Saiba o que fazer se o seu namorado virtual pediu dinheiro e sumiu | Tecnologia | G1

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Saiba o que fazer se o seu namorado virtual pediu dinheiro e sumiu

Perfis falsos fazem as vítimas se apaixonarem, para cometer o crime de estelionato sentimental virtual. Golpe é aplicado por grupos internacionais.

Por Vivian Souza, g1

31/10/2023 05h30 Atualizado 31/10/2023

  • Quatro em cada dez mulheres já foram vítimas de golpes de romance online ou conhecem alguém que foi, aponta pesquisa.

  • "Romance scammer" ou estelionato sentimental virtual é o golpe em que grupos de estelionatários estrangeiros se aproximam das vítimas pelas redes sociais para roubar dinheiro.

  • Se for vítima, registre mensagens de pedido de dinheiro, salve dados bancários e faça um boletim de ocorrência.

  • Estelionato sentimental, assim como outros casos de estelionato, é punido no Código Penal no artigo 171.

  • Também é considerado violência doméstica financeira na Lei Maria da Penha e pode gerar indenização por meio de danos morais e materiais.

Quatro em cada dez mulheres já foram vítimas de golpes de romance online ou conhecem alguém que foi, aponta pesquisa.

"Romance scammer" ou estelionato sentimental virtual é o golpe em que grupos de estelionatários estrangeiros se aproximam das vítimas pelas redes sociais para roubar dinheiro.

Se for vítima, registre mensagens de pedido de dinheiro, salve dados bancários e faça um boletim de ocorrência.

Estelionato sentimental, assim como outros casos de estelionato, é punido no Código Penal no artigo 171.

Também é considerado violência doméstica financeira na Lei Maria da Penha e pode gerar indenização por meio de danos morais e materiais.

1 de 1 Saiba o que fazer se o seu namorado virtual pediu dinheiro e sumiu — Foto: Vitoria Romero Coelho

Saiba o que fazer se o seu namorado virtual pediu dinheiro e sumiu — Foto: Vitoria Romero Coelho

Quatro em cada dez mulheres já foram vítimas de golpes de romance online ou conhecem alguém que foi, aponta pesquisa obtida exclusivamente pelo g1 da organização “Era Golpe, Não Amor", uma parceria da empresa Hibou, da Associação Brasileira de EMDR e o Ministério Público de São Paulo.

Um desses golpes é o "romance scammer" ou estelionato sentimental virtual. Nele, grupos de estelionatários estrangeiros se aproximam das vítimas pelas redes sociais, fazem com que se apaixonem e pedem dinheiro emprestado – o valor nunca é devolvido.

Por ser um crime em escala internacional, é difícil para a vítima conseguir recuperar o dinheiro roubado, mas existem algumas dicas que podem auxiliar no processo. Veja a seguir.

O que fazer se for vítima

Para denunciar, é preciso:

  • salvar as conversas, principalmente, aquelas em que há o pedido de dinheiro;
  • guardar os comprovantes de pagamentos e dados bancários de quem recebeu;
  • não apagar fotos que o bandido enviou;
  • fazer um boletim de ocorrência relatando tudo o que aconteceu;
  • contratar um advogado, para ter auxílio em cada etapa, uma vez que se trata de um crime mais complexo.

O que diz a lei

O estelionato é um crime tipificado no artigo 171 do Código Penal. É considerado estelionato sentimental quando o relacionamento é usado para extorquir dinheiro da vítima.

O artigo diz ainda que: "A pena é de reclusão, de 4 (quatro) a 8 (oito) anos, e multa, se a fraude é cometida com a utilização de informações fornecidas pela vítima ou por terceiro induzido a erro por meio de redes sociais, contatos telefônicos ou envio de correio eletrônico fraudulento, ou por qualquer outro meio fraudulento análogo".

Por ter um princípio semelhante, o "romance scammer" também pode ser enquadrado nesta lei. Mas, por envolver quadrilhas internacionais, fica mais complicado punir o acusado. Primeiramente, porque, muitas vezes, a vítima não sabe a identidade real da pessoa com quem tem conversado.

Mas punir o crime somente como estelionato sentimental não é suficiente, afirma Glauce Lima, caçadora de golpistas e fundadora do Instituto GKScanOnline, de apoio a vítimas de crimes cibernéticos.

Ela começou a procurar os bandidos online após uma amiga ser vítima do golpe em 2011. Em 1 ano, ela conseguiu remover 1.600 perfis falsos de rede social e em 2013 conseguiu prender o golpista que roubou sua amiga, em parceria com a polícia nigeriana, onde vivia o bandido.

“Ele não é só estelionato, ele é uma formação de quadrilha. O dinheiro do "romance scammer", a gente tem prova que ele acaba sendo desviado para o tráfico internacional de drogas”, diz.

Por isso, para ter alguma chance de encontrar os bandidos, é necessário que a Polícia Federal auxilie nos procedimentos e identifique em qual país está o bandido. Isso pode ser feito rastreando o IP, que é o número identificador do computador, ou ainda refazendo o caminho do dinheiro das vítimas até o grupo golpista.

Quando a vítima é mulher, simular um relacionamento para obter vantagens financeiras também pode ser considerado uma violência doméstica financeira e, portanto, ser enquadrado na lei Maria da Penha, explica o promotor Thiago Pieronom do Ministério Público do Distrito Federal e Territórios (MPDF).

Caso o estelionatário possa ser identificado, a vítima pode receber indenização também por danos morais e materiais.

SAIBA MAIS:

Vergonha de denunciar

As vítimas do "romance scammer" têm dificuldades para denunciar. Primeiramente, elas sentem vergonha do que a família irá pensar.

“O segundo obstáculo que a vítima enfrenta é que, muitas vezes, ela começou a mexer no patrimônio da família sem os outros saberem. Então, se ela for denunciar, vai ser exposta", conta Glauce.

Foi o que aconteceu com Isabela*, que vendeu um terreno que havia recebido de herança da sua mãe para enviar para o golpista e nunca contou para o seu marido, por medo da reação dele.

Além disso, há o julgamento da sociedade de que quem cai nesse golpe são pessoas “burras", causando mais vergonha, aponta Desiree Hamuche Montes, fundadora da iniciativa “Era Golpe, Não Amor".

Como evitar ser vítima

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*Isabela é um nome fictício, para proteger a vítima.

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