{"id":62730,"date":"2024-06-29T16:29:48","date_gmt":"2024-06-29T16:29:48","guid":{"rendered":"https:\/\/blog.corretoraideal.com.br\/?p=62730"},"modified":"2024-06-29T16:29:48","modified_gmt":"2024-06-29T16:29:48","slug":"os-brasileiros-que-ganham-r-500-por-mes-para-treinar-inteligencias-artificiais-tecnologia-g1","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/blog.corretoraideal.com.br\/index.php\/2024\/06\/29\/os-brasileiros-que-ganham-r-500-por-mes-para-treinar-inteligencias-artificiais-tecnologia-g1\/","title":{"rendered":"Os brasileiros que ganham R$ 500 por m\u00eas para treinar intelig\u00eancias artificiais | Tecnologia | G1"},"content":{"rendered":"<br \/>\n<h1>Os brasileiros que ganham R$ 500 por m\u00eas para treinar intelig\u00eancias artificiais<\/h1>\n<h2> Os \u2018oper\u00e1rios de dados\u2019 s\u00e3o o equivalente ao ch\u00e3o de f\u00e1brica da IA. Eles executam nos bastidores uma s\u00e9rie intermin\u00e1vel de microtarefas para aperfei\u00e7oar sistemas. S\u00e3o essenciais, mas mal remunerados, apesar de v\u00e1rios terem diploma universit\u00e1rio, e, por isso, t\u00eam que acumular empregos.<\/h2>\n<p>       <a href=\"http:\/\/www.bbc.com\/portuguese\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">    <\/a>   <\/p>\n<p> Por Filipe Vilicic, Sabrina Brito <\/p>\n<p>  27\/06\/2024 05h30    Atualizado  27\/06\/2024    <\/p>\n<p>                      1 de 4&#013;Gustavo Luiz, 19 anos, divide-se entre o curso de intelig\u00eancia artificial e o emprego como oper\u00e1rio de dados \u2014 Foto: Arquivo pessoal via BBC    <\/p>\n<p> Gustavo Luiz, 19 anos, divide-se entre o curso de intelig\u00eancia artificial e o emprego como oper\u00e1rio de dados \u2014 Foto: Arquivo pessoal via BBC <\/p>\n<p> O mercado bilion\u00e1rio da intelig\u00eancia artificial (IA) tem atra\u00eddo talentos brasileiros com sal\u00e1rios muito acima da m\u00e9dia para engenheiros, matem\u00e1ticos e outros profissionais que se destacam na \u00e1rea. <\/p>\n<p> Mas nem todos os envolvidos com esta tecnologia est\u00e3o em uma posi\u00e7\u00e3o invej\u00e1vel. <\/p>\n<p> H\u00e1 todo um contingente de trabalhadores terceirizados que fazem um trabalho manual laborioso, ganham menos da metade de um sal\u00e1rio m\u00ednimo, em m\u00e9dia, e, por isso, t\u00eam mais de um emprego para conseguir pagar as contas \u2014 mas s\u00e3o essenciais para que os sistemas de IA sejam capazes de operar. <\/p>\n<p>Os chamados \u201coper\u00e1rios de dados\u201d s\u00e3o considerados \u201ctrabalhadores fantasmas\u201d porque executam nos bastidores uma s\u00e9rie intermin\u00e1vel de microtarefas para refinar as intelig\u00eancias artificiais.