{"id":63767,"date":"2024-07-25T06:31:11","date_gmt":"2024-07-25T06:31:11","guid":{"rendered":"https:\/\/blog.corretoraideal.com.br\/?p=63767"},"modified":"2024-07-25T06:31:11","modified_gmt":"2024-07-25T06:31:11","slug":"por-que-tem-tanto-boi-na-amazonia-agronegocios-g1","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/blog.corretoraideal.com.br\/index.php\/2024\/07\/25\/por-que-tem-tanto-boi-na-amazonia-agronegocios-g1\/","title":{"rendered":"Por que tem tanto boi na Amaz\u00f4nia? | Agroneg\u00f3cios | G1"},"content":{"rendered":"<br \/>\n<h1>Por que tem tanto boi na Amaz\u00f4nia?<\/h1>\n<h2>Derrubada da floresta para forma\u00e7\u00e3o de pastagens come\u00e7ou nos anos 1960, na ditadura. A chamada Amaz\u00f4nia legal concentra 44% do rebanho bovino do Brasil atualmente.<\/h2>\n<p> Por <a class=\"multi_signatures\" href=\"https:\/\/g1.globo.com\/autores\/paula-salati\/\">Paula Salati<\/a>, g1 <\/p>\n<p>  25\/07\/2024 02h00    Atualizado  25\/07\/2024    <\/p>\n<p>                             <img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"aligncenter size-full wp-image-63769\" src=\"https:\/\/blog.corretoraideal.com.br\/wp-content\/uploads\/2024\/07\/por-que-tem-tanto-boi-na-amazonia-1.jpeg\" alt=\"Por que tem tanto boi na Amaz\u00f4nia?\" width=\"800\" height=\"400\" \/>       <\/p>\n<p> Por que tem tanto boi na Amaz\u00f4nia? <\/p>\n<p> O que se chama hoje de <strong>Amaz\u00f4nia legal abrange oito estados<\/strong> (todos os da Regi\u00e3o Norte e o Mato Grosso), al\u00e9m de parte do Maranh\u00e3o. Ali est\u00e1 <strong>a maior concentra\u00e7\u00e3o<\/strong> (44%) <strong>de rebanho bovino do Brasil<\/strong>. Mas como eles foram parar l\u00e1? <\/p>\n<ul>\n<li><a class href=\"https:\/\/g1.globo.com\/economia\/agronegocios\/agro-de-gente-pra-gente\/noticia\/2024\/07\/23\/serie-pf-prato-do-futuro-mostra-solucoes-para-desafios-da-producao-de-alimentos-no-brasil.ghtml\">PF, prato do futuro: s\u00e9rie do g1 aborda solu\u00e7\u00f5es para desafios do agro<\/a><\/li>\n<\/ul>\n<p> A pecu\u00e1ria na Amaz\u00f4nia tem 402 anos de hist\u00f3ria, mas se intensificou por volta dos anos de 1960, quando o governo da ditadura militar atraiu grandes investidores para a regi\u00e3o atrav\u00e9s de incentivos fiscais e com slogans como &quot;Toque sua boiada para o maior pasto do mundo&quot;. <\/p>\n<p> Na \u00e9poca, a maioria dos empres\u00e1rios que migraram para a regi\u00e3o optou pela cria\u00e7\u00e3o de gado, pois ela permitia uma ocupa\u00e7\u00e3o mais r\u00e1pida do territ\u00f3rio, ao demandar menos investimentos em m\u00e3o de obra e tecnologia <a class href=\"https:\/\/g1.globo.com\/economia\/agronegocios\/agro-de-gente-pra-gente\/noticia\/2024\/07\/23\/como-a-amazonia-se-tornou-berco-do-maior-rebanho-de-bois-no-brasil.ghtml#inicio\">(saiba mais).