Ibovespa fecha maio no azul pela 1ª vez em 10 anos | EXAME

Ibovespa fecha maio no azul pela 1ª vez em 10 anos
Ibovespa fecha maio no azul pela 1ª vez em 10 anos

bolsas de valores ibovespa

bolsas-de-valores ibovespa (NurPhoto/Getty Images)

Na contramão da má sorte dos últimos anos, o maior índice de ações da bolsa fechou seu primeiro maio no azul em 10 anos. Mas foi por pouco, e de virada. O Ibovespa subiu 0,70% no mês, aos 97.030 pontos.

Nesta sexta-feira, o índice da B3 caiu 0,44%. O giro financeiro do dia somou R$ 16,32 bilhões.

Desde 2009 o indicador não tinha um desempenho positivo no quinto mês do ano. A julgar pelos primeiros 15 dias de maio, tudo indicava que este seria mais um período desastroso para a bolsa.

De um lado, a desarticulação política no Brasil colocou na berlinda as chances de aprovação de uma reforma da Previdência. De outro, o agravamento das tensões comerciais entre Estados Unidos e China geraram aversão ao risco no exterior.

Brasil descolado do exterior

A virada aconteceu na última semana, com o pacto entre o governo Bolsonaro e os outros dois poderes (Congresso e Supremo Tribunal Federal), elevando a possibilidade de novas reformas, observa Pablo Spyer, diretor de operações da Mirae.

“Esta ‘vibe positiva’ ancorada na aprovação da reforma fez com que o Brasil se descolasse do resto do mundo”, diz.

De fato, não foi uma semana fácil para os mercados no exterior, mas o Brasil ficou “blindado”. Nem mesmo a preocupante retração do PIB no primeiro trimestre, de 0,2%, abalou a confiança dos investidores no Brasil.

Como se não bastasse a prolongada disputa comercial entre EUA e China, o líder da maior economia do mundo, Donald Trump, anunciou na véspera que o México também poderá ser sobretaxado caso não faça mudanças em sua política de imigração.

A gripe suína africana, por sua vez, ameaça o mercado global de carnes e já afeta os preços das commodities, incluindo grãos.

Para Spyer, apesar do cenário negativo lá fora, o Brasil tende a se beneficiar desse movimento, mais um ponto a seu favor. “Os chineses não querem consumir a proteína e certamente vão comprar mais do Brasil, em um momento em que os preços estão em alta”, afirma.

“Sell in may”

A recomendação “sell in may and go away” (venda em maio e corra, em tradução livre) é comum no hemisfério norte com a chegada do verão, período em que as bolsas têm um baixo volume de negócios.

É a hora ideal para fugir de Wall Street, visto que os preços costumam ficar mais instáveis. Isso acontece devido à baixa liquidez (facilidade em comprar ou vender os papéis).

Desempenho do mês

Veja as ações que mais caíram em maio:

Empresa
Ticker da ação
Desempenho da ação no mês de maio
Suzano
SUZB3
-21,61%
B2W
BTOW3
-18,01%
Cielo
CIEL3
-13,02%
Braskem
BRKM5
-12,62%
CVC
CVCB3
-11,11%
Pão de Açucar
PCAR4
-10,08%
BRF
BRFS3
-9,64%
Sabesp
SBSP3
-6,76%
TIM
TIMP3
-6,15%
Klabin
KLBN11
-6,07%

Veja as ações que mais ganharam em maio:

Empresa
Ticker da ação
Desempenho da ação no mês de maio
CSN
CSNA3
19,85%
GOL
GOLL4
18,09%
Qualicorp
QUAL3
16,80%
MRV
MRVE3
16,75%
Via Varejo
VVAR3
16,59%
CCR
CCRO3
16,35%
Azul
AZUL4
16,06%
Ecorodovias
ECOR3
14,92%
Natura
NATU3
13,61%
Energias Br
ENBR3
11,25%

Destaques do Ibovespa nesta sexta

BRF, Marfrig e JBS – Após o anúncio de que estudam uma possível fusão, as duas empresas do ramo de alimentos tiveram desempenhos opostos na bolsa. Marfrig subiu em torno de 3%, enquanto a BRF teve um pregão mais volátil, chegou a subir, mas terminou em intensa baixa de 4,5%.

Já a processadora de carnes JBS, principal concorrente do novo negócio no Brasil,  teve queda de quase 2%. Os analistas da XP Investimentos veem a possível fusão como neutra para a companhia.

“Notamos que a empresa é muito bem posicionada, ao mesmo tempo em que vemos potenciais efeitos positivos para todos os frigoríficos com a Peste Suína africana na Ásia. Mantemos recomendação de Compra na JBS”, escreveram em relatório a clientes.

De forma geral, as ações do setor de carnes vem sendo beneficiadas, em meio a um surto de gripe suína africana que afeta principalmente a demanda por proteínas na China, o que em tese poderia elevar a demanda pelo produto produzido no Brasil.

Petrobras –  Os papéis da petroleira recuaram mais de 2% nas preferenciais (com direito a distribuição de dividendos),, em linha com a forte queda nos preços do petróleo no exterior. A estatal confirmou na quinta que o processo de desinvestimento nos campos de petróleo de Pampo e Enchova, no litoral do Rio de Janeiro, está em fase de apresentação de ofertas finais, mas não apontou valores ou comprador.

Itaú Unibanco – As ações do banco recuaram perto de 0,2%, enquanto Bradesco subiu 0,3%. Na véspera, o Itaú informou que seu conselho aprovou uma nova recompra de ações que pode envolver até 90 milhões de ações. A recompra pode indicar que a instituição considera que suas ações estão baratas no momento.

Vale – A mineradora desvalorizou 2%, em meio à queda dos preços do minério de ferro na China, causada por preocupação de investidores com uma sobreoferta do produto.

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