<\/p>\n<p> &quot;Os sistemas de IA requerem muito trabalho humano manual e discreto para funcionarem, o que evidentemente contradiz a narrativa dominante da progressiva e inexor\u00e1vel automa\u00e7\u00e3o\u201d, diz a soci\u00f3loga Paola Tubaro, especializada da ci\u00eancia da computa\u00e7\u00e3o e professora e pesquisadora do Centro de Pesquisa em Economia e Estat\u00edstica, na Fran\u00e7a. <\/p>\n<p> \u201cPor isso, empresas de tecnologia e desenvolvedores de IA n\u00e3o se disp\u00f5em a divulgar esse tipo de trabalho, que assim permanece escondido, ou seja, &#x27;fantasma&#x27;&quot;. <\/p>\n<ul>\n<li><a class href=\"https:\/\/g1.globo.com\/tecnologia\/noticia\/2023\/01\/21\/foi-uma-tortura-o-trabalho-nos-bastidores-para-tirar-conteudo-toxico-do-robo-chatgpt.ghtml\">&#x27;Foi uma tortura&#x27;: o trabalho nos bastidores para tirar conte\u00fado t\u00f3xico do rob\u00f4 ChatGPT<\/a><\/li>\n<\/ul>\n<p> Mas o que faz um oper\u00e1rio dos dados? <\/p>\n<p> &quot;Eles inserem dados para treinar e moderar sistemas e atividades de IA&quot;, explica Rafael Grohmann, professor da Universidade de Toronto que pesquisa o trabalho no mundo contempor\u00e2neo. <\/p>\n<p> Esse tipo de atividade ficou conhecida como microtrabalho, pela natureza fragmentada das tarefas envolvidas. O fen\u00f4meno \u00e9 novo, assim como os termos usados para descrev\u00ea-lo, diz Grohmann. <\/p>\n<p>\u201cTemos usado muito o termo data workers [oper\u00e1rios de dados, em tradu\u00e7\u00e3o livre do ingl\u00eas], o que os diferencia dos tech workers [profissionais de tecnologia], que s\u00e3o os respons\u00e1veis por produzir, projetar e analisar os dados da IA&quot;.<\/p>\n<p> Na pr\u00e1tica, esses trabalhadores (de dados) tamb\u00e9m podem ser chamados de &quot;treinadores de IA&quot;. <\/p>\n<p> Pegue um sistema como o <a class href=\"https:\/\/g1.globo.com\/tudo-sobre\/chatgpt\/\">ChatGPT<\/a>, por exemplo. Os \u201ctreinadores\u201d s\u00e3o respons\u00e1veis por alimentar o rob\u00f4 com as informa\u00e7\u00f5es e dados que ele precisa para responder perguntas de usu\u00e1rios, auxiliar em tradu\u00e7\u00f5es, fazer pesquisas, dentre outras tarefas. <\/p>\n<p> Praticamente todos os sistemas de IA dependem destes oper\u00e1rios de dados. Redes sociais, por exemplo, os contratam para monitorar as postagens e intera\u00e7\u00f5es e detectar a\u00e7\u00f5es que ferem suas regras ou a lei. <\/p>\n<p> Na compara\u00e7\u00e3o com uma f\u00e1brica tradicional, esses profissionais seriam o ch\u00e3o de f\u00e1brica. <\/p>\n<p> &quot;A l\u00f3gica do que \u00e9 a classe oper\u00e1ria vai mudando com o tempo. Essa \u00e9 uma nova apresenta\u00e7\u00e3o do que s\u00e3o os blue-collars [termo em ingl\u00eas para a classe oper\u00e1ria] e os white-collars [os executivos, que est\u00e3o longe das tarefas manuais]&quot;, diz Grohmann. <\/p>\n<ul>\n<li><a class href=\"https:\/\/g1.globo.com\/tecnologia\/noticia\/2024\/06\/11\/android-no-brasil-ganha-modo-ladrao-recurso-bloqueia-tela-do-celular-caso-alguem-o-arranque-de-sua-mao.ghtml\">Brasil ser\u00e1 1\u00ba pa\u00eds no mundo a ter &#x27;modo ladr\u00e3o&#x27; em celulares Android; veja como vai funcionar<\/a><\/li>\n<\/ul>\n<p><h2>Quanto ganha um oper\u00e1rio de dados?