<\/a> <\/p>\n<p>         1 de 4&#013;Amazonia Legal. \u2014 Foto: B\u00e1rbara Miranda    <\/p>\n<p> Amazonia Legal. \u2014 Foto: B\u00e1rbara Miranda <\/p>\n<p> A expans\u00e3o da atividade deu in\u00edcio a um processo acelerado de desmatamento da regi\u00e3o, que se seguiu nas d\u00e9cadas seguintes, apoiado tamb\u00e9m pela minera\u00e7\u00e3o e agricultura &#8211; principalmente pela soja, a partir de meados dos anos de 1990. <\/p>\n<p> A extra\u00e7\u00e3o de madeira tamb\u00e9m devastou o bioma, mas ela n\u00e3o \u00e9 classificada como desmatamento por n\u00e3o remover toda a vegeta\u00e7\u00e3o. <\/p>\n<p>                   <img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"aligncenter size-full wp-image-63770\" src=\"https:\/\/blog.corretoraideal.com.br\/wp-content\/uploads\/2024\/07\/o-que-a-pecuaria-tem-a-ver-com-o-desmatamento-da-amazonia-1.jpeg\" alt=\"O que a pecu\u00e1ria tem a ver com o desmatamento da Amaz\u00f4nia?\" width=\"800\" height=\"400\" \/>       <\/p>\n<p> O que a pecu\u00e1ria tem a ver com o desmatamento da Amaz\u00f4nia? <\/p>\n<p> Apesar de outras atividades contribu\u00edrem para a derrubada de floresta, a<strong> pecu\u00e1ria sempre despontou como a principal causa de desmatamento da Amaz\u00f4nia.<\/strong> <\/p>\n<p> \u27a1\ufe0fDe <strong>1985 a 2022, 88% das \u00e1reas desmatadas viraram pastagem<\/strong>, 11%, agricultura e 1%, silvicultura, destaca a porta-voz do Greenpeace Brasil Ana Clis Ferreira, que consolidou dados da plataforma MapBiomas, que re\u00fane estat\u00edsticas de desmatamento dos \u00faltimos 39 anos. <\/p>\n<p> \u27a1\ufe0fUm recorte temporal mais recente mostra uma din\u00e2mica semelhante no que diz respeito \u00e0 cria\u00e7\u00e3o de gado: <strong>96,4% das \u00e1reas desmatadas entre 2018 e 2022 foram convertidas em pastagens<\/strong>, enquanto 0,83% viraram minera\u00e7\u00e3o e 0,68%, agricultura. <\/p>\n<p> <strong>Quer saber mais? <\/strong>Veja nos t\u00f3picos abaixo: <\/p>\n<ul>\n<li>como se deu a especula\u00e7\u00e3o de terras na Amaz\u00f4nia;<\/li>\n<li>como a pecu\u00e1ria se estabeleceu na Amaz\u00f4nia;<\/li>\n<li>quando ela come\u00e7ou a provocar desmatamento;<\/li>\n<li>as pesquisas para aumentar a produ\u00e7\u00e3o sem desmatar;<\/li>\n<li>o que explica as taxas de desmatamento entre 2000 e 2023.<\/li>\n<\/ul>\n<p><h2>Especula\u00e7\u00e3o de terras<\/h2>\n<\/p>\n<p> Segundo o coordenador do Laborat\u00f3rio de Ecologia e Restaura\u00e7\u00e3o Florestal da USP Ricardo Rodrigues, a <strong>abertura de pastagens, atualmente, est\u00e1 mais relacionada a um<\/strong> <strong>problema de especula\u00e7\u00e3o de terras do que com a necessidade de aumentar a produ\u00e7\u00e3o. <\/strong>Isso porque, hoje, o Brasil j\u00e1 tem t\u00e9cnicas para expandir a cria\u00e7\u00e3o de gado nos pastos que j\u00e1 existem. <\/p>\n<p>&quot;Infelizmente, no mercado da terra no Brasil, principalmente na Amaz\u00f4nia, a \u00e1rea sem florestas vale muito mais que a \u00e1rea com florestas. No munic\u00edpio de Paragominas, por exemplo, uma \u00e1rea sem floresta vale R$ 30 mil o hectare ou mais. E uma \u00e1rea com floresta vale R$ 3 mil o hectare&quot;, diz Rodrigues.