcolas que poderiam garantir a sobreviv\u00eancia das plantas \u2014 e eventualmente at\u00e9 aumentar a produtividade delas. <\/p>\n<p> Foi nessa etapa que a cientista descobriu uma abordagem chamada <strong>policultura, socializa\u00e7\u00e3o de culturas ou consorcia\u00e7\u00e3o<\/strong>. &quot;Essa \u00e9 uma pr\u00e1tica milenar que foi inventada pelos maias&quot;, explica ela. <\/p>\n<p> Vale lembrar que os maias formaram uma das mais importantes civiliza\u00e7\u00f5es da Mesoam\u00e9rica \u2014 regi\u00e3o que engloba partes dos atuais M\u00e9xico, Belize, Guatemala, Honduras e El Salvador. <\/p>\n<p> Esse povo antigo \u00e9 conhecido pelo sistema de escrita bem avan\u00e7ado, al\u00e9m de ter conquistado avan\u00e7os not\u00e1veis em \u00e1reas como matem\u00e1tica, arquitetura, arte e at\u00e9 astronomia. <\/p>\n<p> Na agricultura, os maias se destacaram por fazer a consorcia\u00e7\u00e3o \u2014 em resumo, eles cultivavam ab\u00f3bora, feij\u00e3o e milho, entre outros, num mesmo local. <\/p>\n<p>&quot;A ideia \u00e9 usar o mesmo espa\u00e7o de terra para plantar esp\u00e9cies que apresentam qualidades complementares, para que uma ajude no desenvolvimento da outra&quot;, resume Gon\u00e7alves.<\/p>\n<p> A brasileira considerou que a consorcia\u00e7\u00e3o poderia ser uma boa ideia para Marte e logo ganhou o apoio e a empolga\u00e7\u00e3o de seu orientador. <\/p>\n<p> &quot;A ideia era bastante inovadora, ningu\u00e9m havia testado algo parecido no campo da agricultura espacial&quot;, conta ela. <\/p>\n<p> Come\u00e7ava, assim, uma nova fase da pesquisa: quais plantas incluir no estudo? &quot;Passei quase tr\u00eas meses para selecionar as esp\u00e9cies ideais&quot;, confessa a pesquisadora. <\/p>\n<p> No final, as escolhidas foram a cenoura, a ervilha e o tomate-cereja \u2014 cada um por uma raz\u00e3o espec\u00edfica. <\/p>\n<p> &quot;As ervilhas, ou as leguminosas no geral, t\u00eam uma esp\u00e9cie de superpoder, que \u00e9 fazer uma parceria com uma bact\u00e9ria que vive no solo.&quot; <\/p>\n<p> &quot;Juntas, elas transformam o nitrog\u00eanio em am\u00f4nia no solo. \u00c9 como se essas plantas produzissem seus pr\u00f3prios fertilizantes&quot;, ensina Gon\u00e7alves. <\/p>\n<p> J\u00e1 o tomate-cereja cresce como um pequeno arbusto, que tem uma fun\u00e7\u00e3o dupla: servir de apoio para os ramos das ervilhas crescerem e de meia-sombra para os p\u00e9s de cenoura se desenvolverem perto do solo. <\/p>\n<p> Por fim, a cenoura foi selecionada por ter a capacidade de arejar a terra com suas pequenas ra\u00edzes. <\/p>\n<p><h2>A &#x27;terra&#x27; de Marte<\/h2>\n<\/p>\n<p> Mas um experimento desses s\u00f3 poderia ter alguma utilidade pr\u00e1tica se usasse um solo parecido ao que os futuros exploradores encontrar\u00e3o no planeta vermelho. <\/p>\n<p> Para isso, Gon\u00e7alves contou com uma ajuda valiosa da Nasa, a ag\u00eancia espacial dos Estados Unidos. <\/p>\n<p> &quot;Como j\u00e1 foram enviadas sondas e rob\u00f4s para Marte, n\u00f3s sabemos exatamente a composi\u00e7\u00e3o f\u00edsica e qu\u00edmica do solo deste planeta, que \u00e9 chamado de regolito&quot;, explica Gon\u00e7alves. <\/p>\n<p> &quot;Com essas informa\u00e7\u00f5es, cientistas desenvolveram um regolito marciano a partir de um material que tem uma consist\u00eancia parecida e \u00e9 retirado de um vulc\u00e3o no Hava\u00ed ou do deserto de Mojave, ambos nos EUA.