<\/h2>\n<\/p>\n<p>         2 de 4&#013;Muitas vezes, os oper\u00e1rios de dados acumulam trabalhos para conseguirem pagar as contas \u2014 Foto: GETTY IMAGES    <\/p>\n<p> Muitas vezes, os oper\u00e1rios de dados acumulam trabalhos para conseguirem pagar as contas \u2014 Foto: GETTY IMAGES <\/p>\n<p> Os oper\u00e1rios de dados ganham, em m\u00e9dia, R$ 583,71 por m\u00eas em um emprego, segundo a pesquisa Microtrabalho no Brasil: Quem s\u00e3o os trabalhadores por tr\u00e1s da intelig\u00eancia artificial. <\/p>\n<p> Esses trabalhadores ganham por cada tarefa conclu\u00edda e n\u00e3o por hora trabalhada. Segundo o estudo, esse valor m\u00e9dio mensal corresponde a cerca de 15,5 horas de dedica\u00e7\u00e3o por semana (cerca de R$ 37,66 por hora, na m\u00e9dia). <\/p>\n<p> Segundo um estudo de 2018 da Organiza\u00e7\u00e3o Internacional do Trabalho realizado com 3,5 mil microtrabalhadores de 75 pa\u00edses, a m\u00e9dia global de ganho por hora \u00e9 de US$ 4,43 (cerca de R$ 24, em valores atuais). <\/p>\n<p> Mas, enquanto nos Estados Unidos o valor \u00e9 maior, de US$ 4,70 (cerca de R$ 25), os oper\u00e1rios de dados da \u00c1frica faturam bem menos, US$ 1,33 (cerca de R$ 7) por hora. <\/p>\n<p>No Brasil, de acordo com a pesquisa Microtrabalho no Brasil, o valor gira em torno de US$ 1,60 (cerca R$ 9).<\/p>\n<p> A pesquisa, conduzida por Tubaro junto com o psic\u00f3logo brasileiro Matheus Viana Braz e o soci\u00f3logo italiano Antonio Casilli, fez uma radiografia da situa\u00e7\u00e3o do trabalho fantasma no Brasil. <\/p>\n<p> Esse valor fica muito aqu\u00e9m do que os empregadores prometiam a esses trabalhadores que ganhariam realizando estas fun\u00e7\u00f5es. <\/p>\n<p> Os 477 trabalhadores fantasmas ouvidos pela pesquisa esperavam receber tr\u00eas vezes isso, cerca de R$ 1,6 mil por m\u00eas. <\/p>\n<p> Pelo ganho bem abaixo do esperado, eles costumam acumular empregos, por vezes na mesma \u00e1rea, e conseguem com as m\u00faltiplas jornadas chegar a uma renda mensal m\u00e9dia de R$ 1,8 mil. <\/p>\n<p> O pesquisador em inova\u00e7\u00e3o e ci\u00eancia de dados Mauro Zackiewicz, de 50 anos, que tem um doutorado nesta \u00e1rea, conta que trabalhou por pouco menos de um m\u00eas para uma fabricante de celulares recebendo documentos, como \u00e1udios triviais, conversas curtas e, por vezes cenas de filmes ou novelas. <\/p>\n<p> \u201cTinha de corrigir tudo, provavelmente para alimentar de dados um sistema de reconhecimento de voz, mas nem chegaram a me contar para o que faz\u00edamos aquilo&quot;, conta ele. <\/p>\n<p>&quot;Ganhava pouca coisa, dava apenas para a subsist\u00eancia, e nem tinha contrato, o que \u00e9, digamos assim, curioso para uma grande empresa.&quot;<\/p>\n<p> A pesquisa Microtrabalho no Brasil constatou que 66% dessa for\u00e7a de trabalho s\u00f3 ganha o suficiente para pagar as contas mais b\u00e1sicas. <\/p>\n<p> A grande concorr\u00eancia entre esses trabalhadores \u00e9 um fator que contribui para os sal\u00e1rios baixos, explica Tubaro. <\/p>\n<p> &quot;As plataformas querem garantir m\u00e3o-de-obra suficiente para atender picos de demandas. O resultado \u00e9 que, na maior parte do tempo, h\u00e1 excesso de trabalhadores e, por consequ\u00eancia, muita competi\u00e7\u00e3o entre eles&quot;, explica a soci\u00f3loga. <\/p>\n<p> Isso significa que, na pr\u00e1tica, os oper\u00e1rios de dados n\u00e3o conseguem bater as metas estabelecidas pelos empregadores e, como s\u00e3o remunerados de acordo com isso, ganham valores reduzidos por cada hora trabalhada. <\/p>\n<p><h2>Quem s\u00e3o os trabalhadores fantasmas?