<\/p>\n<p> &quot;O \u00fanico detalhe \u00e9 que a <strong>pecu\u00e1ria \u00e9 a atividade agr\u00edcola mais barata e mais f\u00e1cil de ser tocada nessas condi\u00e7\u00f5es<\/strong>. Ent\u00e3o, por isso, ela entra como uma op\u00e7\u00e3o de uso daquela terra\u201d, acrescenta. <\/p>\n<p> \u201cO pecuarista [&#8230;] que est\u00e1 na frente do desmatamento, ele n\u00e3o est\u00e1 preocupado com a produtividade da sua pecu\u00e1ria, mas em manter aquela \u00e1rea aberta para, no futuro, conseguir vender&quot;, conclui Rodrigues. <\/p>\n<p> Segundo ele, <strong>esse tipo de situa\u00e7\u00e3o \u00e9 diferente do pecuarista da Amaz\u00f4nia que, realmente, tem na cria\u00e7\u00e3o de gado a sua fonte de renda<\/strong>. &quot;Esses est\u00e3o focados na atividade e fazem tudo com nota, pagando imposto&quot;. <\/p>\n<ul>\n<li><a class href=\"https:\/\/g1.globo.com\/economia\/agronegocios\/noticia\/2023\/11\/03\/brasil-tem-9-vezes-mais-gado-e-galinha-do-que-gente-mapa-mostra-quantos-sao-na-sua-cidade.ghtml\">Brasil tem 9 vezes mais gado e galinha do que gente<\/a><\/li>\n<\/ul>\n<p><h2>Onde est\u00e1 o problema<\/h2>\n<\/p>\n<p> A diretora de Ci\u00eancia do Instituto de Pesquisa Ambiental da Amaz\u00f4nia (Ipam) Ane Alencar diz que, de fato, o<strong> desmatamento na Amaz\u00f4nia \u00e9 mais recorrente em terras p\u00fablicas invadidas ilegalmente do que em propriedades privadas<\/strong>. <\/p>\n<p>         2 de 4&#013;Florestas Convertidas em Pastagens na Amaz\u00f4nia V2 &#8211; Mob \u2014 Foto: B\u00e1rbara Miranda e Ighor Jesus | Arte g1    <\/p>\n<p> Florestas Convertidas em Pastagens na Amaz\u00f4nia V2 &#8211; Mob \u2014 Foto: B\u00e1rbara Miranda e Ighor Jesus | Arte g1 <\/p>\n<p>Mas o grande n\u00f3 de tudo isso \u00e9 que toda a cadeia de produ\u00e7\u00e3o de carne, desde os produtores regulares at\u00e9 os frigor\u00edficos, acaba contribuindo com o desmatamento quando compra animal de \u00e1reas desmatadas.<\/p>\n<p> E essa \u00e9 uma situa\u00e7\u00e3o recorrente. Tanto \u00e9 que,<strong> em 2009, o Minist\u00e9rio P\u00fablico Federal (MPF) fechou acordos com frigor\u00edficos da Amaz\u00f4nia<\/strong> exigindo que eles parassem de comprar bois de \u00e1reas desmatadas. A iniciativa foi criada ap\u00f3s a divulga\u00e7\u00e3o de um relat\u00f3rio do Greenpeace chamado &quot;Farra do boi na Amaz\u00f4nia&quot;, que denunciava a situa\u00e7\u00e3o. <\/p>\n<p> <strong>Esses acordos, contudo, s\u00e3o volunt\u00e1rios e o Brasil ainda n\u00e3o tem uma pol\u00edtica p\u00fablica<\/strong> de rastreabilidade da cadeia bovina para fins ambientais. <\/p>\n<p> De 2009 para c\u00e1, entretanto, o mercado de carne, principalmente os frigor\u00edficos, tem tentado se adequar, diante de press\u00f5es grandes supermercados, restaurantes e importadores de carne, como a Uni\u00e3o Europeia, que ir\u00e1 proibir a entrada de produtos com desmatamento a partir de 2025. <\/p>\n<p> \u00c9 por isso que nos \u00faltimos 