&quot; <\/p>\n<p> Esse composto \u00e9 manipulado em laborat\u00f3rio para ficar 97% similar ao regolito marciano \u2014 ou seja, um solo que n\u00e3o possui nenhum nutriente ou mat\u00e9ria org\u00e2nica na composi\u00e7\u00e3o. <\/p>\n<p> Com a t\u00e9cnica, as esp\u00e9cies e os materiais definidos, Gon\u00e7alves estava pronta para botar a m\u00e3o na massa e ver como as plantas se desenvolveriam. <\/p>\n<p> &quot;E n\u00f3s ficamos muito felizes com os resultados que obtivemos&quot;, antecipa a astrobi\u00f3loga. O trabalho, que tamb\u00e9m contou com a contribui\u00e7\u00e3o dos cientistas Peter van der Putten e Jochem B. Evers, <a class href=\"https:\/\/journals.plos.org\/plosone\/article?id=10.1371\/journal.pone.0302149\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">foi publicado no in\u00edcio de maio na publica\u00e7\u00e3o acad\u00eamica Plos One.<\/a> <\/p>\n<p> &quot;Conseguimos demonstrar que a t\u00e9cnica funciona muito bem para uma das tr\u00eas esp\u00e9cies analisadas&quot;, complementa ela. <\/p>\n<p>         3 de 3&#013;Nas duas fichas comparativas, \u00e9 poss\u00edvel ver a diferen\u00e7a dos tomates cultivados na consorcia\u00e7\u00e3o (\u00e0 esquerda) ou como monocultura (\u00e0 direita) de acordo com o solo utilizado: areia (\u00e0 esquerda), regolito marciano (centro) e solo org\u00e2nico (\u00e0 direita) \u2014 Foto: Arquivo pessoal    <\/p>\n<p> Nas duas fichas comparativas, \u00e9 poss\u00edvel ver a diferen\u00e7a dos tomates cultivados na consorcia\u00e7\u00e3o (\u00e0 esquerda) ou como monocultura (\u00e0 direita) de acordo com o solo utilizado: areia (\u00e0 esquerda), regolito marciano (centro) e solo org\u00e2nico (\u00e0 direita) \u2014 Foto: Arquivo pessoal <\/p>\n<p> Nas estufas da universidade, os tomateiros cultivados no regolito marciano com o sistema de consorcia\u00e7\u00e3o produziram o dobro de frutos em compara\u00e7\u00e3o com as plantas da mesma esp\u00e9cie que cresceram sozinhas. <\/p>\n<p> &quot;Os tomateiros da consorcia\u00e7\u00e3o ainda se desenvolveram mais, tinham um tronco mais grosso e amadureceram mais cedo&quot;, diz Gon\u00e7alves. <\/p>\n<p> Para os p\u00e9s de ervilha, o resultado da compara\u00e7\u00e3o terminou no empate: essas plantas se desenvolveram de forma similar se foram plantadas juntas de outras esp\u00e9cies ou sozinhas. <\/p>\n<p> J\u00e1 as cenouras preferiram a monocultura (ou seja, o cultivo separado, num espa\u00e7o reservado apenas para esse vegetal). <\/p>\n<p> &quot;O fato de que a consorcia\u00e7\u00e3o funcionou para uma das esp\u00e9cies representa uma base incr\u00edvel para a gente construir pesquisas futuras&quot;, analisa a cientista. <\/p>\n<p> &quot;Agora a quest\u00e3o \u00e9 fazer pequenos ajustes, como modificar os nutrientes ou escolher outras esp\u00e9cies para compor o sistema.&quot; <\/p>\n<p> <strong>Leia tamb\u00e9m:<\/strong> <\/p>\n<ul>\n<li><a class href=\"https:\/\/g1.globo.com\/economia\/agronegocios\/agro-de-gente-pra-gente\/noticia\/2022\/10\/19\/de-onde-vem-o-que-eu-como-tomate-e-mais-fruta-que-o-morango-e-sua-origem-nao-e-italiana.ghtml\">Tomate \u00e9 &#x27;mais&#x27; fruta que o morango e sua origem n\u00e3o \u00e9 italiana <\/a><\/li>\n<li><strong>Como tirar a acidez do molho de tomate;<\/strong> <a class href=\"https:\/\/g1.globo.com\/economia\/agronegocios\/noticia\/2023\/07\/12\/como-tirar-a-acidez-do-molho-de-tomate-veja-dicas.ghtml\">veja dicas<\/a><\/li>\n<\/ul>\n<p><h2>Benef\u00edcios para os dois planetas<\/h2>\n<\/p>\n<p> Gon\u00e7alves refor\u00e7a que, embora a pesquisa tenha como