<\/h2>\n<\/p>\n<p>         3 de 4&#013;Guilherme Graper, 24 anos, conta que seus ganhos no setor variam muito \u2014 Foto: Arquivo pessoal via BBC    <\/p>\n<p> Guilherme Graper, 24 anos, conta que seus ganhos no setor variam muito \u2014 Foto: Arquivo pessoal via BBC <\/p>\n<p> A pesquisa Microtrabalho no Brasil constatou que h\u00e1 muitas pessoas com diploma universit\u00e1rio fazendo esse tipo de servi\u00e7o. <\/p>\n<p> Dos quinze participantes selecionados para entrevistas, como uma amostra representativa do setor, treze eram formados em cursos variados, como direito, administra\u00e7\u00e3o, ci\u00eancias da computa\u00e7\u00e3o e fisioterapia. <\/p>\n<p> Sete em cada dez trabalhadores deste mercado t\u00eam entre 18 e 35 anos, segundo o estudo. De cada cinco, tr\u00eas s\u00e3o mulheres. <\/p>\n<p> A maioria mora nos Estados de S\u00e3o Paulo (28,8%), Rio de Janeiro (12,6%) e Minas Gerais (9,7%). <\/p>\n<p> O estudante Gustavo Luiz, de 19 anos, se divide entre o curso de intelig\u00eancia artificial da Universidade Federal de Goi\u00e1s, e o emprego como oper\u00e1rio de dados. <\/p>\n<p> \u201cEstou trabalhado no desenvolvimento de um sistema de IA para analisar sentimentos expressos em textos e frases em portugu\u00eas\u201d, conta ele. <\/p>\n<p> \u201cEsse modelo vai receber dados e tentar encontrar padr\u00f5es, como de sentimentos, em coment\u00e1rios nas redes sociais.\u201d <\/p>\n<p> Por ser um fen\u00f4meno detectado mais recentemente, n\u00e3o h\u00e1 dados precisos sobre o aumento da demanda por esse tipo de trabalho no Brasil. <\/p>\n<p>Mas ofertas do tipo em plataformas de trabalho, como a rede social LinkedIn, t\u00eam se multiplicado. Para come\u00e7ar a trabalhar com isso, normalmente basta se cadastrar em um site e seguir as orienta\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p> Guilherme Graper, de 24 anos, conta que trabalha em uma plataforma da <a class href=\"https:\/\/g1.globo.com\/tudo-sobre\/amazon\/\">Amazon<\/a>, mas contratado por outras empresas. <\/p>\n<p> &quot;Por exemplo, tem uma demanda de colocar nomes de m\u00e9dicos nesse sistema para treinar uma IA para pesquisar por m\u00e9dicos em toda a internet&quot;, explica. <\/p>\n<p> Os ganhos variam muito. Guilherme diz que j\u00e1 chegou a tirar em um m\u00eas apenas R$ 300, mas tamb\u00e9m j\u00e1 ultrapassou a casa dos R$ 5 mil. Em m\u00e9dia, ele calcula que ganha cerca de R$ 2 mil mensais. <\/p>\n<p><h2>Trabalhadores terceirizados do \u2018Sul global\u2019<\/h2>\n<\/p>\n<p> Na maioria dos casos, as empresas que contratam trabalhadores fantasmas