15 anos, frigor\u00edficos e ONGs brasileiras v\u00eam criando formas de rastrear a origem da carne, mas, at\u00e9 o momento,<strong> s\u00f3 t\u00eam conseguem monitorar, com precis\u00e3o, seus fornecedores diretos, ou seja, as fazendas que vendem boi diretamente a eles<\/strong>. <\/p>\n<p>&quot;\u00c0s vezes, o animal passa por quatro, cinco fazendas antes de chegar na propriedade que vai vender para o frigor\u00edfico. Ent\u00e3o a gente s\u00f3 est\u00e1 olhando para a \u00faltima fazenda. A gente precisa olhar para as demais&quot;, conta o procurador do MPF Daniel Azeredo. <\/p>\n<p> Essas outras propriedades s\u00e3o conhecidas como <strong>fornecedores diretos<\/strong>. <\/p>\n<p> O <a class href=\"https:\/\/g1.globo.com\/\"><strong>g1<\/strong><\/a><strong> <\/strong>visitou um pecuarista da Amaz\u00f4nia que est\u00e1 implementando um <a class href=\"https:\/\/g1.globo.com\/economia\/agronegocios\/agro-de-gente-pra-gente\/noticia\/2024\/07\/23\/boi-com-chip-na-amazonia-como-funciona-o-rastreamento-para-saber-se-a-carne-esta-livre-de-desmatamento.ghtml\">sistema de rastreabilidade individual do seu rebanho com chips e brincos<\/a>, uma forma que pode controlar melhor as compras das fazendas e frigor\u00edfico. <strong>Veja abaixo<\/strong>. <\/p>\n<p>                   <img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"aligncenter size-full wp-image-63771\" src=\"https:\/\/blog.corretoraideal.com.br\/wp-content\/uploads\/2024\/07\/pf-prato-do-futuro-o-rastreamento-de-bois-com-chip-na-amazonia-1.jpeg\" alt=\"PF, prato do futuro: o rastreamento de bois com chip na Amaz\u00f4nia\" width=\"800\" height=\"400\" \/>       <\/p>\n<p> PF, prato do futuro: o rastreamento de bois com chip na Amaz\u00f4nia <\/p>\n<p><h2>Boi &#x27;p\u00e9 duro&#x27; e carne cara<\/h2>\n<\/p>\n<p> A pecu\u00e1ria na Amaz\u00f4nia come\u00e7ou no s\u00e9culo 17, quando colonizadores portugueses levaram, para a regi\u00e3o, cabe\u00e7as de gado oriundas da Pen\u00ednsula Ib\u00e9rica. Os animais entraram por Bel\u00e9m (PA) e foram se espalhando para outras regi\u00f5es, como a Ilha do Maraj\u00f3, que se tornou o maior centro pecu\u00e1rio da Amaz\u00f4nia at\u00e9 os anos de 1960. <\/p>\n<p> Na \u00e9poca, o gado criado na regi\u00e3o era o crioulo, tamb\u00e9m conhecido como &quot;p\u00e9-duro&quot;, justamente por sua carne n\u00e3o ser nada macia. Al\u00e9m disso, ele levava at\u00e9 10 anos para ser engordado &#8211; hoje se engorda um boi em tr\u00eas anos. <\/p>\n<p> Por esses motivos, os estados da Amaz\u00f4nia tinham que comprar carne de outras regi\u00f5es do pa\u00eds, conta Moacyr Bernardino Dias Filho, pesquisador da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecu\u00e1ria (Embrapa), na unidade Amaz\u00f4nia Oriental. <\/p>\n<p>&quot;A carne bovina vinha de avi\u00e3o. Eles eram conhecidos como &#x27;avi\u00f5es carniceiros&#x27; e vinham do antigo Goi\u00e1s [Tocantins]. Ent\u00e3o, imagina o pre\u00e7o dessa carne&quot;, diz o pesquisador.