Países latinos “exportam” refugiados, mesmo com boa condição financeira | EXAME

Países latinos “exportam” refugiados, mesmo com boa condição financeira
Países latinos “exportam” refugiados, mesmo com boa condição financeira

Refugiados da América Central andam por estrada no México.

Refugiados em estrada do México: ondas de imigração ilegal para os EUA vem provocando a ira do presidente Donald Trump. (Jordi Ruiz Cirera/Bloomberg)

Honduras, Guatemala e El Salvador são, de maneira geral, países devastados pela violência de organizações criminosas, tráfico de drogas e extrema pobreza. São esses elementos que impulsionaram as ondas de imigração ilegal para os Estados Unidos, provocando a ira do presidente Donald Trump.

E, no entanto, o mercado de títulos de dívida vê esses países – especialmente Honduras e Guatemala – como investimentos estáveis ​​e quase seguros. Em alguns casos, esses governos podem tomar empréstimos com taxas semelhantes às de potências regionais, como Brasil e México.

É algo estranho, que soa quase improvável. E revela uma verdade surpreendente sobre esses países: todos têm contas fiscais sólidas.

Como isso é possível em países com tamanha pobreza? Porque destinam muito pouco dinheiro a programas sociais básicos. Com isso, esses governos não apenas economizam recursos, permitindo controlar seus déficits orçamentários, como também acabam incentivando os pobres – os que mais se beneficiariam de maiores gastos com saúde ou moradia – a emigrar.

Isso, por sua vez, tem uma vantagem adicional: os migrantes enviam quantidades crescentes de dólares para os familiares que ficaram, o que gera um fluxo constante de divisas, o pilar de suas economias. (Para uma simples comparação, esse fluxo é aproximadamente 30 vezes maior do que a ajuda financeira que um frustrado Trump suspendeu para esses países esta semana.)

“A migração faz parte do modelo”, disse Seynabou Sakho, diretor do Banco Mundial para a América Central. “Um país pode não ter um grande déficit, mas, ao mesmo tempo, as necessidades da população não estão sendo atendidas.”

Representantes dos ministérios da Fazenda e gabinetes presidenciais de El Salvador, Honduras e Guatemala não responderam aos pedidos de comentários.

Sakho e sua equipe realizam no Banco Mundial o que chamam de estudos de proteção social. Eles tentam medir a ajuda que os governos proporcionam aos pobres e vulneráveis e dividem os estudos em vários indicadores-chave: redução da pobreza, acesso à ajuda do governo e o impacto dessa assistência.

Os três países América Central, chamados de Triângulo do Norte, se classificam no piso da escala em cada uma dessas categorias.

O Banco Mundial também monitora os gastos sociais em uma base per capita. Em El Salvador, o valor era de US$ 562. Era ainda menor em Honduras, de US$ 278, e na Guatemala, de US$ 258. Os valores são apenas uma fração dos US$ 2.193 gastos na Costa Rica ou dos US$ 2.269 no Brasil.

O Banco Mundial não atualiza esse conjunto de dados desde 2012, mas analistas dizem que há poucos sinais de melhora. Nepotismo e corrupção, dizem, têm aumentado o déficit, desviando fundos destinados aos pobres. A organização Transparência Internacional classifica os três países na metade inferior de seu Índice de Percepção de Corrupção, com a Guatemala no quartil mais baixo.

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