prestam na verdade servi\u00e7os para outras bem maiores. <\/p>\n<p> Gigantes de tecnologia, como <a class href=\"https:\/\/g1.globo.com\/tudo-sobre\/meta\/\">Meta<\/a> (do <a class href=\"https:\/\/g1.globo.com\/tudo-sobre\/facebook\/\">Facebook<\/a> e <a class href=\"https:\/\/g1.globo.com\/tudo-sobre\/instagram\/\">Instagram<\/a>) e a OpenAI (do <a class href=\"https:\/\/g1.globo.com\/tudo-sobre\/chatgpt\/\">ChatGPT<\/a>) subcontratam os seus oper\u00e1rios de dados. <\/p>\n<p> &quot;Trata-se de uma realidade do Sul Global [termo que designa pa\u00edses mais pobres, a maioria localizada no hemisf\u00e9rio sul]. S\u00e3o trabalhadores na Venezuela, na Col\u00f4mbia, no Qu\u00eania&quot;, ressalta Grohmann. <\/p>\n<p>Apesar de estarem distantes dos maiores centros mundiais de tecnologia, como o Vale do Sil\u00edcio californiano, usualmente os oper\u00e1rios de dados treinam IAs de propriedade das grandes marcas do setor.<\/p>\n<p> &quot;A dist\u00e2ncia n\u00e3o \u00e9 somente geogr\u00e1fica, como tamb\u00e9m lingu\u00edstica e cultural. Geralmente, essa dist\u00e2ncia leva a redu\u00e7\u00e3o de custos para as empresas do Vale do Sil\u00edcio, mas resultam em baixa qualidade&quot;, comenta a soci\u00f3loga Paola Tubaro. <\/p>\n<p> Tanto a terceiriza\u00e7\u00e3o quanto a falta de regulamenta\u00e7\u00e3o da profiss\u00e3o levam tamb\u00e9m, segundo Tubaro, a &quot;pr\u00e1ticas sob condi\u00e7\u00f5es indesej\u00e1veis, com precariedade, baixos pagamentos, falta de reconhecimento, informalidade e, como em casos de modera\u00e7\u00e3o de conte\u00fado em redes sociais, riscos \u00e0 sa\u00fade mental&quot;. <\/p>\n<p>&quot;Os moderadores de conte\u00fado das redes sociais ainda est\u00e3o expostos a riscos psicol\u00f3gicos&quot;, completa Tubaro.<\/p>\n<p> Isso por efeito do contato di\u00e1rio com imagens de crueldade, crimes e outras atrocidades que s\u00e3o detectadas pelo algoritmo dessas plataformas e, depois, repassados para avalia\u00e7\u00e3o humana. <\/p>\n<p> \u00c9 a\u00ed que atuam os moderadores: no pente-fino do que pode ou n\u00e3o ser publicado em redes sociais. <\/p>\n<p>         4 de 4&#013;Os brasileiros que ganham R$ 500 por m\u00eas para treinar intelig\u00eancias artificiais \u2014 Foto: Getty Images via BBC    <\/p>\n<p> Os brasileiros que ganham R$ 500 por m\u00eas para treinar intelig\u00eancias artificiais \u2014 Foto: Getty Images via BBC <\/p>\n<p> J\u00e1 h\u00e1, contudo, iniciativas que visam regulamentar esse trabalho. \u00c9 o caso do projeto global Fairwork, coordenado pelo instituto Oxford Internet e pelo Centro de Ci\u00eancias Sociais WZB Berlin. <\/p>\n<p> Presente em 38 pa\u00edses de cinco continentes, inclusive no Brasil, a organiza\u00e7\u00e3o denuncia abusos relacionados aos trabalhadores de dados, al\u00e9m de propor solu\u00e7\u00f5es. <\/p>\n<p>Em todo o mundo, a Fairwork afirma ter convencido 64 empresas de tecnologia a implementar um total de 300 mudan\u00e7as em pol\u00edticas internas, como de sal\u00e1rios m\u00ednimos para a categoria.