{"id":64114,"date":"2024-08-02T17:29:32","date_gmt":"2024-08-02T17:29:32","guid":{"rendered":"https:\/\/blog.corretoraideal.com.br\/?p=64114"},"modified":"2024-08-02T17:29:32","modified_gmt":"2024-08-02T17:29:32","slug":"homem-condenado-a-22-anos-de-prisao-consegue-provar-inocencia-norte-fluminense-g1","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/blog.corretoraideal.com.br\/index.php\/2024\/08\/02\/homem-condenado-a-22-anos-de-prisao-consegue-provar-inocencia-norte-fluminense-g1\/","title":{"rendered":"Homem condenado a 22 anos de pris\u00e3o consegue provar inoc\u00eancia | Norte Fluminense | G1"},"content":{"rendered":"<br \/>\n<h1>Homem condenado a 22 anos de pris\u00e3o consegue provar inoc\u00eancia <\/h1>\n<h2>Depois de passar 9 anos preso e 1 ano em liberdade com tornozeleira, homem foi absolvido.<\/h2>\n<p> Por Josu\u00e9 Amador, g1 &mdash; Campos dos Goytacazes  <\/p>\n<p>  02\/08\/2024 10h38    Atualizado  02\/08\/2024    <\/p>\n<p> Ap\u00f3s 10 anos cumprindo pena, um morador de <a class href=\"https:\/\/g1.globo.com\/rj\/norte-fluminense\/cidade\/campos-dos-goytacazes\/\">Campos dos Goytacazes<\/a>, na Regi\u00e3o Norte Fluminense do Rio, conseguiu provar inoc\u00eancia e foi absolvido pela Justi\u00e7a. Everton Rodrigues da Silva foi acusado e condenado por latroc\u00ednio, que \u00e9 o roubo seguido de morte, em 2014. <\/p>\n<p> Everton conta detalhes de como tudo aconteceu. Ele estava com a fam\u00edlia em uma casa alugada na Praia do Farol de S\u00e3o Tom\u00e9, para passar o carnaval daquele ano. A chegada da Pol\u00edcia Civil \u00e0 casa onde eles estavam deu in\u00edcio ao pesadelo que duraria uma d\u00e9cada. <\/p>\n<p> &quot;Eles chegaram com a foto de duas pessoas, perguntando se a gente as conhecia. Eu disse que n\u00e3o. O inspetor de plant\u00e3o no dia perguntou se ele podia tirar uma foto minha e eu deixei, porque eu n\u00e3o devia nada. Eles tiraram a foto e imediatamente disseram: &#x27;Olha, reconheceram voc\u00ea como autor de um crime. Mas eu n\u00e3o tenho mandado aqui. Voc\u00ea pode me acompanhar at\u00e9 a delegacia?&#x27;. E assim eu fiz. Acompanhei eles at\u00e9 a delegacia&quot;, explica Everton Rodrigues. <\/p>\n<p> Na delegacia, o rapaz foi colocado com outras duas pessoas em uma sala, onde teriam feito um reconhecimento. Depois, foi liberado. Antes, deixou o contato com o inspetor [Jonas]. Tr\u00eas dias depois, o inspetor ligou para ele dizendo que havia havia um mandado de pris\u00e3o contra Everton e caso n\u00e3o fosse, ia ser considerado foragido da Justi\u00e7a. <\/p>\n<p> &quot;Eles falaram que tinha uma filmagem e que eu aparecia cometendo o crime. Por isso, eu compareci. Porque eu tinha plena certeza de que eu n\u00e3o tinha cometido crime nenhum. Depois, eles alegaram que a filmagem estava com defeito e que s\u00f3 ia abrir no dia da audi\u00eancia. E eu ia ter que aguardar custodiado&quot;, explica. <\/p>\n<p> Uma vez em cust\u00f3dia, Everton Rodrigues ficou detido por tr\u00eas meses. Por duas vezes, as audi\u00eancias foram adiadas. Quando