<\/p>\n<p> Nesse per\u00edodo, as pastagens eram naturais, ou seja, n\u00e3o eram plantadas. <\/p>\n<p> <a class href=\"https:\/\/g1.globo.com\/economia\/agronegocios\/agro-de-gente-pra-gente\/noticia\/2024\/07\/23\/boi-com-chip-na-amazonia-como-funciona-o-rastreamento-para-saber-se-a-carne-esta-livre-de-desmatamento.ghtml#topo\">&gt;&gt;&gt;Volte ao topo&lt;&lt;&lt;<\/a> <\/p>\n<p><h2>Pecu\u00e1ria cresceu na ditadura<\/h2>\n<\/p>\n<p> A partir dos anos de 1960, a pecu\u00e1ria come\u00e7ou a se desenvolver mais intensamente na Amaz\u00f4nia, com a inaugura\u00e7\u00e3o da rodovia Bel\u00e9m-Bras\u00edlia, em 1959, impulsionando a cria\u00e7\u00e3o de gado em \u00e1reas pr\u00f3ximas da nova estrada. <\/p>\n<p> Segundo Dias Filho, essas fazendas eram de pequena escala, pois muitas n\u00e3o tinham recursos para aumentar as pastagens, situa\u00e7\u00e3o que come\u00e7a a mudar em 1966, quando o governo militar implementou a Opera\u00e7\u00e3o Amaz\u00f4nia, uma pol\u00edtica p\u00fablica para atrair investidores para a regi\u00e3o. <\/p>\n<p> A diretora de Ci\u00eancia do Instituto de Pesquisa Ambiental da Amaz\u00f4nia (Ipam) Ane Alencar pontua que, nesta \u00e9poca, a Amaz\u00f4nia foi vista pelo governo como um &quot;inferno verde&quot;, uma terra &quot;que tinha que ser ocupada e desmatada&quot; sob o risco de ser &quot;invadida&quot; por estrangeiros. <\/p>\n<p>         3 de 4&#013;Publicidade do governo em que incentivava a migra\u00e7\u00e3o para a Amaz\u00f4nia, de dezembro de 1971 \u2014 Foto: Reprodu\u00e7\u00e3o\/ Acervo O Globo    <\/p>\n<p> Publicidade do governo em que incentivava a migra\u00e7\u00e3o para a Amaz\u00f4nia, de dezembro de 1971 \u2014 Foto: Reprodu\u00e7\u00e3o\/ Acervo O Globo <\/p>\n<p>&quot;A Opera\u00e7\u00e3o Amaz\u00f4nia oferecia muitas benesses para os empreendedores: juros praticamente negativos nos empr\u00e9stimos e diminui\u00e7\u00e3o de imposto de renda&quot;, pontua o pesquisador da Embrapa.<\/p>\n<p> Para ajudar a gerir a opera\u00e7\u00e3o, os militares criaram, no mesmo ano, a Superintend\u00eancia do Desenvolvimento da Amaz\u00f4nia (Sudam), al\u00e9m do Banco da Amaz\u00f4nia, para administrar os recursos dos empr\u00e9stimos. <\/p>\n<p>Nesse contexto, a cria\u00e7\u00e3o de gado se destacou. &quot;Mais de 50% dos projetos que a Sudam recebia eram de pecu\u00e1ria. Os empreendedores que vieram para c\u00e1 eram de S\u00e3o Paulo, Minas Gerais e outros estados com forte tradi\u00e7\u00e3o pecu\u00e1ria&quot;, destaca Dias Filho.<\/p>\n<p> &quot;Eles chegaram em uma regi\u00e3o sem infraestrutura de estradas, de energia el\u00e9trica, de sa\u00fade ou de qualquer outro tipo. E optaram pela pecu\u00e1ria. Por qu\u00ea? Porque a pecu\u00e1ria exige menos recursos humanos e menos tecnologia por \u00e1rea&quot;, conta. <\/p>\n<p> &quot;Voce chega numa \u00e1rea, derruba floresta, queima, pega o avi\u00e3o e joga semente. Depois vem com o caminh\u00e3o, coloca o gado e vai embora. Depois de um tempo, voc\u00ea volta e recolhe os animais que a on\u00e7a n\u00e3o comeu e tu ganha dinheiro&quot;, detalha. <\/p>\n<p>J\u00e1 o plantio de qualquer alimento exige uma prepara\u00e7\u00e3o maior do solo, como aduba\u00e7\u00e3o e uso de defensivos. &quot;Plantar seringueira, plantar dend\u00ea, exige que voc\u00ea, pelo menos, esteja na \u00e1rea tomando conta&quot;, diz.