<\/p>\n<p> A organiza\u00e7\u00e3o \u00e9 influente principalmente na Europa, mas tamb\u00e9m tem presen\u00e7a no Brasil, onde tem atuado em prol da cria\u00e7\u00e3o de leis para regularizar essa categoria de trabalhadores. <\/p>\n<p> A Fairwork destaca em seu site que est\u00e1 &quot;envolvida com o grupo de trabalho tripartido do governo (brasileiro) que procura elaborar um projeto de lei para proteger os direitos dos trabalhadores&quot;. <\/p>\n<p> Al\u00e9m de atuar no Congresso em favor de leis que garantam mais direitos trabalhistas, a organiza\u00e7\u00e3o produz relat\u00f3rios que denunciam o cen\u00e1rio no Brasil. <\/p>\n<p> O documento, divulgado em 2023, apontou que, em uma an\u00e1lise de onze empresas do setor, apenas duas conseguiam garantir ao menos um sal\u00e1rio m\u00ednimo de pagamento a estes trabalhadores. <\/p>\n<p> Tubaro avalia que estas iniciativas podem ajudar a combater condi\u00e7\u00f5es de trabalho que s\u00e3o consideradas prec\u00e1rias. <\/p>\n<p> A pesquisadora destaca como bons exemplos leis recentemente aprovadas na Alemanha e na Fran\u00e7a e que, segundo avalia, &quot;exigem que pelo menos as grandes empresas exer\u00e7am a devida dilig\u00eancia no respeito dos direitos humanos e laborais ao longo de suas cadeias de abastecimento&quot;. <\/p>\n<p> Trata-se de um problema global. A Fairwork produz relat\u00f3rios sobre os cen\u00e1rios para os microtrabalhadores em 36 pa\u00edses, tanto em desenvolvimento, como Argentina, Qu\u00eania e \u00cdndia, quanto desenvolvidos, como Fran\u00e7a e Estados Unidos. <\/p>\n<p> Segundo um desses relat\u00f3rios, 16% dos trabalhadores americanos realizam alguma forma de microtrabalho, mesmo que como renda secund\u00e1ria. \u00c9 o pa\u00eds que lidera o ranking neste quesito. <\/p>\n<p> Dentre a atua\u00e7\u00e3o de treze empresas nos Estados Unidos, apenas 3 alcan\u00e7aram os crit\u00e9rios estabelecidos para serem consideradas como ambientes de trabalho justos. <\/p>\n<p>&quot;H\u00e1 custos globais para esse r\u00e1pido desenvolvimento e pelo aumento da presen\u00e7a da IA&quot;, afirma o pesquisador Rafael Grohmann. &quot;Mas h\u00e1 especificidades para cada pa\u00eds e isso exige aten\u00e7\u00e3o&quot;.<\/p>\n<p> Em pa\u00edses como os Estados Unidos, esses trabalhadores costumam atuar mais, por exemplo, como motoristas de Uber. <\/p>\n<p> &quot;As tarefas mais prec\u00e1rias, como as de modera\u00e7\u00e3o de conte\u00fado, costumam ser terceirizadas para na\u00e7\u00f5es da \u00c1frica, da \u00c1sia e da Am\u00e9rica Latina&quot;, diz Grohmann. <\/p>\n<p> <strong>LEIA TAMB\u00c9M:<\/strong> <\/p>\n<ul>\n<li><a class href=\"https:\/\/g1.globo.com\/tecnologia\/noticia\/2024\/04\/07\/cientista-e-engenheiro-de-dados-estao-em-alta-e-tem-salario-que-pode-passar-de-r-20-mil-veja-como-entrar.ghtml\">Sal\u00e1rios de cientista e engenheiro de dados podem passar de R$ 20 mil<\/a><\/li>\n<li><a class