chegou o dia de se apresentar, ele perguntou \u00e0 autoridade local da \u00e9poca, onde estariam os v\u00eddeos de monitoramento que os policiais civis disseram que existia e que estaria no processo. <\/p>\n<p> A autoridade ent\u00e3o disse que n\u00e3o havia nenhum v\u00eddeo anexado ao processo. Depois ele foi liberado e voltou para casa. Eveton disse que acreditava que tudo j\u00e1 havia acabado e que poderia seguir a vida em liberdade. Mas o pesadelo s\u00f3 estava apenas come\u00e7ando. Dois meses depois, ele conta que chegou uma senten\u00e7a para ele de 22 anos de pris\u00e3o. <\/p>\n<p> A base da acusa\u00e7\u00e3o foi o depoimento de dois adolescentes, na \u00e9poca, que teriam sido obrigados a reconhecer Everton como o autor do crime. Mas as descri\u00e7\u00f5es apresentadas n\u00e3o batiam com as caracter\u00edsticas f\u00edsicas de Everton. <\/p>\n<p> O verdadeiro autor do crime, conforme ele explica, seria um homem de cor parda e de cavanhaque. Everton \u00e9 de cor preta e na \u00e9poca n\u00e3o tinha barba. Ele acredita que tudo foi uma tentativa de achar um culpado a qualquer custo e abafar o caso. <\/p>\n<p>&quot;Se voc\u00ea parar pra pensar quantos recursos eu tentei e a Justi\u00e7a s\u00f3 jogava meu caso da primeira para a segunda inst\u00e2ncia, sem mover nada? E voc\u00ea briga o tempo todo com sua mente, porque sabe que n\u00e3o cometeu nada. Voc\u00ea vive a sua inf\u00e2ncia inteira se desviando do crime, se desviando das drogas, para eles te pegarem de um lugar, te jogar na cadeia e falarem que foi voc\u00ea [que cometeu o crime]. Porque pra mim isso foi para abafar o caso. Porque o pr\u00f3prio inspetor virar e dizer: &#x27;Eu sei quem foram os verdadeiros autores do crime.&#x27; E por que n\u00e3o me soltaram?&quot;, desabafa Everton.<\/p>\n<p> <strong>NASCIMENTO DA FILHA<\/strong> <\/p>\n<p> Everton perdeu muitos sonhos e realiza\u00e7\u00f5es durante o tempo que ficou preso. Na \u00e9poca ele estava terminando os estudos, j\u00e1 com formatura marcada para a segunda-feira (dia em que foi preso), mas n\u00e3o conseguiu sequer pegar o diploma. Por\u00e9m a maior perda foi a conviv\u00eancia com a filha. <\/p>\n<p> Quando foi preso, a esposa dele estava gr\u00e1vida de tr\u00eas meses. Ele n\u00e3o p\u00f4de acompanhar a gesta\u00e7\u00e3o, o nascimento, nem o crescimento da primeira filha. Os momentos que tinham juntos eram apenas nas visitas feitas a ele na pris\u00e3o. <\/p>\n<p> &quot;A vida toda, eu sempre cuidei dos meus sobrinhos. E quando a minha esposa engravidou, era meu maior sonho acompanhar a gravidez dela e o crescimento da minha filha. Mas \u00e9 algo que eu perdi, eles tiraram de mim. Ent\u00e3o, foi uma parte dif\u00edcil e muito dolorosa para mim, dentro do c\u00e1rcere, porque eu n\u00e3o pude nem acompanhar o nascimento da minha filha. Quando ela nasceu, eu j\u00e1 estava preso h\u00e1 sete meses, j\u00e1 sentenciado. E a via atrav\u00e9s de visita. Imagina uma crian\u00e7a rec\u00e9m-nascida tendo que visitar o pai que, por ventura, nem criminoso \u00e9&quot;, lamenta. <\/p>\n<p> Atualmente, Everton n\u00e3o tem mais o relacionamento com a m\u00e3e da filha. Eles compartilham a guarda da crian\u00e7a. <\/p>\n<p> <strong>SOFRIMENTO DA FAM\u00cdLIA<\/strong> <\/p>\n<p> A tia de Everton, Roseli Silva Rodrigues, conta que no dia da pris\u00e3o do sobrinho alguns familiares da v\u00edtima de latroc\u00ednio estavam na delegacia e gritavam de forma provocativa e intimidadora. <\/p>\n<p> &quot;O pai do falecido mesmo falava: &#x27;Eu n\u00e3o quero saber quem matou, eu s\u00f3 quero dizer que meu filho tem que ser vingado, doa a quem doer, a morte do meu filho n\u00e3o vai ficar assim&#x27;. A\u00ed o menino [testemunha adolescente] falou que ele ia falar a verdade. Quando sa\u00edram, eles falaram assim: &#x27;Infelizmente, n\u00e3o pude falar a verdade, porque meu pai n\u00e3o deixou&#x27;, disse Roseli Rodrigues. <\/p>\n<p> As visitas ao sobrinho tamb\u00e9m eram marcadas pela burocracia e por humilha\u00e7\u00f5es de alguns agentes penitenci\u00e1rios. <\/p>\n<p> &quot;Fora a revista, na \u00e9poca n\u00e3o tinha scanner. Era uma coisa pavorosa. A gente sa\u00eda de casa 2h da manh\u00e3 pra entrar 12h, era a coisa mais triste. A gente sofreu um bom peda\u00e7o, tanto eu como a m\u00e3e dele. A m\u00e3e dele ainda mais, porque veio a Covid e eu fiquei doente. Eu fiquei um tempo sem poder ir e ela ficou ainda um temp\u00e3o indo sozinha&quot;, explica. <\/p>\n<p> A fam\u00edlia contratou advogados para representar o sobrinho e provar a inoc\u00eancia dele. Mas acabaram sendo enganados por tr\u00eas advogados. Segundo ela, nenhum deles aceitava chamar testemunhas para depor a favor do rapaz e a causa dele n\u00e3o avan\u00e7ava na Justi\u00e7a. <\/p>\n<p> Al\u00e9m disso, ela conta que a alguns profissionais da imprensa local taxavam Everton como criminoso de forma exagerada e desrespeitosa. Segundo ela, a fam\u00edlia chegou a procurar o ve\u00edculo de comunica\u00e7\u00e3o para contar a vers\u00e3o deles sobre os fatos, mas foram ignorados. <\/p>\n<p> Mesmo diante de todas as situa\u00e7\u00f5es, ela sempre acreditou na inoc\u00eancia do sobrinho. <\/p>\n<p> &quot;Eu nunca tive d\u00favida. Quando saiu da barriga da minha irm\u00e3, eu sa\u00eda do Jardim Carioca pra vir aqui dar banho nele, pra cuidar de umbigo do meu sobrinho. Ele nunca teve uma passagem, nem de crian\u00e7a, nunca teve mau comportamento&quot;, diz. <\/p>\n<p> <strong>A PROMESSA DE UMA AMIZADE<\/strong> <\/p>\n<p> A esperan\u00e7a de provar a inoc\u00eancia estava firmada em uma promessa feita por um amigo de inf\u00e2ncia. A de que quando se formasse em Direito iria assumir a causa de Everton e provar que ele n\u00e3o era um criminoso. E assim fez o advogado Patrick Benedito. <\/p>\n<p> &quot;Em em 2014, no ano que ele foi preso, eu estava no Ex\u00e9rcito e nem sonhava em fazer Direito.