<\/p>\n<p> Vale destacar que este per\u00edodo foi marcado tamb\u00e9m pela entrada, na Amaz\u00f4nia, do boi zebu\u00edno, que tem uma carne de mais qualidade. Al\u00e9m disso, as pastagens passaram a ser plantadas. <\/p>\n<p><h2>Pastos come\u00e7aram a degradar<\/h2>\n<\/p>\n<p> A expans\u00e3o da pecu\u00e1ria na Amaz\u00f4nia, portanto, deu in\u00edcio a um processo de desmatamento intenso do bioma que foi estimulado pela degrada\u00e7\u00e3o das pastagens. <\/p>\n<p> <strong>Isso porque os pecuaristas come\u00e7aram a perceber que os pastos perdiam qualidade depois de tr\u00eas anos de uso pelos bois.<\/strong> Ou seja, o capim n\u00e3o crescia t\u00e3o bem e plantas daninhas avan\u00e7avam sobre o local. <\/p>\n<p>&quot;E, ent\u00e3o, o que se fazia? Com a abund\u00e2ncia de terras e dinheiro f\u00e1cil, se abandonava aquelas \u00e1reas, se partia para uma nova \u00e1rea de floresta e come\u00e7ava tudo de novo. Ent\u00e3o, criou-se um estigma \u2013 correto para a \u00e9poca \u2013 de que a pecu\u00e1ria era uma atividade danosa e improdutiva ao meio ambiente&quot;, afirma Dias Filho.<\/p>\n<p> <a class href=\"https:\/\/g1.globo.com\/economia\/agronegocios\/agro-de-gente-pra-gente\/noticia\/2024\/07\/23\/boi-com-chip-na-amazonia-como-funciona-o-rastreamento-para-saber-se-a-carne-esta-livre-de-desmatamento.ghtml#topo\">&gt;&gt;&gt;Volte ao topo&lt;&lt;&lt;<\/a> <\/p>\n<p><h2>Programa Pr\u00f3-pasto<\/h2>\n<\/p>\n<p> Foi nesse contexto que a Embrapa come\u00e7ou a estudar as causas da degrada\u00e7\u00e3o do solo e a buscar solu\u00e7\u00f5es. Em 1976, a estatal lan\u00e7ou o programa Pr\u00f3-pasto, com experimentos nos munic\u00edpios paraenses de Paragominas e Marab\u00e1, al\u00e9m de cidades de Roraima, Rond\u00f4nia, Amazonas e Acre. &quot;Foi um projeto imenso&quot;, lembra Dias Filho, que fez parte da equipe. <\/p>\n<p> Por meio do Pr\u00f3-Pasto, pesquisadores desenvolveram capins mais produtivos e t\u00e9cnicas de recupera\u00e7\u00e3o e aduba\u00e7\u00e3o de pastagens, que come\u00e7aram a ser aplicadas por alguns produtores rurais a partir da segunda metade dos anos de 1980. <\/p>\n<p>&quot;Come\u00e7ou a haver uma mudan\u00e7a de mentalidade porque cerca j\u00e1 estava topando com cerca. Ent\u00e3o, eu n\u00e3o podia mais abandonar uma \u00e1rea e partir para outra porque j\u00e1 tinha outro dono do lado&quot;, afirma o pesquisador.