href=\"https:\/\/g1.globo.com\/tecnologia\/noticia\/2023\/08\/17\/seguranca-da-informacao-tem-salario-de-r-38-mil-mas-nao-encontra-profissionais-veja-como-entrar.ghtml\">Seguran\u00e7a da informa\u00e7\u00e3o tem sal\u00e1rio de R$ 38 mil, mas n\u00e3o encontra profissionais<\/a><\/li>\n<li><a class href=\"https:\/\/g1.globo.com\/tecnologia\/noticia\/2023\/08\/17\/seguranca-da-informacao-tem-salario-de-r-38-mil-mas-nao-encontra-profissionais-veja-como-entrar.ghtml\">&#x27;J\u00e1 incentivo meus filhos&#x27;: profissionais contam como \u00e9 trabalhar com programa\u00e7\u00e3o<\/a><\/li>\n<\/ul>\n<p>                   <img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"aligncenter size-full wp-image-62732\" src=\"https:\/\/blog.corretoraideal.com.br\/wp-content\/uploads\/2024\/06\/seguranca-da-informacao-em-alta-veja-como-entrar-no-setor.jpeg\" alt=\"Seguran\u00e7a da informa\u00e7\u00e3o em alta: veja como entrar no setor\" width=\"800\" height=\"400\" \/>       <\/p>\n<p> Seguran\u00e7a da informa\u00e7\u00e3o em alta: veja como entrar no setor <\/p>\n<p>                    <img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"aligncenter size-full wp-image-62733\" src=\"https:\/\/blog.corretoraideal.com.br\/wp-content\/uploads\/2024\/06\/robo-que-faz-video-com-inteligencia-artificial-comete-gafes-5.jpeg\" alt=\"Rob\u00f4 que faz v\u00eddeo com intelig\u00eancia artificial comete gafes\" width=\"800\" height=\"400\" \/>       <\/p>\n<p> Rob\u00f4 que faz v\u00eddeo com intelig\u00eancia artificial comete gafes <\/p>\n<ul>\n<li> <a href=\"https:\/\/g1.globo.com\/tudo-sobre\/amazon\/\" class=\"entities__list-itemLink\" data-track-click=\"Amazon\"> Amazon <\/a> <\/li>\n<li> <a href=\"https:\/\/g1.globo.com\/tudo-sobre\/chatgpt\/\" class=\"entities__list-itemLink\" data-track-click=\"Chatgpt\"> Chatgpt <\/a> <\/li>\n<li> <a href=\"https:\/\/g1.globo.com\/tudo-sobre\/facebook\/\" class=\"entities__list-itemLink\" data-track-click=\"Facebook\"> Facebook <\/a> <\/li>\n<li> <a href=\"https:\/\/g1.globo.com\/tudo-sobre\/instagram\/\" class=\"entities__list-itemLink\" data-track-click=\"Instagram\"> Instagram <\/a> <\/li>\n<li> <a href=\"https:\/\/g1.globo.com\/tudo-sobre\/meta\/\" class=\"entities__list-itemLink\" data-track-click=\"Meta\"> Meta <\/a> <\/li>\n<\/ul>\n<h3> <a id=\"js-next-article-desktop-link\" class=\"next-article-desktop-link\"><\/a> <\/h3>\n<h3> <a id=\"js-next-article-smart-link\" class=\"next-article-smart-link\"><\/a> <\/h3>\n<p>Veja tamb\u00e9m<\/p>\n<\/p>\n<\/p>\n<p>       Anterior   Pr\u00f3ximo     <\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Os brasileiros que ganham R$ 500 por m\u00eas para treinar intelig\u00eancias artificiais Os \u2018oper\u00e1rios de dados\u2019 s\u00e3o o equivalente ao ch\u00e3o de f\u00e1brica da IA. Eles executam nos bastidores uma s\u00e9rie intermin\u00e1vel de microtarefas para aperfei\u00e7oar sistemas. S\u00e3o essenciais, mas mal remunerados, apesar de v\u00e1rios terem diploma universit\u00e1rio, e, por isso, t\u00eam que acumular empregos. 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