[&#8230;]. Depois, decidi entrar para a faculdade e fui inteirando dos assuntos. Um dia eu fui visitar ele e falei assim: &#x27;Irm\u00e3o eu quero pegar seu caso quando me formar, porque eu sei que voc\u00ea \u00e9 inocente e tem muitas coisas que eu olhei no seu processo e d\u00e1 pra resolver&#x27;. E a\u00ed quando eu me formei, eu falei: &#x27;Agora eu sou advogado, vou pegar seu caso&#x27;, conta o amigo. <\/p>\n<p> Patrick Benedito explica que identificou algumas ilegalidades no processo e conseguiu uma nova prova. A primeira ilegalidade estava relacionada aos depoimentos dos adolescentes, porque foram desacompanhados, mesmo sendo menores de idade. A segunda ilegalidade foi a pris\u00e3o em flagrante, que s\u00f3 aconteceu tr\u00eas dias depois dos fatos. <\/p>\n<p> &quot;Tempos depois, em 2020, eles [os adolescentes] foram presos junto com Everton. Ent\u00e3o, decidiram, a partir da\u00ed, contar toda a verdade. A\u00ed eu fiz um termo de depoimento retificando a fala deles e entramos com uma revis\u00e3o criminal. O desembargador pediu pra ouvir esses dois meninos e, em ju\u00edzo, eles contaram toda a verdade. Que nunca viram o Everton na cena do crime. Ent\u00e3o esse foi o meu contexto com a situa\u00e7\u00e3o do Everton e hoje n\u00f3s conseguimos a absolvi\u00e7\u00e3o dele&quot;, explica. <\/p>\n<p> <strong>RETOMANDO A VIDA<\/strong> <\/p>\n<p> Agora inocentado, Everton j\u00e1 n\u00e3o usa mais a tornozeleira e est\u00e1 trabalhando como motoboy. Ele pretende ir atr\u00e1s de repara\u00e7\u00e3o pelo julgamento errado e pris\u00e3o injusta. <\/p>\n<p> &quot;Eu n\u00e3o quero nada de ningu\u00e9m eu s\u00f3 quero o que eles me tiraram. Meu foco n\u00e3o \u00e9 dinheiro. Se eu dependesse da Justi\u00e7a a minha vida estava acabada. Quem lutou comigo foi minha fam\u00edlia mesmo, porque dentro do c\u00e1rcere, voc\u00ea s\u00f3 pode contar com a sua fam\u00edlia. E \u00e9 uma luta di\u00e1ria, porque que as portas n\u00e3o se abrem assim da noite pro dia. Ainda mais pra voc\u00ea que j\u00e1 ficou preso tanto tempo e as pessoas sem conhecer a tua hist\u00f3ria, ent\u00e3o n\u00e3o \u00e9 f\u00e1cil&quot;, enfatiza. <\/p>\n<p> Mesmo sabendo das dificuldade, Everton n\u00e3o deixou de sonhar. <\/p>\n<p> &quot;O meu sonho \u00e9 poder concluir a prova da minha inoc\u00eancia toda. Arquivar meu processo, que falta pouco, e poder viver bem com a minha fam\u00edlia, estudar, fazer uma faculdade. \u00c9 isso&quot;, finaliza Everton Rodrigues. <\/p>\n<ul>\n<li> <a href=\"https:\/\/g1.globo.com\/rj\/norte-fluminense\/cidade\/campos-dos-goytacazes\/\" class=\"entities__list-itemLink\" data-track-click=\"Campos dos Goytacazes\"> Campos dos Goytacazes <\/a> <\/li>\n<\/ul>\n<h3> <a id=\"js-next-article-desktop-link\" class=\"next-article-desktop-link\"><\/a> <\/h3>\n<h3> <a id=\"js-next-article-smart-link\" class=\"next-article-smart-link\"><\/a> <\/h3>\n<p>Veja tamb\u00e9m<\/p>\n<\/p>\n<\/p>\n<p>       Anterior   Pr\u00f3ximo     <\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Homem condenado a 22 anos de pris\u00e3o consegue provar inoc\u00eancia Depois de passar 9 anos preso e 1 ano em liberdade com tornozeleira, homem foi absolvido. 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