foco as futuras expedi\u00e7\u00f5es humanas a Marte, ela pode gerar repercuss\u00f5es positivas no planeta que habitamos hoje. <\/p>\n<p> &quot;A Terra enfrenta um grande problema: cerca de 40% dos solos agr\u00edcolas foram degradados, em grande parte por causa da monocultura&quot;, estima ela. <\/p>\n<p> &quot;Essa \u00e9 uma quest\u00e3o que afeta 1,5 bilh\u00e3o de pessoas ao redor do mundo e tem repercuss\u00f5es na seguran\u00e7a alimentar e financeira de muitas fam\u00edlias, especialmente de pequenos produtores.&quot; <\/p>\n<p> A astrobi\u00f3loga destaca que as t\u00e9cnicas de consorcia\u00e7\u00e3o \u2014 como a que foi utilizada na pesquisa dela \u2014 s\u00e3o uma estrat\u00e9gia com efic\u00e1cia comprovada para fazer a regenera\u00e7\u00e3o do solo. <\/p>\n<p> &quot;Esses sistemas s\u00f3 n\u00e3o s\u00e3o utilizados em larga escala porque ainda s\u00e3o um tanto caros e requerem mais manuten\u00e7\u00e3o quando comparados \u00e0 monocultura&quot;, compara ela. <\/p>\n<p> J\u00e1 para as futuras col\u00f4nias de seres humanos que v\u00e3o para Marte, cultivar diversos alimentos em conjunto traz uma s\u00e9rie de vantagens, a come\u00e7ar pela otimiza\u00e7\u00e3o de recursos \u2014 afinal, \u00e9 poss\u00edvel usar uma por\u00e7\u00e3o de \u00e1gua ou fertilizantes num espa\u00e7o menor. <\/p>\n<p> Al\u00e9m das barreiras log\u00edsticas que dificultam um envio de remessas de comida a partir da Terra, h\u00e1 tamb\u00e9m uma quest\u00e3o de sa\u00fade que justifica o desenvolvimento de um &quot;agro do espa\u00e7o&quot;. <\/p>\n<p> At\u00e9 o momento, os astronautas sobrevivem com comidas desidratadas \u2014 por n\u00e3o carregarem \u00e1gua, elas s\u00e3o muito mais leves, compactas e f\u00e1ceis de transportar. <\/p>\n<p> &quot;S\u00f3 que esse processo de desidrata\u00e7\u00e3o elimina todos os antioxidantes dos alimentos, como as vitaminas A e C, o betacaroteno e o licopeno, que s\u00e3o essenciais para a sa\u00fade humana&quot;, explica a astrobi\u00f3loga. <\/p>\n<p> &quot;Isso significa que, se quisermos colonizar a Lua ou Marte, seremos obrigados a plantar alimentos frescos, pois h\u00e1 certos nutrientes que s\u00f3 existem nessas fontes&quot;, refor\u00e7a ela. <\/p>\n<p> Para a cientista, a primeira gera\u00e7\u00e3o de cultivares precisar\u00e1 contar com suprimentos externos, como nutrientes e fertilizantes vindos da Terra. <\/p>\n<p> &quot;Mas, a partir da segunda gera\u00e7\u00e3o, conseguiremos fazer um sistema autossustent\u00e1vel, em que usamos as partes n\u00e3o comest\u00edveis das plantas, al\u00e9m de fezes e urina humana, para fazer adubo&quot;, antev\u00ea ela. <\/p>\n<p> Esse cen\u00e1rio futuro remete ao filme Perdido em Marte, lan\u00e7ado em 2015. Na trama, o astronauta Mark Watney (Matt Damon) se v\u00ea sozinho no planeta vermelho e precisa encontrar meios de sobreviver. <\/p>\n<p> Numa das cenas, Watney cria uma planta\u00e7\u00e3o de batatas \u2014 e usa as pr\u00f3prias fezes para adubar o tub\u00e9rculo no solo marciano. <\/p>\n<p> &quot;\u00c9 totalmente poss\u00edvel pensar numa possibilidade dessas, como mostrado no cinema. Ali\u00e1s, esse filme teve um consultor cient\u00edfico que trabalhou na Nasa, ent\u00e3o boa parte do roteiro est\u00e1 alinhado com as evid\u00eancias&quot;, explica Gon\u00e7alves. <\/p>\n<p><h2>O Sistema Solar \u00e9 logo ali<\/h2>\n<\/p>\n<p> A cientista aponta que a explora\u00e7\u00e3o espacial vive uma nova era de ouro. <\/p>\n<p> O Programa