<\/p>\n<p> &quot;<strong>Al\u00e9m disso, aumentou a press\u00e3o governamental e externa em termos de meio ambiente<\/strong>. Ent\u00e3o, o produtor se sentiu compelido a aumentar a sua produtividade [ou seja, a produzir o mesmo ou mais em menos terra]&quot;. <\/p>\n<p><h2>Produzir mais em menos terra<\/h2>\n<\/p>\n<p> Dias Filho considera que a pecu\u00e1ria come\u00e7ou a passar por uma &quot;profissionaliza\u00e7\u00e3o&quot;, que vem se desenvolvendo gradativamente at\u00e9 hoje, mas com uma diferen\u00e7a. <\/p>\n<p> Se, a partir dos anos 1990, recuperar pastagem passou a ser uma preocupa\u00e7\u00e3o, a partir dos anos 2000, aumentou o interesse dos produtores de impedir a degrada\u00e7\u00e3o do solo. <\/p>\n<p>&quot;E isso por qu\u00ea? Porque custa caro errar. Veja: para recuperar uma pastagem em degrada\u00e7\u00e3o, eu gasto 3 vezes mais do que para manter uma pastagem saud\u00e1vel. J\u00e1 para recuperar uma pastagem totalmente degradada, eu gasto 5 vezes mais&quot;, diz.<\/p>\n<p> Para Dias Filho, a tend\u00eancia da pecu\u00e1ria na Amaz\u00f4nia \u00e9 produzir mais em menos terra. <\/p>\n<p>&quot;H\u00e1 uma press\u00e3o ambiental. Tem gente vigiando o produtor. O mercado est\u00e1 exigente, n\u00e3o s\u00f3 em qualidade do produto, mas tamb\u00e9m em origem, se n\u00e3o \u00e9 oriundo de desmatamento recente&quot;.<\/p>\n<p> Segundo ele, o pecuarista da Amaz\u00f4nia tem produzido mais por \u00e1rea do que h\u00e1 20 anos atr\u00e1s. &quot;Na Amaz\u00f4nia, o rebanho bovino cresceu 43% mais do que as \u00e1reas de pastagem&quot;, pontua, ao citar dados da Embrapa. <\/p>\n<p> <a class href=\"https:\/\/g1.globo.com\/economia\/agronegocios\/agro-de-gente-pra-gente\/noticia\/2024\/07\/23\/boi-com-chip-na-amazonia-como-funciona-o-rastreamento-para-saber-se-a-carne-esta-livre-de-desmatamento.ghtml#topo\">&gt;&gt;&gt;Volte ao topo&lt;&lt;&lt;<\/a> <\/p>\n<p><h2>Taxas de desmatamento<\/h2>\n<\/p>\n<p> Ane Alencar, do Ipam, pontua que a implementa\u00e7\u00e3o do C\u00f3digo Florestal, em 2012, foi um grande avan\u00e7o no combate ao desmatamento. <\/p>\n<p> A legisla\u00e7\u00e3o obrigou os produtores rurais da Amaz\u00f4nia a preservarem 80% da sua propriedade, enquanto os 20% restantes ficaram liberados para a produ\u00e7\u00e3o. <\/p>\n<p> Mas ela ressalta que as mudan\u00e7as come\u00e7aram a acontecer antes, no in\u00edcio do primeiro governo de Luiz In\u00e1cio Lula da Silva, em 2003, quando Marina Silva assumiu o Minist\u00e9rio do Meio Ambiente. <\/p>\n<p> &quot;O governo come\u00e7ou a olhar para a especula\u00e7\u00e3o e come\u00e7ou a tirar terras do mercado ilegal, a criar unidades de conserva\u00e7\u00e3o, demarcar terras ind\u00edgenas&quot;, conta. <\/p>\n<p> Segundo ela, esse contexto explica as quedas da taxa de desmatamento da Amaz\u00f4nia Legal a partir 2005 e, posteriormente, a sua estabiliza\u00e7\u00e3o, de 2012 a 2018. <\/p>\n<p>         4 de 4&#013;Evolu\u00e7\u00e3o do desmatamento na Amaz\u00f4nia \u2014 Foto: Arte\/g1    <\/p>\n<p> Evolu\u00e7\u00e3o do desmatamento na Amaz\u00f4nia \u2014 Foto: Arte\/g1 <\/p>\n<p> O desmatamento, contudo, voltou a subir em 2019. &quot;No primeiro ano do governo [de Jair] Bolsonaro, houve uma explos\u00e3o