Artemis, capitaneado pela Nasa, pretende &quot;estabelecer as funda\u00e7\u00f5es para a explora\u00e7\u00e3o cient\u00edfica de longo prazo da Lua&quot;, com miss\u00f5es programadas para 2025, 2026 e 2028. <\/p>\n<p> Em dois anos, a ag\u00eancia espacial pretende levar os primeiros astronautas ao Polo Sul de nosso sat\u00e9lite natural. J\u00e1 para 2028, est\u00e1 programado o in\u00edcio da constru\u00e7\u00e3o das bases de uma futura esta\u00e7\u00e3o espacial lunar. <\/p>\n<p> &quot;E, na pr\u00f3xima d\u00e9cada, \u00e9 muito prov\u00e1vel que os primeiros seres humanos sejam enviados a Marte tamb\u00e9m&quot;, acredita Gon\u00e7alves. <\/p>\n<p> Diante desse futuro nem t\u00e3o distante assim, a astrobi\u00f3loga destaca a necessidade de avan\u00e7ar nas pesquisas sobre a agricultura no espa\u00e7o. <\/p>\n<p> Ela lembra que o Brasil \u00e9 um dos signat\u00e1rios dos Acordos Artemis, uma s\u00e9rie de tratados pela explora\u00e7\u00e3o pac\u00edfica da Lua, de Marte e de outros objetos astron\u00f4micos. <\/p>\n<p> &quot;Nesses acordos, o Brasil se comprometeu como na\u00e7\u00e3o a fazer os estudos relacionados \u00e0 agricultura, j\u00e1 que \u00e9 refer\u00eancia mundial nessa \u00e1rea&quot;, informa a pesquisadora. <\/p>\n<p> A Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecu\u00e1ria (Embrapa) e a Ag\u00eancia Espacial Brasileira, inclusive, criaram uma parceria para desenvolver pesquisas que garantam a seguran\u00e7a alimentar das futuras col\u00f4nias lunares e marcianas. <\/p>\n<p> Enquanto tra\u00e7a os pr\u00f3ximos passos da carreira e j\u00e1 se desfez de impress\u00f5es antigas \u2014 como pensar que s\u00f3 astronautas poderiam trabalhar nesse universo \u2014, a astrobi\u00f3loga ressalta as oportunidaeds no setor espacial. <\/p>\n<p> &quot;N\u00e3o importa se voc\u00ea \u00e9 designer, engenheiro, bi\u00f3logo, qu\u00edmico, rela\u00e7\u00f5es p\u00fablicas, jornalista, diplomata&#8230; Sempre haver\u00e1 oportunidades numa \u00e1rea t\u00e3o ampla como essa&quot;, diz ela. <\/p>\n<p> &quot;E \u00e9 importante lembrar que o setor espacial tem impactos diretos no nosso mundo: diversas tecnologias essenciais hoje surgiram a partir de pesquisas nessa \u00e1rea, como \u00e9 o caso do GPS, do wi-fi, do telefone celular, das pr\u00f3teses e das roupas dos bombeiros&quot;, conclui ela. <\/p>\n<p><h2>Saiba como tomate \u00e9 produzido no Brasil:<\/h2>\n<\/p>\n<p>                   <img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"aligncenter size-full wp-image-61705\" src=\"https:\/\/blog.corretoraideal.com.br\/wp-content\/uploads\/2024\/06\/de-onde-vem-o-tomate.jpeg\" alt=\"De Onde Vem o tomate\" width=\"800\" height=\"400\" \/>       <\/p>\n<p> De Onde Vem o tomate <\/p>\n<ul> <\/ul>\n<h3> <a id=\"js-next-article-desktop-link\" class=\"next-article-desktop-link\"><\/a> <\/h3>\n<h3> <a id=\"js-next-article-smart-link\" class=\"next-article-smart-link\"><\/a> <\/h3>\n<p>Veja tamb\u00e9m<\/p>\n<\/p>\n<\/p>\n<p>       Anterior   Pr\u00f3ximo     <\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Tomates marcianos? Brasileira usa t\u00e9cnica maia para criar planta\u00e7\u00f5es em Marte Em projeto de mestrado nos Pa\u00edses Baixos, astrobi\u00f3loga investigou se cultivar diferentes esp\u00e9cies vegetais em conjunto pode ser uma maneira de otimizar recursos e garantir seguran\u00e7a alimentar para as futuras col\u00f4nias humanas no planeta vermelho. 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