de ocupa\u00e7\u00e3o e desmatamento em terras p\u00fablicas. E isso aconteceu por um enfraquecimento dos \u00f3rg\u00e3os fiscalizadores&quot;, diz Ane. <\/p>\n<p> A tr\u00e9gua veio em 2023, quando a taxa de desmatamento da Amaz\u00f4nia caiu 36,7%. Segundo Ane, a isso ocorreu por causa de uma retomada dos esfor\u00e7os de fiscaliza\u00e7\u00e3o. <\/p>\n<p> &quot;Como a vasta maioria do desmatamento na regi\u00e3o tem evid\u00eancias de ilegalidade, quando o risco de ser pego, penalizado ou mesmo de n\u00e3o conseguir se beneficiar do desmatamento, o desmatamento tende a cair&quot;, refor\u00e7a Tasso Azevedo, Coordenador Geral do MapBiomas. <\/p>\n<p> <a class href=\"https:\/\/g1.globo.com\/economia\/agronegocios\/agro-de-gente-pra-gente\/noticia\/2024\/07\/23\/boi-com-chip-na-amazonia-como-funciona-o-rastreamento-para-saber-se-a-carne-esta-livre-de-desmatamento.ghtml#topo\">&gt;&gt;&gt;Volte ao topo&lt;&lt;&lt;<\/a> <\/p>\n<ul> <\/ul>\n<h3> <a id=\"js-next-article-desktop-link\" class=\"next-article-desktop-link\"><\/a> <\/h3>\n<h3> <a id=\"js-next-article-smart-link\" class=\"next-article-smart-link\"><\/a> <\/h3>\n<p>Veja tamb\u00e9m<\/p>\n<\/p>\n<\/p>\n<p>       Anterior   Pr\u00f3ximo     <\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Por que tem tanto boi na Amaz\u00f4nia? Derrubada da floresta para forma\u00e7\u00e3o de pastagens come\u00e7ou nos anos 1960, na ditadura. A chamada Amaz\u00f4nia legal concentra 44% do rebanho bovino do Brasil atualmente. Por Paula Salati, g1 25\/07\/2024 02h00 Atualizado 25\/07\/2024 Por que tem tanto boi na Amaz\u00f4nia? O que se chama hoje de Amaz\u00f4nia legal [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[],"tags":[],"class_list":["post-63767","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/blog.corretoraideal.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/63767","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/blog.corretoraideal.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/blog.corretoraideal.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/blog.corretoraideal.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/blog.corretoraideal.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=63767"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/blog.corretoraideal.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/63767\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":63772,"href":"https:\/\/blog.corretoraideal.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/63767\/revisions\/63772"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/blog.corretoraideal.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=63767"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/blog.corretoraideal.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=63767"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/blog.corretoraideal.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=63767"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}